Evento global no Rio apresenta tecnologia como revolução social e pessoal

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8 de outubro de 2014

Brasil

A tecnologia como ferramenta de poder social e pessoal foi a temática da terceira sessão do TEDGlobal, na tarde de hoje (8). O evento internacional, que ocorre desde segunda-feira na orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, reuniu ativistas e empresários dedicados à inclusão digital.

O primeiro palestrante foi o ativista brasileiro Rodrigo Baggio, fundador e presidente do Comitê para Democratização da Informática (CDI), organização que leva tecnologia a comunidades pobres em 800 centros de 12 países. Ele defendeu o que entende por e-topia, a busca da cidadania, igualdade e equidade, por meio do conhecimento e da informação digital.

O jornalista Bruno Torturra abriu a segunda palestra lembrando os efeitos dos gás lacrimogêneo no ser humano. Explicou, por exemplo, como o gás foi decisivo em sua escolha de abandonar um emprego de 11 anos em uma conceituada revista e a criação, com amigos do Mídia Ninja, um coletivo de comunicadores que produz e distribui, pela internet, imagens e matérias de eventos políticos e sociais e assuntos de direitos humanos. A primeira experiência com o gás de efeito moral ocorreu em 2011, durante cobertura de protesto em São Paulo.

“O gás lacrimogênio tem dois efeitos opostos: pode queimar os olhos ou ajudar a abrí-los. No meu caso, ajudou a abrir", declarou. “Na semana seguinte, voltei para reportar uma manifestação, mas como jornalista independente, transmitindo informações ao vivo pela internet. Estava fazendo a mesma coisa que a grande imprensa, mas tudo o que tinha era uma mochila”, salientou.

Torturra lembrou que, nesse dia, mais 90 mil pessoas assistiram o vídeo e centenas enviaram e-mails para saber como fazer transmissão em tempo real. “Acredito que a transmissão ao vivo transforma o espaço cibernético em arena política global. A simplicidade da tecnologia pode unir objetividade e subjetividade. Qualquer um pode ser um comunicador”, observou.

Ativista em telecomunicações, Steve Song defendeu a democratização do espectro para garantir aos mais probres acesso à informação e à comunicação. Song é fundador da empresa Village Telco, que garante conexão de internet e tecnologia de comunicação de baixo custo para regiões pobres da África.

Terceiro palestrante, Syed Karim tem uma empresa de pequenos satélites para transmissão de conteúdo digital livre com wifi em locais isolados ou com internet restrita. Segundo ele, quatro bilhões de pessoas ainda não têm acesso à internet, devido aos altos custos tecnológicos. Karim mostrou como pequenos satélites ajudam a levar informação para áreas pobres do mundo. “O que estamos criando é uma biblioteca pública da humanidade. Imaginem uma biblioteca em uma aldeia, em uma casa, em um mercado. É uma questão de tempo”, assegurou.

Último palestrante, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis apresentou o projeto Andar de Novo, com uso de robôs comandado por paraplégicos. Referência mundial em estudos que integram o cérebro humano com máquinas, Nicolelis afirmou que, em futuro próximo, uma pessoa será capaz de usar o cérebro para se movimentar e se comunicar. “Há três semanas, um grupo de [cientistas] brasileiros demonstraram uma conexão entre dois cérebros humanos”, comentou. “Onde isso vai dar? Não temos ideia. Somos apenas cientistas, pagos para sermos crianças. Vamos até o limite para descobrir o desconhecido”, concluiu.

Fontes[editar]

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