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Chuvas no Nordeste do Brasil deixam várias vítimas e muitos prejuízos

Fonte: Wikinotícias

Agência Brasil

Brasil • 23 de junho de 2010

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A forte chuva que atinge os estados de Alagoas e Pernambuco desde o dia 16 superam o volume esperado para todo o mês de junho na região. Na capital alagoana, a expectativa era que chovesse 298,3 milímetros (mm) durante todo o mês, mas até ontem (22) foram registrados de 470,2 mm. Em Recife, choveu 456,7 mm até a manhã de hoje (23), enquanto eram esperados 388,9 mm em todo o mês.

Nos município pernambucano de Surubim, o volume chegou a 216,5 mm, superior ao previsto (106 mm). Em Guaranhuns (PE), foram registrados 222,4 mm, enquanto eram esperados 39,2 mm. No município de Palmeiras dos Índios, no interior de Alagoas, choveu 257,3 mm, quase o dobro do índice médio de 132,7mm para junho. Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Recife.

As chuvas mais fortes foram registradas entre os dias 16 e 18 deste mês. A tendência é que elas diminuam nos próximos dias, segundo o meteorologista Gustavo Escobar, do Centro de Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “O tempo continua instável, mas a intensidade das precipitações diminui. Desde sexta-feira não há chuvas fortes, e pelo menos nos três próximos dias o tempo deve continuar assim em toda a região entre Sergipe e Paraíba”, afirma.

O meteorologista Wilibaldo Lopes, do Inmet, reforça: “Até agosto podemos ter precipitações significativas, mas nada dessa magnitude”. Segundo ele, o aumento do volume de chuvas é normal nesta época do ano, com incidência maior em junho e julho. Em 2005, por exemplo, choveu 708,8 mm só em Recife. O que é atípico em 2010 é que as chuvas avançaram mais do que o esperado. “Sempre há um aumento de umidade vinda do Oceano Atlântico e que atinge o litoral, mas neste ano o volume de nuvens foi muito grande e chegou até o Agreste”, explica.

Pernambuco cria comitê de crise e fundo emergencial para municípios prejudicados pelas chuvas

O governo de Pernambuco instituiu esta semana um comitê de crise, formado por representantes de secretarias estaduais e municipais, para definir as estratégicas de ajuda aos municípios atingidos pelas chuvas.

De acordo com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o comitê possui postos de comando em três municípios atingidos – Palmares, Barreiros e Água Preta. “São nossos coordenadores em cada município. Essa sala de controle vai dialogar com o governo federal”, afirmou.

Ontem (22), o governo do estado liberou R$ 50 milhões para as ações iniciais. “Liberamos recursos do estado para começarmos a tomar as providências de limpeza, de comprar comida, de comprar colchões, de garantir água potável. Os primeiros recursos devem ser liberados até sexta. Nesse primeiro plano que nós apresentamos foram R$ 25 milhões em assistência”, afirmou Campos.

O governador também enviou ontem à Assembleia Legislativa um projeto de lei que trata da criação do Fundo Especial de Combate às Situações de Emergência e Calamidade, para diminuir a burocracia no repasse dos recursos. “Com a criação do fundo estadual teremos um acompanhamento claro, transparente e, ao mesmo tempo, ter eficiência no trabalho. Até a semana que vem [o fundo] deve estar pronto”, assegurou o governador.

Ele destacou ainda que a prioridade neste momento é religar a energia elétrica, restabelecer o abastecimento de água e promover uma operação limpeza nas cidades. A operação de reconstrução dos municípios só deve começar depois do atendimento à população. “Reconstruir é muito mais complexo que construir, nós estamos falando, numa primeira estimativa, de 6 mil casas. Muitas não poderão ser construídas nos mesmos locais. As equipes [da Defesa Civil] estão fechando áreas que serão desapropriadas nesses municípios para a realocação dessas habitações”, garantiu.

Chuva: Jobim sobrevoa cidades pernambucanas e diz que só viu situação parecida no Haiti

Depois de sobrevoar municípios de Pernambuco arrasados pela chuva, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje (23) que só viu situação semelhante no Haiti, devastado por um terremoto em janeiro deste ano. Segundo o ministro, será necessário coordenar as estratégias para evitar problemas posteriores, como a má distribuição de donativos e o atraso das obras de reconstrução.

Houve uma precipitação de água inacreditável em termos de derrubada de pontes, casas, principalmente perto do rio. Temos de intensificar as ações e supervisioná-las. O que temos de fazer neste momento é trabalhar na administração da solidariedade.

—Nelson Jobim

Hoje (23), o ministro e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sobrevoaram vários municípios da região. Eles estiveram nos dois mais atingidos, Palmares e Barreiros, para observar os estragos provocados. Seis cidades alagoanas foram sobrevoadas ontem (22) por Jobim, pelo governador do estado, Teotônio Vilela Filho, e pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes.

A chuva destruiu áreas inteiras e deixou milhares de desabrigados. O governo federal estabeleceu um plano de metas para ajudar no suporte às vítimas e na reconstrução das cidades. De acordo com Jobim, a prioridade no momento é o atendimento à população. Para isso, o Ministério da Defesa e o Exército montaram um esquema de logística. Cerca de mil militares já estão trabalhando em Pernambuco e, pouco mais de 300, em Alagoas.

