Chuvas castigam a região serrana do Rio de Janeiro

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Localização das quatro cidades do Rio de Janeiro atingidas pela chuva em 2011.

Agência Brasil

14 de janeiro de 2011

Com as chuvas constantes dos últimos dias na Região Serrana do Rio de Janeiro, ocorreram muitos deslizamentos de terra, provocando mortes e destruição em várias cidades. Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e Teresópolis são as cidades mais atingidas. Este já é considerado o maior desastre natural em número de óbitos da história do Brasil, o número de mortes confirmadas pela Defesa Civil devido às chuvas na região serrana do Rio já supera 500, depois de três dias de resgate. Segundo as autoridades, o número deve ser ainda maior porque há locais que foram bastante atingidos e que permanecem praticamente ilhados, sem acesso pelas equipes de resgate.

Durante a madrugada de hoje (14), o trabalho de buscas foi mantido apenas em Nova Friburgo. Nos municípios de Teresópolis e Petrópolis as buscas foram interrompidas por causa da falta de iluminação e devido à chuva que caiu durante a madrugada, mas os serviços já foram retomados no início da manhã de hoje. Alguns bairros desses municípios continuam sem luz e sem água e boa parte do comércio permanece de portas fechadas.

Casa destruída na cidade de Nova Friburgo.Foto:Agência Brasil

Uma equipe de cerca de 250 garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) segue para Friburgo para ajudar na limpeza da cidade. Também estão sendo enviados para a região carros-pipa e pás mecânicas.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, vai sobrevoar a cidade de Teresópolis agora de manhã e, em seguida, visitará o município, onde percorrerá os bairros Caleme e Posse e irá ao Ginásio Pedrão, onde estão desabrigados e desalojados. À tarde, Cabral sobrevoa o município de Petrópolis e depois pousará no distrito de Itaipava, onde percorrerá os bairros Vale do Cuiabá e Benfica.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a chuva poderá voltar a atingir as cidades da região serrana nesta sexta-feira. O governo do estado informou que cerca de 10 mil pessoas foram atingidas pela tragédia.

O número de mortes não para de subir no município de Teresópolis e chegava a 223 na última totalização, ontem (13) à noite. Os desabrigados são 1.200 e os desalojados, 1.300.

Em Teresópolis, em decorrência das fortes chuvas o rio subiu rapidamente durante a madrugada, destruindo as casas em sua margem (Foto:Vladimir Platonow/ABr)

O número de mortos, no entanto, deve subir ainda mais ao longo do dia, na medida em que as estradas forem desobstruídas, dando acesso às equipes de resgate. Em determinadas regiões dos bairros da Posse, do Caleme e de Campo Grande só é possível chegar com o uso de helicópteros, o que torna as operações mais demoradas, pois a capacidade de transporte das aeronaves é reduzida.

O diretor de Polícia Especializada, Ronaldo Oliveira, está coordenando pessoalmente o trabalho de busca e resgate aéreo na região. A base operacional é na Granja Comari, local de treino da Seleção Brasileira, de onde partem as duas aeronaves da Polícia Civil usadas nas missões.

Oliveira explicou que o objetivo é levar até cinco bombeiros de cada vez a locais afastados e isolados onde possa haver sobreviventes. O grupo é deixado em terra e passa a vasculhar o lugar. “Quando é encontrada uma vítima com vida, ela pode tanto ser içada por um puçá [rede] ou mesmo ser colocada dentro do helicóptero, que se aproxima ao máximo do solo”, acrescentou.

Quando chegam em terra, os sobreviventes recebem a atenção de equipes médicas coordenadas pela secretária municipal de Saúde, Solange Cirico. Por conta do uso contínuo de materiais médicos, está sendo solicitada a doação de seringas, agulhas, luvas, álcool, gaze e ataduras tipo crepom. Também são necessárias vacinas antitetânica e contra a hepatite A, além de colchonetes para acomodar o grande número de doentes, que chegam com cortes profundos, hematomas e ossos quebrados.

Áreas atingidas pelas chuvas, no município de Nova Friburgo, região serrana fluminense (Foto:Valter Campanato/ABr)

A Secretaria de Saúde divulgou comunicado alertando a população para se prevenir de doenças típicas de épocas de enchentes, como hepatite, leptospirose e diarréia, provocada pela ingestão de água contaminada. Outro alerta é sobre o aumento da incidência de picadas por animais venenosos como aranhas, escorpiões e cobras, que têm suas tocas invadidas pela água e buscam se abrigar próximos às residências.

“O que nos está angustiando são as próximas horas e dias, pois há previsão de mais chuva. O problema não se resume aos municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis. Envolve também Areal, São José do Vale do Rio Preto e Sumidouro. Há áreas ainda com risco de desabamento, com queda de barreiras e com índice pluviométrico com previsão elevada", afirmou o governador Sergio Cabral, com base em informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O governador falou sobre a tragédia no estado depois de sobrevoar a região serrana com a presidenta Dilma Rousseff. Segundo ele, o governo do Rio está negociando com o Banco Mundial um empréstimo de R$ 1 bilhão para o projeto Morar Seguro. “Há quatro meses, estamos negociando o empréstimo com o Banco Mundial. O programa tem o objetivo de retirar a população carente das áreas de risco.

Dilma disse que o governo federal vai apressar a liberação de verbas para socorrer os municípios mais castigados pela enxurrada na região serrana. Segundo ela, em caso de calamidade, a União pode antecipar em até 50% o repasse de recursos para os municípios.

Desabrigados que perderam suas casas foram levados para o ginásio de esportes da cidade, onde recebem agasalhos, colchonetes e alimentação (Foto:Vladimir Platonow/ABr)

“O governo federal consegue acelerar o repasse, mas permanece a obrigação legal de prestação de contas [pelos municípios]”, afirmou a presidenta, em sua primeira visita oficial ao estado depois de tomar posse. Por duas horas, ela sobrevoou os municípios afetados pela chuva. Em Nova Friburgo, o mais castigo pela tragédia, a presidente caminhou por algumas ruas. “É de fato um momento muito dramático. As cenas são muito fortes. É visível o sofrimento das pessoas, o risco é muito grande.”

A presidenta concedeu entrevista coletiva depois de se reunir, no Palácio Guanabara, com o governador Sérgio Cabral, ministros e autoridades estaduais. Durante o encontro, eles discutiram uma estratégia conjunta entre a União, o governo do estado e os municípios afetados pelas fortes chuvas para socorrer as vítimas da tragédia.

Dilma anunciou total apoio aos municípios da região serrana. Segundo ela, o governo federal está ajudando o estado no socorro às vítimas e também vai colaborar na reconstrução das áreas destruídas pela enxurrada. A União, acrescentou a presidenta, antecipará o pagamento do Bolsa Família e do aluguel social às famílias atingidas pela tragédia.

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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A presidente reforçou a necessidade de o país investir mais em prevenção a tragédias ambientais. “A prevenção não é uma questão de defesa civil apenas. A prevenção é uma questão de saneamento, drenagem e política habitacional de governos que se comprometem com a qualidade de vida da população.” Dilma disse que o governo federal vai fazer, em parceria com os municípios e estados, uma política de saneamento e de habitação.


Fontes

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