Golpe militar na Mauritânia completa uma semana

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14 de agosto de 2008

Nouakchott, Mauritânia — Ontem, completou uma semana do golpe militar que derrubou o presidente Sidi Uld Cheij Abdalahi e o primeiro-ministro Yahya Uld Ahmed el-Waghf, ocorrido no dia 6 de agosto.

Nos dias que se seguiram, o primeiro-ministro foi libertado no dia 11 e no dia seguinte foi à vez do presidente. No dia do golpe, eles foram levados das residências oficiais para a base militar, para depois em prisão domiciliar.

A notícia da libertação do primeiro-ministro foi divulgada pelo chefe de gabinete de Waghf, Mohamed Uld Maayuf, à agência France Presse. Conforme a agência, outras três pessoas detidas no golpe foram soltas. Já a notícia da libertação do presidente foi feita por militares, depois de uma semana na prisão domiciliar.

Não há expectativa de que os militares deixem o poder em pouco tempo, embora eles afirmem que haverá eleições para a volta da democracia.

Golpe

O presidente, primeiro-ministro, ministro do Interior Mohamed Uld R'Zeizi e outros dois homens próximos do presidente, o diretor da agência nacional para refugiados Mussa Fal e o vice-presidente do partido de Abdahli, Ahmed Uld Sidi Baba, foram detidos pelos militares na quarta-feira (6) durante o golpe militar.

Forças do Exército mauritano ocuparam a sede da estatal Rádio e TV Mauritânia localizados na capital Nouakchott (que saíram do ar, mas se restabeleceram as transmissões) e se desdobraram em frente ao palácio presidencial e às principais sedes administrativas de Nuakchott. Abdallahi chegou ao poder após vencer eleições realizadas em março de 2007. O Exército se mobilizou em frente ao palácio presidencial e às principais sedes administrativas de Nuakchott.

Embora não tenham sido declaradas medidas de exceção nem sido vistas cenas de violência nas ruas, muitos cidadãos expressaram de forma espontânea seu apoio aos golpistas, como foi mostrado ao vivo pela TV árabe Al-Jazeera e segundo imagens transmitidas ao vivo pela emissora, as forças do Exército tomaram também as principais ruas da capital do país.

Entre as conseqüências desse golpe de Estado pôde ser visto como o aeroporto permaneceu fechado desde esta manhã até às 14h (em Brasília), como confirmaram à agência Efe fontes da aviação civil.

Motivos

Os motivos do levante militar que levou a queda do primeiro governo civil desde a independência em 1960, aconteceu depois o presidente mauritano ter ordenado a destituição do general Ould Abdel Aziz (Estado-maior do Exército), Mohammed Ahmed Ghazouani (Guarda Presidencial), Ahmed Ould Bekrine (Estado-maior da Gendarmeria Nacional) e o Felix Negri (Guarda Nacional), incluindo grave crise política que durava há três meses, agravado pela renúncia dos 48 integrantes do governo no Parlamento mauritano no dia 4 de agosto.

Todos os quatros chefes militares são as maiores autoridades militares do país, foram destituídos por supostamente apoiarem parlamentares que acusavam Abdallahi de corrupção e eram contrários às políticas de aproximação do governo com extremistas islâmicos.

O general Aziz também foi o autor do último golpe militar na Mauritânia em 3 de agosto de 2005, que encerrou uma longa ditadura de 21 anos de Sid Ahmed e contou com amplo apoio da população. A tomada de poder pelos militares levou, mais tarde, às primeiras eleições democráticas do país em duas décadas, que foram ganhas por Abdallahi em 2007.

Aziz apoiou a eleição de Abdallahi, mas se opôs publicamente ao governo quando Abdallahi iniciou diálogo com extremistas islâmicos, acusados de terem laços com um braço da Al Qaeda no norte da África (que em fevereiro assumiu a autoria de um atentado contra a Embaixada de Israel na Mauritânia). Abdallahi também libertou da prisão vários suspeitos de terrorismo.

O general Uld Abdel Aziz, chefe da junta militar que derrubou o presidente Addahli, havia afirmado no domingo (10) sobre a prisão do presidente e aliados: "não lhes daremos nenhum privilégio. Eles estão em situação de prisão domiciliar pela segurança do país".

Medidas

Os militares rejeitaram o decreto e consideraram "nula e sem efeito jurídico" a mudança realizada por Abdallahi. Os golpistas anunciaram a criação de um "Conselho de Estado" presidido pelo general Abdel Aziz e iniciaram contatos com embaixadores de países ocidentais, árabes, africanos e asiáticos, para explicar os motivos da tomada do poder, segundo fontes ligadas à cúpula militar. O "Conselho de Estado" afirmou, nesses encontros, segundo as fontes, que tomou o passo para "redirecionar o processo democrático" no país.

Uma das primeiras medidas adotadas pela Junta Militar foi a de nomear Imam Cheikh Ould Ely como novo diretor da televisão pública (TV Mauritânia) e Mohamedou Ould Bouke à frente da rádio nacional estatal (Rádio Mauritânia), as únicas comunicações em massa no país.

A Rádio Mautitânia é transmitida pelo mundo pela frequência 4845 kHz na onda tropical/curta (onde fica no meio de frequências de rádios brasileiras), que pode ser ouvida toda África, Europa, partes da Ásia e América, inclusive o Brasil.

Prometeram também o retorno à democracia com novas eleições.

Reações

Horas depois do golpe, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Gonzalo Gallegos, declarou que o presidente e o governo de George W. Bush, condenou o golpe de Estado e exortou os oficiais a libertarem o presidente e o premiê. "Nós condenamos fortemente os militares da Mauritânia por derrubarem o governo democraticamente eleito do país". "Pedimos que o Exército liberte o presidente e o primeiro-ministro e restabeleça o governo imediatamente", acrescentou durante coletiva com a imprensa em Washington. Dois dias depois, os Estados Unidos impôs sanções econômicas, excerto alimentos e medicamentos.

A União Européia divulgou a preocupação do golpe militar e que todos os países-membros condenam o golpe e a volta dos civis no poder.

No dia seguinte, secretário-geral da Liga Árabe (LA), Amre Moussa, expressou preocupação pelo golpe e pediu às partes envolvidas que solucionem o conflito interno por meio de um "diálogo democrático". Manifestou "profunda preocupação pelas conseqüências" do golpe, e afirmou que os eventos não devem colocar um ponto final nos avanços democráticos obtidos pela Mauritânia, um dos Estados-membros da Liga Árabe.

O secretário-geral da organização pediu às partes envolvidas no conflito interno que solucionem suas diferenças políticas por meio do diálogo e que respeitem as instituições constitucionais e o desejo do povo mauritano. Apesar dos apelos de Moussa, a LA não criticou diretamente os responsáveis pelo golpe militar.

Libertações

Após a libertação do primeiro-ministro deposto, ele foi recebido pelos partidários e simpatizantes. O presidente foi solto dia seguinte. Vários integrantes do governo continuam presos.

Fontes


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