Diretora da ANP depõe e oposição diz que governo não quer investigar Petrobras

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27 de novembro de 2014

Brasil

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras ouviu hoje (26) a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Magda Chambriard. Ela foi convidada para falar sobre a segurança nas plataformas de extração de petróleo, e disse que a ANP adota uma política rígida de prevenção de acidentes, após o desastre com a Plataforma P-36.

“Em 2001, os senhores lembram, nós tivemos um evento extremamente chocante, que foi o afundamento da plataforma P-36, no Campo de Roncador. Foi um acidente terrível que matou mais de uma dezena de trabalhadores. Logo no ano seguinte, nós tivemos o adernamento da P-34. Os dois acidentes levaram a ANP a aprimorar a sua regulação", explicou Magda Chambriard.

Ela evitou comentar sobre a pertinência dos inúmeros aumentos de preço feitos no contrato de construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que é um dos focos de investigação da CPMI. Ela disse que não acompanhou a questão de perto, porque a ANP é informada sobre o custo final da refinaria após o fim do projeto.

A oposição considerou o depoimento da diretora da ANP uma manobra da base governista para ganhar tempo. A CPMI deve ser encerrada até 22 de dezembro. O líder do DEM na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS), ressaltou que o depoimento dela terá pouca influência no relatório final. “Seria fantástico ouvir, na finalização de uma CPMI que cumprisse com o seu papel investigatório, as contribuições que a doutora Magda tem a dar. Acho que seria ótimo. Mas, neste momento, desculpe, é de indignação, porque alguém aqui, que está aqui, quer investigar. E é a negação da investigação o depoimento da doutora Magda”, disse.

Lorenzoni voltou a pedir a saída da presidenta da Petrobras, Graça Foster, do cargo. Para ele, Graça Foster mentiu à CPMI quando disse que não teve conhecimento de irregularidades nos contratos da petroleira. O deputado disse ter apresentado hoje uma queixa-crime contra ela no Ministério Público por falso testemunho.

“Hoje de manhã, entreguei ao doutor Marcus Marcelos Goulart, procurador-chefe da Procuradoria da República do Distrito Federal. [A queixa-crime] está protocolada sob o número 41.602, de 2014. A presidente da Petrobras pode muitas coisas, [mas] não pode mentir”, disse. Em nota, a Petrobras informa que ainda não foi notificada, e negou que a presidenta da empresa tenha cometido qualquer crime durante depoimento na CPMI no dia 11 de junho. A CPMI deveria ter ouvido hoje o ex-gerente-geral das obras da Refinaria Abreu e Lima Glauco Colepicolo, mas ele apresentou atestado médico, alegando estar hipertenso.

Fontes

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