COVID-19: no Brasil, Ministério da Saúde recomenda uso da cloroquina, mas avisa que "não existem evidências para a indicação da terapia"

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21 de maio de 2020

Foto meramente ilustrativa

O Ministério da Saúde (MS) do Brasil divulgou ontem (20), finalmente, o chamado "Protocolo da Cloroquina", um documento com a recomendação para o tratamento precoce de pacientes com COVID-19 com cloroquina e hidroxicloroquina no Sistema Único da Saúde (SUS). A elaboração e aprovação do protocolo com os medicamentos, que não têm nenhuma eficácia comprovada e que segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), por exemplo, podem ter efeitos colaterais "muito importantes", foi um dos motivos da demissão dos ex-ministros da saúde, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, após a negativa de ambos de emitirem o protocolo, que era uma exigência do presidente Jair Bolsonaro.

No entanto, apesar a aprovação oficial dos medicamentos para tratar COVID, já no início do texto da notícia no website do MS, lê-se: "em concordância declarada por escrito pelo paciente", o que é uma referência à possibilidade das substâncias causarem efeitos colaterais graves. No Termo de Compromisso - um modelo foi divulgado no website do MS - a ser assinado pelo paciente, lê-se: "não há, até o momento, estudos suficientes para garantir certeza de melhora clínica dos pacientes com COVID-19 quando tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina" e "a cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar efeitos colaterais como redução dos glóbulos brancos, disfunção do fígado, disfunção cardíaca e arritmias, e alterações visuais por danos na retina". Também no texto da notícia, lê-se: "o consumo da cloroquina e do sulfato de hidroxicloroquina, sem avaliação e prescrição médica, pode resultar em prejuízos à saúde". Há também um alerta para que o médico, antes de prescrever a substância, examine o paciente por "meio de anamnese, exame físico e exames complementares".

Já no protocolo propriamente dito, chamado "Orientações do MS para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19", a primeira página enfatiza que "até o momento não existem evidências científicas robustas que possibilitem a indicação de terapia farmacológica específica para a COVID-19".

Devido à divulgação do protocolo ontem, a Associação Médica Brasileira (AMB) emitiu uma nota hoje em que esclarece que considera importante que as orientações do MS "preservam a responsabilidade e a autonomia do médico na avaliação da pertinência de utilização off-label de medicação prescrita há décadas em casos de malária e doenças autoimunes" e "alertam sobre a falta de medicamentos comprovadamente eficazes e reiteram a excepcionalidade do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no cenário da pandemia, assim como a inexistência de pesquisas aprofundadas e conclusivas sobre os benefícios ou segurança do medicamento nas diversas fases da doença COVID-19".

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