Ex-líder sérvio na Bósnia se recusa responder às acusações que pesam no Tribunal de Haia

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29 de agosto de 2008

Haia, Holanda

O ex-líder sérvio da Bósnia-Herzegóvina, Radovan Karadzic, se recusou a responder hoje, ao juiz no Tribunal de Haia, que está julgando os crimes de guerra na antiga Iugoslávia.

Durante a audiência, ele decidiu não responder nenhuma das 11 acusações de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade. Karadzic nem ao menos quis se defender e alegar inocência. Ele já disse que não reconhece a legitimidade do tribunal, pois o considera um fantoche da Otan.

As violações foram cometidas enquanto ele liderou a presidência sérvia da Bósnia, na Guerra da Bósnia, que durou de 1992 e 1995. Radovan Karadzic é apontado como responsável pelo cerco de 43 meses a Sarajevo (abril de 1992 a novembro de 1995), o massacre de oito mil muçulmanos em Srebrenica em 11 de julho de 1995, que inclui crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio de não-sérvios.

Esta foi a segunda aparição de Karadzic perante o juiz da Corte internacional. A primeira aparição aconteceu no dia 31 de julho, quando apareceu sem barba e cabelos longos. Naquele dia, ele decidiu representar a si mesmo na primeira audiência perante o Tribunal. Ao ser perguntado se contaria com assistência legal, disse ter um "conselheiro invisível". Durante 20 minutos o juiz leu o resumo das 11 acusões que pesam contra ele. Karadzic abriu mão do direito de ouvir as denúncias detalhadas, mas pediu uma cópia do indiciamento refeito pela promotoria, escrito em língua sérvia, e cobrou tempo suficiente para estudar a documentação.

Na audiência, Karadzic reclamou sobre as circunstâncias que o levaram a Haia. Ele foi instruído pelo juiz a seguir o regulamento, e preencher uma moção adequada com as reclamações, para serem então apreciadas. Mas, diante da insistência do acusado, o juiz Alphons Orie permitiu que ele falasse por dois minutos. Nesse tempo, Radovan Karadzic disse ter sido sequestrado por três dias em Belgrado, afirmou que ficou incomunicável e não foi informado de maneira adequada sobre os direitos.

A língua usada pelo juiz foi o inglês, mas o acusado contava com tradução simultânea em sérvio, e havia também um segundo canal, com tradução simultânea em francês. Karadzic optou por não apresentar nenhuma apelação, e vai esperar o prazo regulamentar de 30 dias. O juiz marcou para 29 de agosto a próxima audiência.

No dia 1º de agosto, Karadzic, afirmou ao Tribunal de Haia que "ninguém na Terra acredita na absolvição dele". A declaração está em um documento entregue por ele.

Randovan Karadzic está preso há pouco mais de um mês, em Belgrado, capital da Sérvia, transferido para o Tribunal de Haia no fim de julho, onde está preso em uma cela de 15 metros quadrados. O ex-líder sérvio voltará a se apresentar no tribunal no próximo mês.

Fontes

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