Estudo mostra aumento de óbitos em hospitais do Rio de Janeiro

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15 de julho de 2020

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As mortes na cidade do Rio de Janeiro aumentaram 64% nos meses de abril e maio de 2020, quando comparadas à média nesse mesmo período nos últimos 3 anos. Além disso, uma análise detalhada dos registros mostra um número preocupante: as mortes em hospitais (tanto em unidades de saúde, clínicas e outros estabelecimentos de saúde básica quanto em casa) praticamente dobraram.

Isso pode ser um indicador de que, no início da epidemia, a rede hospitalar da cidade não foi capaz de atender todos os pacientes - não apenas os pacientes do Covid-19, mas também pacientes com outras condições graves.

As conclusões fazem parte da Nota técnica das mortes não assistidas por MonitoraCovid-19 no Rio de Janeiro. Análise do excesso de mortalidade e impacto do Covid-19, produzido por pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict / Fiocruz). Os dados analisados são provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Segundo o estudo, em abril e maio de 2020, a cidade do Rio de Janeiro teve cerca de 7.450 mortes acima da média histórica (2017-2019) no mesmo período do ano, um aumento de 64%. Desse total de mortes em excesso, cerca de 75% foram registradas como causadas pelo Covid-19. Outras mortes podem ter ocorrido devido à falta de assistência a pacientes com doenças crônicas, que encontraram a rede de saúde pública já sobrecarregada devido aos casos do Covid-19.

Os óbitos nos hospitais apresentaram um aumento acentuado: 110% nas unidades de saúde e 95% em casa. Cruzando as causas da morte e os locais onde ocorreram, alguns números dispararam. Por exemplo, as mortes por doenças infecciosas e parasitárias (que incluem Covid-19) cresceram 785% em unidades de saúde (não incluindo hospitais) e 598% em casa. O número total de pessoas que morreram em casa devido a doenças endocrinológicas nutricionais e metabólicas (incluindo diabetes) mais que dobrou em abril e maio deste ano: elas cresceram 109%. O mesmo aumento (109%) foi observado nos óbitos por doenças respiratórias registrados nas unidades de saúde fora dos hospitais no período analisado.

Os pesquisadores também ficaram surpresos com o alto número de mortes sem diagnóstico. Em abril e maio de 2020, foram registrados mil óbitos extras por causa mal definida (sem diagnóstico definitivo), quando comparados aos anos anteriores. De acordo com o epidemiologista da Icict Diego Xavier, que também participou do estudo, “isso destaca falhas nos procedimentos de vigilância epidemiológica e na assistência médica adequada a pacientes crônicos e suspeitos de casos Covid-19”.

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