Covid-19: nos EUA, a vacinação tem seguido a rota do dinheiro

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25 de fevereiro de 2021

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Por Brasil de Fato

Segundo apurou a agência STAT News, especializada em assuntos médicos, a vacinação [contra covid-19] em território estadunidense acontece de forma desigual entre ricos e pobres. Na Califórnia, o estado mais rico e populoso do país, habitantes de regiões com maior poder aquisitivo são imunizados em uma taxa 56% maior.

O padrão se repete em todas as áreas dos Estados Unidos, mas isso não é nenhuma surpresa para a médica e professora Renuka Tipirneni, da Universidade de Michigan. "O CEP de uma pessoa é mais determinante para sua saúde do que fatores genéticos e foi preciso uma pandemia para trazer a seriedade dessa questão à tona", afirma.

A explicação para isso está nos "fatores sociais determinantes da saúde", que Tipirneni descreve como sendo o lugar onde um indivíduo nasce, cresce, trabalha e se diverte. "Todo mundo nasce inserido em um contexto social, que vai definir seu acesso a educação, oportunidades, alimentação saudável e tantos outros fatores que impactam em sua saúde física e emocional", afirma. "Então, quando eu vejo alguém no hospital, eu penso: 'eles vieram com essas condições, mas onde isso realmente começou?'".

Ponderando todas essas variantes, a médica defende uma estratégia para a vacinação que leve em conta fatores de vulnerabilidade social. "Temos dados que comprovam que a taxa de infecção, hospitalização e mortalidade por covid é maior em áreas mais pobres, e acredito que essas informações têm que ser usadas para estruturar uma campanha de imunização adequada. São justamente essas áreas mais carentes que precisam de uma melhor distribuição da vacina", diz.

Para o economista Antonio Trujillo, especialista em saúde pública e professor da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, o esforço deve vir de todos os lados. "É preciso pensar na vacina, claro, mas também na infraestrutura, na equipe técnica e em tudo o que envolve a campanha de vacinação. Não se pode esperar que um posto seja montado em uma cidade interiorana, se o acesso àquele ponto, pela população local, é dificultado por outros fatores, como falta de transporte ou desafios geográficos", diz.

Trujillo lembra ainda que o esforço para colocar fim à pandemia tem de ser global. "Isolamento, agora, não é a solução. Não se pode 'curar' um único país, porque as pessoas vão viajar, vão se movimentar", explica. "Por isso, se eu puder deixar uma mensagem em alto e bom som, seria a de que países ricos precisam ajudar as nações mais pobres e acelerar a campanha de vacinação nesses territórios. Precisamos de globalização aqui".

De acordo com o Dr. Anthony Fauci, médico imunologista responsável por coordenar a resposta estadunidense ao novo coronavírus, para se atingir a tão sonhada imunidade de rebanho pela vacinação, seria preciso administrar doses em cerca de 80% da população.

Levando em conta esse dado, a Bloomberg calculou que, se mantivermos o ritmo atual, conseguiremos apenas chegar à imunização global em sete anos. Parte dessa demora tem a ver com uma estratégia egoísta colocada em prática por países mais ricos.

O Canadá, por exemplo, assegurou mais doses per capita do que qualquer outra nação do mundo. Segundo o Washington Post, há até 9 doses de vacina por habitante canadense.

Israel, o país mais avançado na campanha de vacinação, está sendo acusado de promover um "apartheid imunológico" ao recusar administrar doses em cidadãos palestinos.

Para tentar equilibrar o sistema global e garantir vacinação a todos, a Organização Mundial da Saúde e outras organizações não-governamentais estruturaram a Covax, uma iniciativa que visa distribuir as vacinas de forma igualitária. O primeiro país beneficiado pela medida foi Gana, que recebeu na última terça-feira, 23 de fevereiro, 600 mil doses da AstraZeneca.

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