Em Taiwan, candidatos debatem sobre relação com a China

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10 de março de 2008

Os candidatos às eleições presidenciais em Taiwan trocaram domingo acusações sobre a recuperação econômica da ilha e sobre o relacionamento com o continente chinês no último debate antes da votação, revela nesta segunda-feira a imprensa da ilha nacionalista.

Com o antigo prefeito de Taipé, Ma Ying-jeou, e candidato do partido Kuomintang, a deter nas pesquisas uma grande vantagem sobre o seu opositor do Partido Democrático Progressista (DPP) Frank Hsieh Chang-ting, o debate televisivo foi visto como uma última oportunidade do DPP iniciar uma recuperação para as eleições, em 22 de março, a qual, segundo a imprensa do país, parece cada vez mais difícil.

A estratégia da campanha de Ma Ying-jeou está centrada nos caminhos de revitalização da economia e o candidato utiliza os mesmos argumentos que o seu partido usou para vencer as legislativas de janeiro, quando o Kuomintang conquistou 81 dos 113 lugares do novo parlamento contra apenas 27 do DPP.

Ma Ying-jeou sustenta que o DPP foi o culpado pela desaceleração econômico da ilha nos últimos oito anos, tanto quanto a duração dos dois mandatos presidenciais de Chen Shui-bian, do DPP.

Salientando que a população tinha "grandes expectativas" no DPP, Ma Ying-jeou garante que oito anos depois o "sonho acabou" e o partido "deve um pedido de desculpas à população".

Chen Shui-bian foi eleito presidente em 2000 terminando com um percurso de poder de 51 anos do Kuomintang e conseguiu a reeleição em 2004, em uma campanha que ficou marcada por um incidente em que o presidente foi atingido a tiro e que a oposição considerou uma farsa para conquistar votos.

Ma Ying-jeou quer revitalizar a economia de Taiwan autorizando empresários continentais chineses a investirem no mercado imobiliário da ilha, com uma maior abertura de Taiwan ao turismo chinês e com o lançamento de ligações diretas entre Taiwan e o continente, propostas que sustentam o seu apoio ao reforço das relações com Pequim enquanto que Frank Hsieh Chang-ting é defensor da independência.

Atualmente, as ligações entre Taiwan e o continente chinês são realizadas através de países ou territórios terceiros, sobretudo Hong Kong e Macau e mesmo na época do Ano Novo Lunar, a maior e mais importante festa das famílias chinesas, os vôos diretos autorizados em regime de exceção sobrevoam o espaço aéreo de Hong Kong antes de entrar no continente ou em Taiwan, uma exigência de Taipé que sempre temeu pela segurança interna da ilha.

O candidato do Kuomintang garante também um reforço da procura interna através de investimentos superiores a 83,7 bilhões de euros.

"Também concordo na abertura de vôos charter e na maior flexibilidade para os turistas do continente chinês", disse Frank Hsieh Chang-ting para salientar, contudo, que a "soberania de Taiwan não deverá ser sacrificada".

Frank Hsieh Chang-ting não concorda "em absoluto" é com a proposta do seu rival em criar um mercado comum com o continente chinês e destaca que reconhecer habilitações acadêmicas do continente vai criar problemas no acesso ao mercado de trabalho pelos taiwaneses.

Enquanto Ma Ying-jeou salienta que o mercado comum vai recuperar a economia, Frank Hsieh Chang-ting defende, por sua vez, que vai enfraquecer a soberania de Taiwan.

Na última pesquisa publicada na ilha, Ma Ying-jeou lidera as intenções de voto com 54% enquanto Frank Hsieh Chang-ting tem apenas 28%. Além disso, cerca de 40% dos inquiridos concordam com a proposta de um mercado comum, contra 28% de votos contra.

Ma Ying-jeou promete um crescimento econômico de cerca de 6% com a criação de um mercado comum, contra as atuais previsões de 4,5%.

Além das presidenciais, os taiwaneses votam ainda em 22 de março em um referendo sobre a adesão às Nações Unidas. Taiwan perdeu o seu lugar nas Nações Unidas em 1971 a favor da República Popular da China.


Fontes