Diretoria da Embraer se reúne com Lula e descarta em rever demissões

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26 de fevereiro de 2009

Brasília, DF, Brasil — O presidente da Embraer, Frederico Curado, descartou ontem reverter as mais de 4 mil demissões anunciadas pela empresa na semana passada. Curado se reuniu com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e com ministros.

Na reunião, a empresa apresentou números mostrando que houve uma redução de 30% nas encomendas de aviões e que a demanda só deverá voltar ao patamar pré-crise em dois a três anos. Ele disse ainda que só depois que as encomendas se normalizarem a empresa poderá voltar a contratar.

"O que causou as demissões está fora do Brasil, de onde vem mais de 90% das nossas encomendas. O restabelecimento das contratações será quando o mercado internacional se recuperar. Não é viável neste momento uma retomada das encomendas", afirmou.

Descartada Novas Demissões

Curado disse que não estão nos planos da empresa novas demissões. Ele ouviu do presidente um apelo para que a Embraer faça algo para minimizar os problemas que os demitidos enfrentarão. Ele disse que a empresa estudará ações nos moldes da anunciada na semana passada, quando a empresa se comprometeu a pagar o plano de saúde dos demitidos e de seus familiares por um ano.

Segundo o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento), o presidente nem chegou a pedir para que a Embraer recontratasse os demitidos porque entendeu que o problema da empresa é relacionado à demanda internacional. Jorge e Curado negaram que Lula tenha sido informado previamente das demissões. "Não houve uma discussão prévia com o governo", disse o empresário.

Jorge disse que o governo não deverá oferecer novas linhas de financiamento à Embraer porque o problema não é a falta de dinheiro, e sim de compradores. Ele disse ainda que o governo não deverá tomar nenhum tipo de medida para beneficiar os demitidos da Embraer.

"O governo não tem o que fazer. Não pode fazer diferentemente com essas pessoas do que foi feito com outros dispensados", completou.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), Adilson dos Santos, e o secretário-geral da Conlutas, Luiz Carlos Prates, foram a Brasília buscar uma solução para o impasse gerado pelas demissões. O encontro não estava previsto na agenda oficial de Lula.

Participam do encontro no Palácio do Planalto o presidente da Embraer, Frederico Curado, o ex-presidente da empresa Maurício Botelho, e o vice-presidente, Horácio Forjaz. Da parte do governo, além de Lula, estão presentes os ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil), Miguel Jorge (Desenvolvimento) e representantes do BNDES.

Histórico

Na semana passada, Lula se mostrou indignado com as demissões ao lembrar que a empresa teve uma capitalização por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e por esse motivo, deveria ter prevenido o governo sobre as demissões.

O desabafo do presidente ocorreu durante a reunião que fez com os ministros da área social do governo, num encontro que durou mais de cinco horas. No mesmo dia, Lula acabou não recebendo os sindicalistas que o aguardavam para conversar sobre as demissões na Embraer.

Lula já Sabia

Apesar da irritação do presidente, reportagem da Folha de S. Paulo afirma que Lula sabia desde o dia 16 de fevereiro que a Embraer anunciaria uma grande demissão no seu quadro de pessoal. Segundo a reportagem, as demissões na Embraer foram antecipadas pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo.

Fontes