Dalai Lama classifica situação no Tibete de genocídio cultural

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Localização do Tibete dentro da China.

17 de março de 2008

O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, chamou de "genocídio cultural" os incidentes que resultaram na morte de dezenas de pessoas na capital do Tibete, Lhasa, nos últimos dias. "De forma intencional ou não, um genocídio cultural está em curso", disse Dalai Lama ontem (16), em entrevista coletiva concedida à imprensa na cidade indiana de Dharamsala, onde vive exilado.

A violência em Lhasa é resultado de manifestações por causa da prisão de monges budistas que realizaram ato em defesa de um levante que ocorreu em 1959, no Tibete, contra o domínio chinês. Os protestos começaram no dia 10 e continuaram ao longo da última semana, com greves de fome e tentativas de suicídio de monges tibetanos. As manifestações foram reprimidas pelo exército chinês.

Sábado (15), centenas de tibetanos protestaram contra a violência em frente à sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Com bandeiras do Tibete e velas, os tibetanos no exílio gritaram palavras como “genocídio”, “direitos do homem no Tibete”, “A China é culpada” e “Vergonha para a ONU”. Alguns militantes agitavam faixas com frases como “A China fora do Tibete, “A China matou mais de 100 tibetanos esta tarde” ou ainda “Parem de matar os tibetanos”.

Também ontem, o parlamento do Tibete no exílio pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) que investigue com urgência os atos de violência. O governo tibetano no exílio, estabelecido na cidade de Dharamsala, alega ter "relatórios com informações não confirmadas provenientes do Tibete" que apontam a morte de cerca de 100 pessoas nos conflitos de sexta-feira. Oficialmente, as autoridades chinesas confirmam 10 vítimas.

Neste domingo, o mestre tibetano pediu ajuda internacional. "Por favor, se isso for possível, abram um inquérito e que um organismo internacional investigue sobre a situação no Tibete", defendeu Dalai Lama, segundo a Agência Lusa.

O líder espiritual – vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1989 – também denunciou o “regime de terror” imposto pela China comunista ao Tibete, mas deixou claro que não apóia o boicote às Olimpíadas de Pequim, que acontecem em agosto deste ano. "Desejo estes jogos, o povo chinês precisa se sentir confiante, a China merece acolher os jogos Olímpicos", afirmou.


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