Chuva volta a castigar Região Serrana do Rio de Janeiro e provoca cinco mortes

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Agência Brasil

7 de abril de 2012

Teresópolis, RJ, Brasil — Pouco mais de um ano depois da tragédia que atingiu cidades da Região Serrana do estado, matando cerca de mil pessoas e deixando centenas de desaparecidos, as chuvas voltam a castigar as cidades de Nova Friburgo e Teresópolis. Neste município, pelo menos cinco pessoas morreram e cerca de mil estão desabrigadas. Elas foram deslocadas para alojamentos disponibilizados pela prefeitura.

Chuva

Segundo a Defesa Civil do estado, em pouco mais de quatro horas choveu na região serrana o que se esperava para todo o mês. Em consequência, segundo o Inea, todos os rios da região serrana estão em estágio de atenção. As fortes chuvas, que duraram cerca de quatro horas, começaram no final da tarde de ontem (6) e se estenderam durante parte da noite. A chuva só deu uma trégua por volta das 23h de ontem.

Por medida de segurança, a concessionária que administra a Rio-Teresópolis fechou o trecho da serra, entre o km 89 e o km 104, por volta das 19 horas de ontem e só o reabriu às 23h30.

Na RJ-142, um pequeno deslizamento de terra na estrada que liga os distritos de Mury a Lumiar levou à interdição parcial da rodovia e os motoristas devem dirigir com a atenção redobrada. Houve queda de única árvore. A via ficou liberada em meia pista para que os homens do 6º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM) pudessem retirar a lama e permitir a passagem de veículos.

Durante o período crítico, a Defesa Civil chegou a registrar mais de 50 ocorrências, principalmente em razão de deslizamento de terra.

Em alguns bairros de Teresópolis, após a tempestade, aconteceu a falta energia elétrica, já antes da madrugada.

Dia seguinte

O dia amanheceu nublado na região, o que levou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) a divulgar boletim colocando os municípios de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo em estado de vigilância, assim como Macaé e todas as cidades localizadas no norte e noroeste do estado.

Com a melhora no tempo na região serrana do estado, a cidade de Teresópolis tenta voltar à normalidade e retomar a rotina. Ainda há muita lama pelas ruas, mas aos poucos os moradores temporariamente desalojados pelas chuvas por moraram em áreas consideradas de risco pela Defesa Civil já começam a retornar para suas residências.

Em alguns bairros de Teresópolis, após estarem sem energia elétrica, a concessionária Ampla aumentou o efetivo para normalizar o atendimento e restabelecer a rede, que em alguns pontos foi afetada pela queda de árvores e barreiras.

Na tarde, faz sol em praticamente toda a região serrana do estado, o que permite que, aos poucos, a cidade Teresópolis retome a rotina.

Identificações dos mortos

O último dos cinco corpos, que estava soterrado, foi resgatado no final da madrugada. A vítima é uma mulher ainda não identificada, moradora do bairro de Santa Cecilia, um dos mais atingidos pelo temporal. A prefeitura de Teresópolis confirmou a morte de cinco pessoas e o desaparecimento de uma. Há 15 feridos.

Os cinco mortos em consequência das chuvas já foram identificados pelo Instituto Médico-Legal (IML) do município: Jaílson da Cunha, 26 anos, que morreu no bairro Pimentel; Rosângela Moraes de Oliveira, 26 anos, em Santa Cecília; Joyce Rosa de Araújo, 16 anos, no Quinta Lebrão; Keila Pires, 26 anos, e Maria Helena, 54 anos, ambas encontradas na localidade conhecida como Bom Retiro.

As informações do governo confirmam que, até a manhã deste sábado, cinco corpos foram resgatados. As vítimas são uma adolescente de 14 anos, dois homens e duas mulheres. Segundo a Polícia Civil, todos já passaram por necropsia e aguardam parentes para a liberação. As equipes do Instituto Médico-Legal (IML) e do Instituto Félix Pacheco também foram reforçadas.

Desabrigados

O número de desabrigados e desalojados caiu quase à metade e agora 414 pessoas continuam nos abrigos disponibilizados pela prefeitura, em hospitais e escolas da região.

A prefeitura de Teresópolis iniciou o processo de cadastramento das 414 pessoas que ainda continuam desalojadas na cidade, depois de terem sido retiradas de suas casas devido ao temporal que atingiu a região serrana do estado no final da tarde de ontem (6).

O cadastramento está sendo feito desde a madrugada por equipes das secretarias municipais de Desenvolvimento Social e dos Direitos da Mulher. Segundo a prefeitura, o objetivo é identificar as vítimas e levantar as necessidades de cada família, como o recebimento de cestas básicas, o abastecimento de água e o pagamento de aluguel social.

