Fim das apostilas? Mudanças no ensino paulista viram polêmica

Fonte: Wikinotícias
Seduc-SP não imprimirá mais apostilas do Currículo em Ação a partir de julho de 2023. Possivelmente o fim.

31 de julho de 2023

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram LinkedIn Reddit
Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

 

No estado de São Paulo, o início do terceiro bimestre, em 25 de julho, marcou uma significativa transformação no ensino da rede estadual. As tradicionais apostilas impressas foram retiradas das escolas e substituídas por materiais digitais disponibilizados em formato PDF pelo Centro de Mídias de São Paulo (CMSP). Além disso, as aulas agora são conduzidas através de slides que resumem o conteúdo e propõem atividades para os alunos.

Os materiais digitais englobam diversas áreas do conhecimento, incluindo Ciências Humanas, Linguagens, Ciências da Natureza e Matemática, bem como disciplinas como Arte, Educação Física, Língua Inglesa, Tecnologia e Inovação, e o Projeto de Vida. Adicionalmente, oferecem atividades, perguntas e orientações para os professores.

A digitalização do sistema de ensino trouxe a eliminação da necessidade de impressão das apostilas, o que representava um custo considerável para a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). Entretanto, a decisão de abandonar as apostilas físicas também acarretou no fim dos programas Currículo em Ação e Aprender Sempre, que tinham como objetivo auxiliar os estudantes no desenvolvimento de competências e habilidades previstas no currículo oficial.

A mudança foi embasada em uma pesquisa que revelou que aproximadamente 80 a 90% dos estudantes possuíam acesso à internet. A Secretaria da Educação justificou a digitalização do ensino como uma maneira de modernizar o currículo, tornando-o mais atrativo e conectado com as demandas do século XXI. No entanto, a novidade não foi bem recebida por todos os envolvidos no processo educacional.

Tanto alunos quanto professores têm manifestado dificuldades em se adaptar ao novo método de ensino, que muitos consideram prejudicial à aprendizagem. Uma das principais críticas está relacionada ao fato de que o material digital está disponível apenas para acesso pelos professores, o que impede que os alunos revisem o conteúdo em casa ou recuperem aulas perdidas. Além disso, as atividades propostas pelos slides devem ser feitas exclusivamente na escola, sem a possibilidade de envio online ou impressão.

Outra questão apontada é a extensão e densidade dos slides, que exigem que os professores sigam um roteiro pré-definido, restringindo a autonomia e a criatividade docente. Relatos mencionam a presença de mais de cinco slides em uma única aula, durante um período de 45 a 90 minutos, o que pode afetar o desempenho dos estudantes, deixando-os sobrecarregados e desmotivados pela quantidade excessiva de informação.

Até o momento, não foram encontradas informações sobre mudanças nas escolas da rede municipal. Contudo, é possível que o ensino nessa etapa também tenha sido digitalizado. O impacto das mudanças no sistema educacional paulista ainda será objeto de acompanhamento e discussão, visto que a transição para o ensino digital não tem sido livre de desafios e polêmicas.

Fontes