Primeiro, devemos rastrear os locais indicados para localizar os desaparecidos. O próximo passo é a remoção das pessoas isoladas. Para isso, devem ser preparadas habitações provisórias, como espaços coletivos e barracas, com distribuição de alimentos de consumo imediato. Vamos colocar à disposição toda a estrutura de logística e de trabalho das Forças Armadas. O problema não é a quantidade [de militares], mas ter uma grande estrutura de coordenação nos níveis estaduais, municipais e federal.

—Jobim

Além do amparo à população, as Forças Armadas auxiliam na reconstrução da infraestrutura das cidades. Duas pontes portáteis já foram enviadas, uma de 60 metros para Alagoas e outra de 30 metros para Pernambuco.

De acordo com o major-brigadeiro Hélio Paes de Barros Júnior, um hospital de campanha do Exército chegou ontem a Recife e foi instalado no município de Barreiros, um dos mais afetados. “O hospital começou a funcionar hoje com uma perspectiva de 400 atendimentos diários e nós esperamos que a população da região seja mais bem atendida. Contamos com 40 profissionais de saúde”, disse.

Ontem (22), o governo federal liberou R$ 100 milhões para Alagoas e Pernambuco. Metade desse valor já foi encaminhada aos estados para os primeiros atendimentos à população. O resto será enviado quando a Casa Civil receber o relatório com os estragos.

Jobim reúne-se com prefeitos de municípios pernambucanos destruídos pela chuva

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, visitaram o município de Palmares, para avaliar os estragos provocados pela chuva da semana passada.

Eles se reúnem com o prefeito da cidade, José Bartolomeu de Oliveira Neto, e o do município de Catende, Otacílio Cordeiro.

Depois da reunião, Jobim deve percorrer os locais mais atingidos pela enchente. Ele já sobrevoou a cidade e pôde ver as áreas mais danificadas, principalmente a região ribeirinha e o centro.

Segundo a Defesa Civil, o Rio Una subiu 9 metros no período mais crítico. Agora, a água já baixou, mas há muita lama, entulho, casas comprometidas e pontes destruídas. As pessoas que perderam as casas estão em abrigos provisórios, onde conseguem água, energia elétrica e comida, mas a cidade continua sem abastecimento de água e de eletricidade.

Segundo o secretário municipal de Educação, Flávio Miranda, as férias escolares serão antecipadas, já que muitas escolas estão recebendo desabrigados. Segundo ele, o ano letivo só deve ser concluído em 2011.

Prejuízo para setor sucroalcooleiro deve passar de R$ 100 milhões no Nordeste

Os prejuízos para a cadeia produtiva do açúcar e álcool no Nordeste podem passar de R$ 100 milhões, devido às chuvas. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Pernambuco, Renato Cunha, que enfatizou a destruição das lavouras e também das estradas que servem ao transporte da cana-de-açúcar até às usinas.

De acordo com Cunha, a expectativa para este ano era que o Nordeste esmagasse cerca de 63 milhões de toneladas de cana. Após as chuvas, que deixaram parte das lavouras submersas, a expectativa é que a região faça a moagem de cerca de 59 milhões de toneladas. Além de moer menos, o Nordeste deverá atrasar em pelo menos um mês o início do processamento da cana, que deveria ocorrer em agosto.

“Sendo otimista, acredito que vamos esmagar cerca de 59 milhões de toneladas de cana”, lamentou Cunha. A expectativa nacional é moer neste ano 590 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Além do volume menor, outro fator preocupa os usineiros nordestinos. As lavouras mais próximas ao litoral, plantadas em região de várzea, ficaram submersas, o que resultou na alteração do nível de sacarose do produto. “A sacarose é a riqueza da cana-de-açúcar. Submersa, a planta não respira e seu nível de sacarose cai muito”, explicou.

As cheias dos {{W|Rio Mundaú|rios Mundaú}] e Canhoto atingiram usinas e canaviais na Zona da Mata alagoana. Nas áreas montanhosas, onde a chuva não provocou alagamentos, o problema se concentra nas estradas e na manutenção dos empregos. Por se dar em terrenos mais acidentados, a monocultura da cana no Nordeste acaba contando com um nível de mecanização menor que as lavouras do Centro-Sul do país e, com isso, emprega proporcionalmente mais pessoas.

Enquanto o Centro-sul, onde a cultura ocorre em áreas planas, emprega em média 0,8 trabalhador para cada mil toneladas de cana, a Zona da Mata nordestina emprega 5,8 homens a cada mil toneladas. Segundo dados do sindicato, enquanto a participação do Nordeste na produção nacional de cana-de-açúcar varia entre 11% e 12%, a participação no número de empregos gerados pelo cultivo da cana em todo país é de 33%.

Além dos empregos gerados pelo cultivo, pequenos produtores rurais que vendem cana-de-açúcar para as indústrias também tiveram suas plantações destruídas. Em todo estado de Pernambuco, 12 mil pequenos proprietários se dedicam ao cultivo da cana.

Pernambuco e Alagoas já contam 44 mortos devido aos alagamentos – 29 em Alagoas e 15 em Pernambuco. Em Alagoas, 64.515 pessoas tiveram de deixar suas casas, 17 municípios decretaram estado de emergência e 15, calamidade pública. Em Pernambuco, os temporais obrigaram mais de 40 mil pessoas a deixar suas residências. Nove cidades pernambucanas decretaram situação de calamidade pública e 30 encontram-se em situação de emergência.

Fontes