Concordata da matriz não afetou GM no Brasil, afirma presidente; Sindicato quer garantia de que não haverá demissões na GM

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Agência Brasil

2 de junho de 2009

Brasil

O anúncio dos problemas financeiros e do pedido de concordata na matriz da General Motors (GM), nos Estados Unidos, não afetou a imagem da montadora no Brasil. A afirmação é do presidente da GM no Brasil, Jaime Ardila, que baseia sua posição no número de unidades comercializadas pela montadora em maio, que chegou a 47,8 mil, 17% acima do resultado de abril e 2% superior ao de maio do ano passado.

Para Ardila, as vendas “refletem uma situação totalmente normal” e demonstram que o consumidor brasileiro não perdeu confiança na marca. Ele ressaltou que “o mercado está muito aquecido” e que a situação deve melhorar neste mês, último com redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros novos.

Devido às boas expectativas para o futuro, Ardila descartou o fechamento de fábricas ou a redução dos níveis de produção. Segundo ele, a empresa não cogita retirar modelos de linha e deve realizar lançamentos de novos carros nos próximos meses. Estão previstos US$ 1,5 bilhão em investimentos até 2012, referentes ao total de US$ 2,5 bilhões planejados em 2007. A empresa teve, no ano passado, receita líquida de R$ 17 bilhões.

De acordo com Ardila, não deve haver demissões até junho, devido ao acordo que possibilitou a redução do IPI. Ele ressaltou que também não estão previstas contratações. “Não consideramos mudar o nível de emprego”, disse Ardila. Ele destacou, no entanto, que futuras decisões sobre o quadro de funcionários - atualmente são 21 mil - vão “depender do mercado”.

O executivo explicou que a principal alteração com a concordata é a mudança de “dono”. Após a operação de reestruturação da GM ser aprovada pelas autoridades dos Estados Unidos, e consolidada, o governo norte-americano terá 60% do controle acionário da nova empresa. Por sua vez, a GM do Brasil será um dos ativos incorporados pela nova empresa.

Na avaliação de Ardila, a operação deve dar mais independência financeira à empresa brasileira. Segundo ele, a GM do Brasil não deverá receber ajuda da matriz ou socorrê-la nos próximos anos. Entretanto, isso não é problema, porque a empresa tem capital para se manter por pelo menos cinco anos, ressaltou.

Quanto ao desenvolvimento de novos produtos, Ardila garantiu que o centro de tecnologia do Brasil é capaz de suprir a demanda da empresa. “Temos um centro tecnológico que é, sem dúvida, o mais avançado da América Latina, com mais de 1.200 engenheiros e de 200 designers que desenvolvem todos os nossos produtos”, destacou. Ardila também garantiu que não haverá problemas no fornecimento de peças de reposição.

Sindicato

A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos deverá se reunir amanhã (3) pela manhã com representantes da General Motors (GM) do Brasil para pedir garantia dos empregos dos trabalhadores da empresa. Segundo o presidente do sindicato, Vivaldo Moreira, uma parte dos trabalhadores está preocupada com as possíveis repercussões da concordata da matriz nos Estados Unidos.

Para Moreira, as declarações dadas à imprensa, de que a empresa não pretende demitir, não são suficientes para que os trabalhadores tenham segurança dos empregos. “Se eles [a GM] estão dizendo que não vai acontecer nada, nós queremos uma garantia disso, em um documento assinado”, disse.

De acordo com o presidente do sindicato, a GM ainda não informou oficialmente aos funcionários como ficará a situação após a reestruturação da matriz.

O processo de concordata da General Motors Company, matriz da GM brasileira, foi anunciado ontem (1º), nos Estados Unidos. A operação deverá saldar a maior parte das dívidas da empresa, que passava por dificuldades financeiras, e passar 60% do controle acionário da companhia para o governo norte-americano.

Fontes