Egito apoia mediação brasileira nas negociações de paz no Oriente Médio

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o ministro das Relações Exteriores do Egito, Aboul Gheit, acompanhado do ministro Celso Amorim. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Agência Brasil

30 de julho de 2009

O Egito apoia a participação brasileira nas negociações de paz entre palestinos e israelenses. Hoje as articulações vêm sendo feitas pelo Egito, pela França e pelos Estados Unidos. “O Brasil pode desempenhar um papel nas negociações porque tem potencial política e econômico para isso”, afirmou, no fim da tarde de ontem (29), o ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Ahmed Aboul Gheit, antes de reunião com o chanceler Celso Amorim. Mais cedo, Aboul Gheit esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o ministro egípcio, a capacidade brasileira para integrar os esforços de mediação de paz no Oriente Médio foi comprovada durante o conflito entre Israel e o Líbano, em 2006. Na ocasião, o governo brasileiro enviou ajuda humanitária ao Líbano e foi até o país resgatar brasileiros que lá viviam.

“O Brasil é um país influente nas Nações Unidas e nos foros internacionais”, afirmou Aboul Gheit. “Acredito que o país pode prestar apoio ao processo político para o estabelecimento da paz”, reiterou.

O interesse brasileiro na mediação foi manifestado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chanceler israelense, Avigdor Lieberman, durante sua visita ao Brasil, na semana passada. Israel prontamente aceitou em razão das boas relações do Brasil com o mundo árabe. “O Brasil tem excelentes relações com os sírios e os palestinos e pode contribuir nesse diálogo entre nós e nossos vizinhos”, disse Lieberman na ocasião.

Hoje, tanto Amorim quanto Aboul Gheit ressaltaram o reconhecimento da Palestina como um Estado independente, sem restrições, como pré-condição para avanços nas negociações de paz. Também consideram essencial a concordância de Israel com a proposta de moratória nos assentamentos em território palestino e com a reabertura da passagem para Gaza.

“A posição do Brasil é muito clara. Favorecemos a solução baseada no plano árabe de paz. Dois Estados vivendo lado a lado, o que dará segurança a Israel mas, sobretudo, um Estado palestino economicamente viável, sociologicamente real, não um Estado amputado em nenhuma das características que um Estado tem”, ressaltou Amorim.

O ministro egípcio disse concordar plenamente com a posição brasileira. E lembrou que o Egito, como um dos mediadores, está tentando convencer os israelenses das necessidades palestinas e também buscando conciliar posições dentro da Palestina. Segundo Aboul Gheit, os países árabes estão dispostos a uma reconciliação política com Israel, caso o país se comprometa com “o principal movimento” em direção à paz com os palestinos.

“O mundo árabe está pronto para encorajar Israel a tomar decisões, mas os israelenses não deveriam tentar ganhar ou perder tempo. Eles têm que enfrentar o fato de que estão ocupando o território palestino, negando os direitos palestinos a seu próprio Estado. Israel terá que aceitar o conceito de dois Estados”, afirmou o chanceler egípcio.

Além de tratar da situação no Oriente Médio, Amorim e Aboul Gheit assinaram um acordo de cooperação trilateral em países africanos e outro para cooperação entre as academias diplomáticas dos dois países. Também reafirmaram posições convergentes nas instâncias multilaterais. “Apoiamos ativamente uma maior participação do Egito também em foros internacionais, especificamente no G8 + 5, que na prática se transformou em G8 + 6”, disse Amorim.

O Egito foi incorporado ao grupo composto pelo Brasil, México, pela Índia, China e África do Sul, que anualmente participa como convidado das reuniões do G8 – grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia. “Vemos isso muito positivamente até porque o Egito, além de ser um país árabe e muçulmano, é um país africano, de modo que isso reforça a participação dessas três categorias, todas elas importantes para questões da paz e também da economia no mundo”, afirmou Amorim. Recentemente o Brasil abriu mão de apresentar um candidato para o cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para apoiar de apoiar a indicação do egípcio Farouk Hosni.

O presidente do Hosni Mubarak, deve fazer visita oficial ao Brasil ainda este ano.



Fontes

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