Escola Politécnica da UFRJ recria emoção em colação de grau virtual

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21 de maio de 2020

Diante a pandemia de COVID-19, Gabriela Leal tornou-se engenheira ambiental pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A cerimônia de formatura da Gabriela, de 24 anos, e seus 57 colegas aconteceu através de um aplicativo.

"Eu estava em casa com meus pais, eu acompanhando pelo computador, com fone de ouvido, e eles, pela TV", lembra Gabriela, que, assim como muitos colegas, chamou os pais para aparecerem no vídeo na chamada final dos formados. "Na hora do juramento, eles me filmaram, e depois a gente comemorou junto na hora que chamaram o nome de cada um", afirmou.

Para Gabriela, o abraço dos demais universitários fez falta: "A emoção foi a mesma. Não deu para descrever. Até alguns colegas, que relataram que estavam desanimados, depois viram que foi tudo igual à colação presencial e ficaram felizes".

Apesar de remota, a cerimônia contou com os tradicionais discursos de oradores e professores homenageados e cumpriu todas as formalidades, como o Hino Nacional, o juramento de cada formando e a imposição do grau. A transmissão durou cerca de uma hora e 40 minutos, e foi assistida por mais de 2,7 mil pessoas.

A diretora Cláudia Morgado disse que a escola precisava cumprir os acontecimentos de praxe: "Foi emocionante, porque vimos que os pais e amigos ficaram muito felizes. Ficamos bastante alegres de ter proporcionado esse momento. E está tudo gravado, para eles terem essa recordação. Foi o que pudemos fazer de mais próximo do que seria [no auditório], para pelo menos nesse momento em que só tivemos notícias ruins, termos um pouco de alegria e esperança".

Cláudia também falou dos desafios no mercado de trabalho diante dessa crise: "Estou há 20 anos na escola, e esse movimento a gente percebe. Quando há um momento de aquecimento da economia, eles fazem de tudo para se formar e aproveitar as oportunidades que estão no mercado. Agora, se o aluno está em um estágio, está conseguindo se manter com sua família, e está vendo que não há emprego e que vai cair numa condição pior, ele desacelera. Isso é natural. Às vezes, a universidade tem mais oportunidades do que do lado de fora".

A professora reconheceu que a engenharia já sofria uma crise antes mesmo da pandemia: "Já estávamos em uma crise econômica muito forte, no caso da engenharia. Já vínhamos em um desinvestimento. Estamos agora percebendo que não tínhamos infraestrutura, não tínhamos respiradores, não tínhamos máscaras, não tínhamos urbanização. E tudo isso que não tínhamos foi o não investimento em engenharia. Ela já estava se ressentindo há muito tempo. Já estava asfixiada, em um nível muito baixo de nosso potencial de produção".

"Vai ser um momento difícil para nós que estamos nos formando agora. Teremos muitos desafios pela frente nesse cenário de pandemia", disse Gabriela.

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