Caso Victoria Natalini: estudante que desapareceu em excursão da escola Waldorf Rudolf Steiner é encontrada morta

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2 de setembro de 2019

Brasil


Neste mes fazem quatro anos que o caso de Victoria Mafra Natalini continua sem solução. A adolescente de 17 anos, iria residir por sete dias na Fazenda Pereiras, em Itatiba, interior de São Paulo, para um trabalho escolar.

Somando a estudante, o grupo era composto de 34 alunos, três técnicos de topografia e dois professores. Não era permito o uso de celular na região.

Outros alunos relataram que viram cobras e tiveram dor de barriga enquanto estavam na fazenda. Victoria Natalini desapareceu no quarto dia de excursão, por volta das 14 horas do dia 15 de setembro de 2015, após sair sozinha e caminhar por uma estrada para ir ao banheiro na sede da fazenda, que fica a 500 metros de distância do local onde estavam os outros estudantes.

Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, dia 16, por um helicóptero da Polícia Militar. O corpo estava vestido e tinha marcas de escoriações. Estava localizado no sentido contrário ao local que a estudante disse que iria e a 1,2km de distância.

Investigação
Um tratorista de 40 anos foi a última pessoa a ver a estudante com vida. O tratorista foi ouvido horas após o corpo ter sido encontrado pela Polícia Militar (PM). Em trechos do depoimento que ele concedeu à polícia de Itatiba que foram divulgados à imprensa a pedido do G1, consta:


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"Entre as 14h30 e 15h estava carregando a carreta tracionada pelo trator em uma estrada de terra que dá acesso ao alojamento, nesse momento viu uma jovem, que posteriormente ficou sabendo ser Victoria Mafra Natalini, vindo nessa estrada em direção ao alojamento, percebeu que ela estava um pouco agitada batendo com as mãos nos bolsos como se estivesse procurando algo, em seguida, esta retornou pelo mesmo trajeto."
(…)
"Informou ainda que, aproximadamente dez minutos após, viu três jovens saindo do alojamento em direção ao local onde estavam efetuando os trabalhos, que não observou nenhuma atitude suspeita, pois passaram pelo depoente conversando normalmente."

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A insistência de parentes de Victoria Natalini, fez com que fosse feito um novo laudo, desta vez pelo Centro de Perícias da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

A investigação do caso foi transferida da Polícia Civil de Itatiba para Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Exames de peritos particulares contratados pela família da vítima, aponta que a causa da morte da adolescente foi por "asfixia mecânica, na modalidade de sufocação direta", diferente do laudo do IML de Jundiaí, que alegava "causa indeterminada, sugestiva de morte natural."

Os exames dos peritos particulares também apontam que Victoria Natalini foi mantida em "um local fechado e ficou por algumas horas até ser levada a outro local."

Em trechos de outro depoimento, agora da Divisão de Homicídios do DHPP, cidade de São Paulo, o tratorista "observou uma menina que abriu a porteira, e fazia gestos de correr e parar, correr e parar e batia com os punhos em suas pernas, quando retornou para o caminho de onde vinha (…) Porém, o depoente não sabe se esta menina virou à direita rumo ao campo das medições ou seguiu rumo a estrada que dá acesso à Fazenda Pereiras."

Os laudos feitos no corpo da adolescente, apontam que ela não consumiu drogas ou bebidas alcoólicas e não foram encontradas marcas de violência sexual.

Testemunhas dizem que Victonia Natlini era saudável. Além de fornecer a saliva para exame de DNA, foram feitas perícias em todas as peças de roupa do tratorista.

O material foi encaminhado para análise dos peritos do Instituto de Criminalística (IC). Ainda não foram divulgados os resultados dos exames e a polícia informou que não tinha nenhum suspeito do assassinato da estudante. Seu corpo foi velado no Cemitério Gethsêmani, na Zona Sul de São Paulo, em 18 de setembro de 2015.

Posicionamentos
Família
O pai da estudante, o empresário João Carlos Siqueira Natalini, disse que "Houve negligência de forma cabal, não há como negar que não foram tomados todos os cuidados que deveria haver, como deveria ter acontecido em uma sala de aula (…) Não havia nenhum tipo de vigia aos alunos, então eu imputo à escola a responsabilidade pelo que aconteceu."

A família da vítima criou uma página no Facebook, chamada "Justiça para Victoria Natalini", onde eram postados diversos questionamentos sobre o caso, até entrar em segredo judicial.

Escola e fazenda
Além de decretar luto, a escola Waldorf disse em nota que na excursão de Itatiba, tinha cinco adultos que eram profissionais capacitados para atender os alunos e que iria "apoiar os órgãos competentes na conclusão das investigações".

Após a exposição da instituição, foi divulgado outro comunicado, onde a Waldorf Rudolf Steiner diz que "seguindo as orientações de seus advogados, comunica que só se pronunciará após a conclusão das investigações pelos órgãos competentes e o fechamento do inquérito atualmente em curso".

Um dos donos da Fazenda Pereira, lamentou o caso e disse em 2015, que a parceria com a escola, da qual ele foi aluno, fazia quase dez anos e não tinha sido registrado nenhum problema.

Polícia
O poisicionamento mais recente da polícia, foi dado ao Fantástico em 2016, pela delegada Ana Paula Rodrigues, da 5ª Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente, dizendo que "Teria que ter um responsável sempre ao lado. Houve, sim, falhas de protocolo de segurança."

Repercussão
O caso tinha sido encerrado em 2015, com o laudo do Instituto médico legal (IML) apontando "morte natural", mas em reviravolta, foi divulgado em rede nacional, no Fantástico em 2016, que a estudante tinha sido assassinada.

O caso repercutiu em diversos veículos notórios de comunicação do Brasil: Folha Vitória, Imirante.com, Gazeta do Povo, revista Veja, TV UOL, Correio Braziliense, Folha de S.Paulo, Jornal do Tocantins, Jornal de Brasília, jornal Correio (Rede Bahia), Brasil Online (BOL), IstoÉ, Jovem Pan, O Estado de S. Paulo, Rede Meio Norte, O Sul, R7 (RecordTV), G1 (Rede Globo) e Folha de S. Paulo.

Fontes

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