Ex-soldado americano é acusado de estupro e assassinato

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6 de julho de 2006

Promotores federais americanos acusam um ex-soldado americano que serviu no Iraque de estupro e assassinato de uma jovem com idade estimada em 25 anos, e do assassinato de outros três membros da família: um homem, uma mulher e uma menina presumivelmente de cinco anos.

O americano acusado pela Promotoria é Steven D. Green, 21 anos, ex-soldado primeira-classe designado para o 1o Pelotão, Companhia Bravo, 502 Regimento de Infantaria, Equipe de Combate da 2a Brigada, 101a Divisão Aérea. Não faz muito tempo, Green foi dispensado do Exército sob a alegação de "transtorno de personalidade", depois de ter servido durante 11 meses.

O crime teria ocorrido na cidade de Mahmoudiya, 30 km ao sul de Bagdá, no dia 11 ou 12 de março de 2006, época em que Green era soldado das Forças de Coalização que estão no Iraque.

Uma investigação militar está em curso para apurar o suposto envolvimento de Green e outros três soldados. As identidades e nacionalidades dos soldados suspeitos não foi revelada pelos oficiais.

A prisão de Green foi feita no último dia 30 de junho por agentes federais do FBI. A participação da agência veio depois de um pedido da Divisão de Investigações Criminais de Fort Campbell, Kentucky, que por sua vez atendeu requisição da Divisão de Investigações Criminais de Camp Slayer, no Iraque.

A Divisão de Investigações Criminais no Iraque apura denúncia feita por três desconhecidos iraquianos do sexo masculino que chegaram por volta das 17h30, em 12 de março de 2006, ao Ponto de Controle de Tráfego 1, na saída da cidade de Mahmudiayah e relataram que uma família tinha sido assassinada na própria residência em que morava.

Versão das testemunhas do documento de inquérito

O documento anexado ao inquérito e pedido de prisão do ex-soldado traz o depoimento de 4 das cinco testemunhas (T1, T2, T3, T5), cujas identidades são conhecidas dos investigadores e do juiz.

Testemunho de T1

Em 25 e 28 de junho T1 foi interrogado e explicou que T2, T3, Green, e um outro participante conhecido (P1), todos da mesma companhia 101a Divisão Aérea, trabalhavam no Ponto de Controle de Tráfego 2 em 11-12 março, a cerca de 200 metro da residência onde teria ocorrido o crime. A testemunha T1 disse que eles (T2, T3, Green e P1) conspiraram para estuprar uma mulher e instruíram T1 a monitorar o rádio enquanto entravam na casa.

Antes de deixar o Ponto de Controle de Tráfego e entrar na casa, T2 e P1 trocaram de roupas, com exceção de T3 que continuou com o seu uniforme militar. O grupo levou três rifles M4 calibre 0.223 e uma pistola. Um dos rifles pertencia a T1.

Mais tarde, T2, T3, Green e P1 retornaram com as roupas sujas de sangue e atearam fogo nelas. Então cada um deles contou a T1 que nunca mais dever-se-ia discutir aquilo. T1 lembrou que a família fora morta com um rifle de assaulto AK-47, que já estava dentro da casa.

T1 discutiu o incidente com outra testemunha: T4, em Camp Striker. T4 contou a T1 que ouvira falar sobre o que tinha acontecido e perguntou: "Quem fez isso?" T1 disse para T4: "Todo mundo que estava lá".

Testemunho de T2

Em 26 de junho T2 foi interrogado e explicou que na manhã de 11 de março, Green e P1 falaram sobre estuprar uma mulher. A mulher morava numa casa atrás do Ponto de Controle de Tráfego. Green e P1 já tinham estado anteriormente na casa.

Depois da conversa do estupro, T2, T3, P1 e Green foram até a residência da mulher. T2 lembrou que ele (T2), Green e P1 ingeriram bebida alcoólica antes de ir até a casa. T2 trocou de roupas para que "não pudesse ser visto". Green cobriu o rosto com uma camiseta marrom.

Assim que chegaram à casa, T2 disse que Green foi ao quarto para manter o resto da família lá. P1 jogou a mulher no chão. Depois que Green fechou a porta do quarto, T2 ouviu tiros vindos de lá de dentro. Green em seguida apareceu e disse: "Acabo de matá-los, todos estão mortos". Imediatamente depois disso, T2 testemunhou P1 e Green estuprarem a mulher que T3 havia agora jogado no chão.

Depois do estupro, T2 testemunhou Green atirar na mulher, na cabeça, duas ou três vezes. T2 acredita que Green matou as três pessoas no quarto com um rifle AK-47. De acordo com T2, o AK-47 já estava na casa quando eles chegaram.

Testemunho de T3

Em 27 e em 29 de junho T3 foi interrogado. No seu depoimento de 29 de junho, T3 disse que ele (T3), Green, T2 e P1 ingeriram bebida alcoólica em 11 de março. T3 ouviu P1 e alguém mais falar sobre em ter sexo com uma mulher. Pouco depois, T2 e P1 vestiram roupas pretas.

Depois, T3, Green, T2 e P1 partiram para a casa. Lá, T3 testemunhou Green colocar as pessoas num quarto nos fundos, então fechar a porta. T3 ficou de guarda na porta da frente da casa.

Depois que ouviu tiros vindos do quarto, T3 perguntou a Green se estava tudo bem, tão logo Green saiu do quarto.

Segundo T3, Green e P1 fizeram sexo com a mulher. Depois que Green terminou de fazer sexo com a mulher, T3 testemunhou Green ficar de pé com um rifle AK-47 na mão. Green caminhou em direção à mulher e atirou nela várias vezes.

Depois que voltou ao Ponto de Controle de Tráfego 2, T2 instruiu T3 a livrar-se do AK-47 num canal ao largo da rua e ele fez isso.

T3 forneceu aos investigadores da Divisão de Investigações Criminais um diagrama esquemático onde detalhou a planta da casa e a localização dos corpos.

Testemunho de T5

No dia 26 de junho T5 prestou depoimento. Em 11 de março T5 estava no Posto de Controle de Tráfego 1 quando um adulto iraquiano apareceu.

O iraquiano lembrou que havia uma casa atrás do Posto de Controle de Tráfego 2 que havia sido queimada.

O iraquiano declarou que havia quatro pessoas mortas na casa e que uma mulher havia sido estuprada. Depois de cerca de uma hora, e depois que um grupo de soldados iraquianos já tinham sido enviados até a casa, T5, T2 e outros dois soldados dirigiram-se até o local e observaram a cena do crime.

Fontes