Equipe econômica não está preocupada com possível aumento da taxa de juros pelo Banco Central

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Agência Brasil

14 de março de 2010

Brasil

A possibilidade de aumento da taxa básica de juros, a Selic, neste ano, pelo Banco Central (BC), pode não ser o que espera o Ministério da Fazenda, mas também não gera preocupações na equipe econômica. O assessor da Secretaria de Política Econômica do ministério, José Antônio Pereira de Souza, lembra que as expectativas do mercado financeiro são de alta para a taxa, que o BC usa para controlar a inflação. Nesta semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne para definir a tendência dos juros nos próximos 45 dias.

Segundo pesquisa feita pelo BC com analistas do mercado financeiro, a projeção é fechar 2010 em 11,25% ao ano. “Mesmo se o Banco Central fizer isso, e parece que vai fazer efetivamente, o patamar da taxa de juros vai continuar em um nível historicamente baixo”, disse Souza à Agência Brasil. Para o assessor, o patamar a que pode chegar a taxa é baixo quando se olha o histórico da Selic, mas pode ser considerado alto ao se comparar com outros países.

Mesmo assim, é importante observar que a Selic chegou ao pico de 45% ao ano em março de 1999. Em 2003, início do primeiro mandato do atual governo, ficou em 25,5% ao ano. Atualmente, a taxa básica está em 8,75% ao ano.

“Houve uma queda no patamar dos juros. Então, não vejo preocupação [com a possibilidade de alta de alguns pontos percentuais agora]”, afirmou.

Quanto à preocupação com a inflação e elevação da taxa pelo BC como forma de controle, Souza destaca que o aumento da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) observado no início de 2010 é característico desta época do ano, mas deve se reverter ao longo do período.

“Da maneira como alguns analistas colocam, parece que estamos na porta de uma hiperinflação. Normalmente os índices aumentam devido a fatores sazonais no início do ano”, explicou. Souza disse, ainda, que a indústria tem aumentado a capacidade para atender à demanda por bens e serviços. “Temos espaço para crescer sem ter pressão inflacionária."

Segundo o assessor, o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem sinalizado que uma meta de inflação em torno de 4% não é problemática. “Saímos daquele período em que mirávamos uma inflação muito restrita, de 2%, por exemplo”.

Souza enfatiza, ainda, que os trabalhadores não devem ficar preocupados com a reversão dos ganhos sociais que vieram por conta da política econômica, como a redução da inflação, que permite o planejamento das empresas e famílias.

“De 2003 para cá, o governo manteve aquele tripé de política econômica [política fiscal, monetária e cambial], mas deu inflexão em termos de inclusão social, que se baseou no Bolsa Família, no aumento do salário mínimo real e no crescimento do crédito”, lembrou, argumentando que o Brasil terá o espaço necessário para crescer sem pressão inflacionária.

“Saímos daquele período em que a gente mirava uma inflação muito restrita, de 2%, etc. Não é mais o cenário que temos. Então, não existe risco nenhum. Não existe perigo iminente, porque não existe cenário novo assim.”

Souza argumenta que nos dados divulgados do Produto Interno Bruto (PIB) relativos ao crescimento da economia em 2009, os investimentos vêm crescendo à frente do consumo. Segundo ele, dá para concluir que é um aumento da capacidade produtiva para ser usada posteriormente.

“O Banco Central está em uma posição que, se quiser, se julgar que deve subir os juros, deve se embasar bastante bem. Há um consenso de mercado de que ele vá subir. O Banco Central é muito ciente desta questão do descolamento inflacionário, mas não acho que vai gerar problemas de forma geral para a economia”, disse.

Fontes


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