Garcia critica Obama por sua atuação como negociador de política externa

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Agência Brasil

Marco Aurélio Garcia.

25 de novembro de 2009

Brasil

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse ontem (24) que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, decepcionou com sua política externa. Garcia criticou as posições assumidas por Obama no que se refere à crise em Honduras, ao debate sobre mudanças climáticas e à falta de atenção à América Latina.

“Até agora, há um certo sabor de decepção, que nós esperamos que se reverta”, afirmou Garcia, depois do almoço oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente da República Tcheca, Václav Klaus, no Palácio Itamaraty.

Para Garcia, Obama passa por dificuldades em decorrência de questões da política interna norte-americana, o que afetaria sua atuação no cenário internacional. No entanto, o assessor da Presidência fez severas críticas ao governo dos Estados Unidos por legitimar a realização das eleições hondurenhas, no próximo domingo (29).

“Achamos lamentável que se queira limpar um golpe do Estado num país que vivia em estado de sítio”, disse Garcia. “É uma postura equivocada dos Estados Unidos. Os Estados Unidos poderiam ter usado outra postura”, afirmou Garcia

Em relação à crise em Honduras, o governo brasileiro defende a restituição do poder ao presidente deposto, Manuel Zelaya – que está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa há dois meses com mais um grupo de correligionários. Só depois, segundo interlocutores do presidente Lula, haveria ambiente para a realização de eleições no país.

De acordo com Garcia, não há possibilidade de as eleições no próximo domingo, em Honduras, serem realizadas em clima de tranquilidade. “Não transcorrerão em clima de tranquilidade”, afirmou o assessor.

Marco Aurélio Garcia ressaltou que há outros erros na condução da política externa norte-americana, como as discussões sobre as mudanças climáticas. “Os Estados Unidos não estão entregando praticamente nada”, disse ele. “O presidente Obama está enfrentando uma situação interna difícil”, afirmou Garcia, justificando eventuais dificuldades do governo norte-americano.

Porém, Garcia reiterou que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos é boa e não sofre abalos. “Podemos ter uma relação com os Estados Unidos”, afirmou. “A política externa brasileira não é de confronto”, destacou Garcia. Ele lembrou, no entanto, que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, costuma dizer que a falta de atenção do governo norte-americano pode ser percebida tarde demais por Obama.

“Quando os Estados Unidos olharem para a América Latina poderão chegar à conclusão de que estão olhando tarde demais”,afirmou Garcia, repetindo o raciocínio de Amorim. “Isso não é um problema para a América Latina. É um problema para os Estados Unidos.”

Fontes

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