Paralelamente, a prefeitura está solicitando a doação de gêneros de primeira necessidade para atender à população afetada, principalmente água, colchonetes e cestas básicas. As doações podem ser entregues no Ginásio Pedrão, localizado na Rua Tenente Luiz Meirelles, 211 – Várzea.

Segundo a prefeitura, há cinco abrigos provisórios em funcionamento, onde estão 414 pessoas: Escola Municipal Marilia Porto, na Rua Cecília Meirelles, 517, no bairro de Santa Cecília; Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Sebastião Mello, na Rua Acre, 432, no Rosário; Centro Educacional Rose Dalmaso (Cedal), na Rua Palmira Maria de Oliveira, 131, no bairro de São Pedro; Creche São Pedro, na Rua Luis Noguê Júnior, 771, no bairro de São Pedro; e a Associação de Moradores do Vale da Revolta.

Dados da prefeitura indicam que o forte temporal de ontem registrou, em apenas quatro horas, 160 milímetros (mm), volume esperado para todo o mês de abril. Os bairros mais atingidos por deslizamentos de terra foram: Bom Retiro, Coreia, Perpétuo, Pimentel, Quinta Lebrão, Santa Cecília e Vale da Revolta.

Meteorologia

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que a frente fria que atingiu o estado do Rio de Janeiro ontem (6) já deixou a região e se encontra sobre o Espírito Santo.

Segundo o Inmet, a princípio, fica afastado o risco de novos temporais na região serrana do estado, como o que atingiu nessa sexta-feira os municípios de Nova Friburgo e Teresópolis, nessa sexta-feira. A chuva provocou a morte de cinco pessoas em Teresópolis e deixou uma desaparecida.

O instituto admite que ainda possam ocorrer pancadas de chuvas e trovoadas na região, mas não na proporção do temporal passado, quando o volume registrado ficou entre 40 e 90 milímetros (mm), enquanto o esperado para todo o mês de abril era 72,3mm.

Boletim hidrometeorológico divulgado no início da tarde pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informa o deslocamento da frente fria para a região norte do estado, o que “diminui a nebulosidade sobre a região serrana”. O boletim também admite a ocorrência de rápidas e isoladas pancadas de chuvas na região no final da tarde.

Reações

O secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, coronel Sérgio Simões, esteve na região acompanhando os trabalhos de auxílio às vítimas e de resgate das pessoas ilhadas.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, determinou que os órgãos estaduais deem “todo o apoio” ao município de Teresópolis, atingido por um temporal que provocou a morte de cinco pessoas, além de deixar uma desaparecida, 15 feridas e 414 desalojadas.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Secretaria de Obras forneceram máquinas para auxiliar o trabalho de limpeza e desobstrução de ruas e avenidas dos bairros mais afetados. O Corpo de Bombeiros enviou 30 homens que atuam na capital para reforçar a equipe, que agora conta com 150 militares.

O subsecretário de Estado para a Reconstrução da Região Serrana, Affonso Monnerat, trabalha para conseguir mais máquinas e equipamentos de limpeza. O trabalho será auxiliado por funcionários da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Quatro geólogos do Departamento de Recursos Minerais (DRM) foram enviados para a região para orientar os trabalhos.

O coronel Sérgio Simões se reuniu com o prefeito de Teresópolis, Arlei Rosa, para definir ações emergenciais, como a assistência à população desalojada, a limpeza da cidade e a assistência funerária. Após um sobrevoo, Simões e o presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop), Ícaro Moreno Júnior, que também está na cidade, avaliarão as condições das áreas afetadas.

A Defesa Civil do estado enviou 600 colchonetes, lençóis e cobertores ao município, além de um carro-pipa do Corpo de Bombeiros, com 30 mil litros de água, para auxiliar na limpeza das ruas. Em parceria com a prefeitura, a instituição está convocando voluntários e solicitando a doação de cestas básicas, colchonetes e roupa de cama.

“Até o momento, não há problemas com o abastecimento de água, mas equipes da Cedae [Companhia Estadual de Águas e Esgotos] estão de plantão monitorando as redes para evitar qualquer falha”, destaca a nota do governo do estado.

Em Nova Friburgo, cidade também atingida pela chuva, as equipes da Defesa Civil continuam monitorando toda a região. No município, nas últimas 24 horas, o volume de chuva ficou entre 40 e 90 milímetros (mm), enquanto o esperado para todo o mês de abril era 72,3mm.

O governo lembra, na nota, que o Inea emitiu alerta máximo para alguns rios, que transbordaram devido ao grande volume de chuva.

A subsecretária de Saúde do estado, Monique Fazzi, viajou para Teresópolis, com uma equipe do órgão, para prestar ajuda às vítimas da enchente.

