Encerra o leilão de objetos pessoais dos franceses, o falecido estilista Yves Saint Laurent e o empresário Pierre Bergé

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26 de fevereiro de 2009

Paris, França — Ao final de três dias de leilão, ocorrida entre segunda-feira, dia 22, a quarta-feira, dia 25, a venda da coleção de arte do estilista France Yves Saint Laurent, morto em 1º de junho do ano passado e de seu companheiro, o empresário francês Pierre Bergé, apesar da crise econômica, arrecadou um total de 373,5 milhões de euros, equivalente aos 484,5 milhões de dólares e a 1,1 bilhão de reais.

A quantia representa um recorde no leilão de uma coleção privada. A espetacular coleção que o estilista Yves Saint Laurent e do Pierre Bergé montaram durante 50 anos, cerca de 730 obras de arte, foi desfeita em apenas três dias.

A venda foi realizada no Gran Palais de Paris pela Casa Christie´s e reuniu 733 peças que foram colecionadas ao longo de 50 anos por Saint Laurent, que morreu em junho de 2008, e Bergé, hoje com 78 anos. "Estou muito feliz esta noite. Estou certo de que aqueles que adquiriram todas essas obras de arte vão amá-las", disse o empresário.

Entre as obras, houve recorde no valor pago por uma tela de Henri Matisse. Les Coucous, Tapis Bleu et Rose, uma natureza morta pintada em 1911, foi arrematada por 32 milhões de euros (97,3 milhões de reais).

O "leilão do século", como foi chamado, deu uma idéia do quanto às artes clássica, antiga e moderna continuam bem cotadas como um investimento seguro, consistente e durável.

Quote|Estou muito feliz esta noite. Estou certo de que aqueles que adquiriram as obras de arte vão amá-las.|Pierre Bergé, na quarta-feira}}

O leilão superou todos os recordes de ventas, convertendo-se naquele que mais arrecadou desde 1997, quando a coleção privada de Victor e Sally Ganz atingiu os 163 milhões de euros, com valores atualizados de hoje.

Só na primeira sessão atingiu 206 milhões de euros em vendas e ao segundo dia ultrapassou os 300 milhões, que eram o objetivo fixado.

Uma parte dos lucros reverterá para o apoio ao combate ao vírus VIH/SIDA (Portugal) HIV/AIDS (Brasil).

Leilão

A venda da coleção Saint Laurent-Bergé superou expectativas, estabeleceu novos recordes para alguns artistas e até surpreendeu pelo encalhe de um Picasso, pelo qual ofereceram 21 milhões de euros, menos que os cerca de 30 milhões de euros esperados pelos organizadores.

Porém, o leilão confirmou o peso no mundo das artes de pintores como o francês Henri Matisse (1869-1954), cuja obra "Les coucous, tapis bleu et rose" arrecadou na segunda-feira 35 milhões de euros, ou o romeno Constantin Brancusi (1876-1957), que teve uma escultura em madeira ("Portrait de Madame L.R.") arrematada por 26 milhões de euros.

Piet Mondrian e Giorgio de Chirico, entre os modernos, e Théodore Géricault e Jean-Auguste Ingres, entre os mestres antigos, obtiveram novos recordes, assim como outros artistas menos conhecidos para o grande público mas muito valorizados pelos colecionadores.

Alguns dos artistas da coleção de Saint Laurent chegaram até a inspirá-lo em suas coleções, como Mondrian, Picasso e Léger, reunidos numa seleção de peças cuja homogeneidade e elegância foi elogiada por especialistas.

Na terça-feira, dia 23, o leilão da coleção de mobília surpreendeu a todos quando uma poltrona do designer de origem irlandesa Eileen Gray (1878-1976) chegou aos 21,9 milhões de euros, muito acima dos entre dois milhões e três milhões de euros que a Christie's esperava conseguir.

Porém, emocionante mesmo foi a intensa disputa entre dois colecionadores para ficar com "Belle Haleine-Eau de voilette", um frasco de perfume de 16 centímetros de altura criado em 1921 por Marcel Duchamp (1887-1968) com a colaboração de Man Ray (1890-1976).

Fruto da colaboração de dois artistas que só quiseram provocar, o frasco de perfume, cujo conteúdo evaporou há décadas, foi leiloado por 7,9 milhões de euros.

Polêmica

Na quarta-feira, dia 25, o destaque ficou para duas cabeças de bronzes chineses, do século XVIII, vendidos a 14 milhões de euros cada, de um total de 28 milhões, oferecidos no Grand Palais parasiense, confirmaram o leilão de obras particulares como um dos mais bem-sucedidos dos últimos 12 anos.

As duas peças, uma cabeça de rato e outra de coelho em bronze, foram roubadas por franceses e britânicos em uma invasão ao Palácio de Verão do imperador Quianlong (1735-1795), noroeste de Pequim, em 1860.

“O saque do Palácio de Verão (Yuanmingyuan) por franceses e britânicos permanece na memória dos chineses como um crime imperdoável. Para os franceses, seria como se os prussianos em 1870 tivessem arrasado Versalhes, saqueado o Louvre e incendiado a Biblioteca Nacional”, explica Bernard Brizay, autor do livro sobre esse episódio.

Durante a Segunda Guerra do Ópio, em outubro de 1860, as tropas francesas e britânicas invadiram Pequim, depois da negativa da corte imperial chinês de autorizar a abertura de embaixadas como estabelecia o Tratado de Tianjin, assinado dois anos antes.

Os soldados saquearam o antigo Palácio de Verão e depois o incendiaram em represália pela morte e tortura de reféns ingleses e franceses.

Este palácio era uma maravilha de estilo ocidental, construído com a ajuda dos jesuítas, na zona nordeste da capital chinesa, onde os imperadores se refugiavam do calor de verão insuportável da Cidade Proibida.

O Governo da China denunciou que há um teor político no leilão parisiense e tentou impedir a venda das duas peças, para recuperar as duas figuras por meio jurídico na França, mas a justiça francesa rejeitou o pedido apresentado por advogados chineses.

O estilista francês Saint Laurent comprou as peças há vários anos num venda privada e embora o Governo da China. Antes do leilão, Bergé disse que só vai doá-las à China se as autoridades daquele país se comprometessem a respeitar os Direitos Humanos, conceder a liberdade ao Tibete e permitir o regresso do Dalai Lama.

Na véspera do leilão, dia 24, a China classificou de "ridículo" o pedido de Bergé e denunciou a tentativa de "chantagem política" por parte dele, o companheiro de Saint Laurent.

"Exercer uma chantagem política é prosseguir de fato com a política baseada na força, algo que a História rejeitará", declarou Jiang Kun, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e vice-presidente da Associação Chinesa de Artes Folclóricos.

Wang Qiutong, presidente de uma associação cultural de Hong Kong, declarou à imprensa: "Há 150 anos, incêndio e saque; 150 anos depois, chantagem. O comportamento de Pierre Bergé é pura e simplesmente uma lógica de gangster".

O preço alcançado pelos dois bronzes, vendidos a 14 milhões de euros cada, supera em quatro milhões de euros a cifra estimada de venda pela leiloeira Christie´s, encarregue de por no mercado a coleção privada de Saint Laurent.

Fontes