França condecora Bonga

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Agência VOA

Cerimónia aconteceu hoje em Luanda.

10 de dezembro de 2014

O conhecido cantor angolano Barceló de Carvalho Bonga foi homenageado hoje com as insígnias de Cavaleiro na Ordem das Artes e Letras de França pela embaixada daquele país em Luanda, segundo deu a conhecer a representação diplomática gaulesa.

Bonga recebeu a distinção honorifica das mãos do embaixador Jean Claude-Moyret na sua residência oficial na capital angolana, em nome da ministra francesa da Cultura e da Comunicação.

A representação diplomática considera o galardão “uma alta distinção destinada a recompensar as pessoas que se distinguiram pelas suas obras no domínio artístico e literário”. Bonga considera a França como o país que lhe "abriu as portas" e língua em que lançou o primeiro trabalho em 1975.

Com 72 anos de idade, Bonga, nascido no Porto Kipiri, província do Bengo, é considerado embaixador da música angolana.

Já foi galardoado internacionalmente com vários prémios ao nível da música, assim como recebeu discos de ouro e de platina, além de actuar em importantes palcos mundiais.

Em 42 anos de carreira, Bonga tem igual número de discos, sendo “Angola 72” o seu primeiro e “Hora Kota” o último.

Em Angola, foi homenageado em Abril passado pelo Centro Cultural e Recreativo Kilamba, igualmente devido ao seu percurso artístico. Na altura o cantor tinha afirmado que se sentia feliz por um tal reconhecimento demonstrativo de que a sua música movimenta milhões.

Falando a jornalistas à margem da homenagem, Bonga considerou ser essencial que a juventude olhe para o semba, o estilo de música mais consumido no meio urbano angolano, como sendo “uma relíquia no mosaico cultural nacional”, razão pela qual deve merecer uma atenção bastante especial dos músicos.

O seu primeiro álbum, Angola 72, foi lançado na Holanda, em 1972, e nessas músicas canta a revolução e o amor à pátria. É por esta altura que passa a chamar-se Bonga Kuenda, que significa “aquele que vê, aquele que está à frente e em constante movimento”. No ano seguinte actua pela primeira vez nos Estados Unidos e, posteriormente, lança o álbum Angola 74.

Com a Independência de Angola, em 1975, o músico atinge em pleno o estatuto simbólico de embaixador da música angolana. Nessa altura reside em Paris, França, criando aí os laços que ainda hoje mantém com o país.

Os anos 80 marcam o apogeu do seu sucesso internacional. É o primeiro artista africano a actuar a solo, dois dias consecutivos, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa; e é o primeiro africano Disco de Ouro e de Platina em Portugal.

Contudo, a sua popularidade vai muito além do mundo lusófono e actua no Apollo, em Harlem, Nova Iorque, no Olympia de Paris, na Suíça, no Canadá, nas Antilhas e em Macau.

Ao longo da sua carreira tem colaborado com os mais diversos músicos, que cantam o 'semba do Bonga de Angola', como Martinho da Vila, Alcione, Carlinhos Brown e Marisa Monte, do Brasil; Bernard Lavilliers ou Mimi Lorca, de França, entre muitos outros.

A infância de Bonga foi passada em Luanda, em bairros como os Coqueiros, Imgombotas, Bairro Operário, Rangel ou Marçal, onde viveu num ambiente de preservação das músicas e tradições angolanas marginalizadas pelo domínio colonialista.

Por esses locais teve início a criação do seu próprio estilo musical, que veio a afirmar-se dentro e fora do país.

Bonga é, assim, fruto de uma geração combativa, que resistiu à aculturação da sociedade e tentou manter a cultura angolana, numa luta que continua a protagonizar até hoje.

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