Kit Calamidade

A equipe levou para a região o kit calamidade, com medicamentos básicos e material curativo, e está orientando profissionais de saúde e a população sobre formas de evitar doenças, além do uso e da indicação de soro e vacinas. Os profissionais também vão avaliar as condições do município em relação à assistência à saúde, a qualidade da água e os equipamentos afetados.

A medida atende a uma determinação do governador Sérgio Cabral para que fosse dado “todo apoio” às cidades da região serrana afetadas pelas fortes chuvas de ontem (6).

Segundo o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental do estado, Alexandre Chieppe, que também está na região, todas as unidades de saúde de Teresópolis “estão funcionando normalmente” e equipes da Secretaria Municipal de Saúde estão visitando essas unidades e abrigos para verificar o atendimento que está sendo prestado à população.

Cada kit calamidade contém 45 itens. Para a região estão sendo encaminhados seis grandes caixas com material suficiente para atender até 500 pessoas.

Alertas

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário de Defesa Civil, Humberto Viana, admitiu que o sistema de alerta à população pode ser melhorado. O sistema de alerta que avisou a população dos riscos de deslizamentos em Teresópolis, na região serrana do estado do Rio, “pode ser melhorado”, avalia o secretário nacional de Defesa Civil, coronel Humberto Viana.

Ele admite que os alarmes tardaram a soar ontem à noite “porque não havia indicadores seguros do volume de água que iria cair”. Quando a sirene tocou, o primeiro deslizamento estava ocorrendo, disse Viana à Agência Brasil. “Quanto mais cedo recebermos a informação, mais cedo poderemos avisar à população.” Apesar disso, o secretário avalia que “o sistema funcionou” e que muitas vidas foram salvas (cinco pessoas morreram no desastre).

Na opinião de Humberto Viana, a melhoria do sistema depende de mais investimentos públicos em radares (“em ângulos onde ainda há sombra”), pluviômetros ligados em satélite, mapeamento geológico de área de risco, contratação de equipes técnicas e treinamento da população. Ele não soube dizer o montante que ainda precisa ser gasto, mas garantiu que o governo federal “está investindo” na prevenção de novas catástrofes.

A Defesa Civil alerta para o risco de mais pancadas de chuvas em Teresópolis no final da tarde ou no começo da noite. Segundo o secretário, a população será alertada para deixar as regiões em que a chuva atinja mais de 40 milímetros.

O prefeito de Teresópolis, na região serrana do estado, Arlei de Oliveira Rosa, admitiu que a tragédia ocorrida no município poderia ganhar proporções ainda maiores caso o governo não tivesse instalado sirenes de alerta nas comunidades que vivem em áreas de risco na cidade.

Segundo Rosa, o alarme das sirenes (instaladas após as chuvas de janeiro do ano passado que deixaram um saldo de quase mil mortes em toda a região, além de centenas de desaparecidos) permitiu que muitas das famílias que vivem em áreas de risco pudessem deixar suas casas em busca dos abrigos da prefeitura.

“O governo do estado instalou sirenes de alerta nos bairros de maior risco de deslizamento. Foi o toque dessas sirenes que permitiu que as famílias deixassem suas casas e procurassem os abrigos da prefeitura. Se não fosse isso a tragédia teria sido muito pior”, disse em entrevista à Rádio Nacional.

As chuvas duraram cerca de quatro horas e a sua intensidade deixou um saldo de cinco mortos, uma pessoa desaparecida, 15 feridas, além de centenas de desabrigados e desalojados (pessoas que tiveram que deixar suas casas temporariamente por causa do temporal e do risco de deslizamento de terra).

Rosa ressaltou que, no centro da cidade, rios transbordaram e a água chegou a subir cerca de 1 metro. Segundo ele, no final da noite de ontem, quando a chuva parou, o nível da água desceu e os serviços básicos afetados pelo temporal começaram a ser restabelecidos.

A prefeitura de Teresópolis vai solicitar ajuda aos governos federal e estadual para a reconstrução da infraestrutura básica da cidade afetada pela força das águas. “Há muito o que fazer e a reconstruir. O nível da água baixou, mas deixou um rastro de destruição e lama e nós precisamos de máquinas e homens para realizar os trabalhos de recuperação da infraestrutura básica e de limpeza da cidade”, disse.

Fontes

Compartilhe essa notícia: Shared via Email Compartilhe via Facebook Tweet essa reportagem Compartilhe via Google+ Compartilhe via LinkedIn Compartilhe via Digg.com Compartilhe via Newsvine Compartilhe via Reddit.com Share on stumbleupon.com Compartilhe via Technorati