Covid-19: África chega a 100 mil mortes

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18 de fevereiro de 2021

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O Continente Africano chegou hoje a 100.015 mortes por covid-19, ultrapassando a barreira dos 100 mil óbitos por Sars-Cov-2 e, com este número, segundo o Worldometer, está atrás apenas da Oceania, que tem pouco mais cerca de 1.080 fatalidades.

Os três países africanos com mais mortes são, respectivamente, África do Sul (48.478), Egito (10.150) e Marrocos (8.524).

A OMS-África já havia anunciado no passado dia 11 que o continente chegaria a 100 mil mortos pela doença nos próximos dias, enfatizando que 22.300 mortes haviam sido reportadas apenas nos 28 dias anteriores.

Caso de sucesso ou de subnotificações?

Apesar da recente preocupação da OMS-África, as poucas mortes no continente poderiam se um caso de sucesso, não fosse um pequeno detalhe: as subnotificações, situação que já preocupava as autoridades de saúde mundiais em março de 2020, quando a pandemia começou a piorar no mundo todo, mas que não mereceu qualquer menção da OMS, OMS-África e da União Africana nos últimos meses.

O caso da Tanzânia ilustra bem a “maquiagem” nos dados da pandemia na África. Neste país, especificamente, o governo decretou a extinção da doença em abril do ano passado, creditando o sucesso a Deus, e desde então nenhum dado sobre a covid-19 no país foi divulgado. Dias atrás, não satisfeito, o presidente John Magufuli atacou as vacinas covid-19. Num discurso na TV ele disse: "Temos que ser muito prudentes com estas vacinas importadas. Se esta gente foi capaz de descobrir vacinas contra o coronavírus, também deveria haver outras para a malária, o câncer, a tuberculose e o HIV. Estas vacinas são perigosas para a nossa saúde e o Ministério da Saúde não deveria se precipitar”.

Outro fato que prova que o continente pode estar muito longe de ser um caso de sucesso é o apelo crescente da OMS para que os países mais pobres tenham acesso a vacinas covid-19 de modo equitativo. Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização, chegou a pedir que os países ricos dividissem as vacinas compradas com os mais pobres.

A baixa testagem ainda foi apontada hoje à Reuters pela Professora Francisca Mutapi Universidade de Edimburgo como um dos problemas para a apresentação de números mais confiáveis pelos países africanos.

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