COVID-19: Câmara tem polêmica devido a "imunidade de rebanho" e "volta à normalidade"

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28 de outubro de 2020

A Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 da Câmara dos Deputados ouviu hoje deputados e médicos sobre uma possível "volta à normalidade" no Brasil. No entanto, especialistas ou parlamentares com opinião divergente decidiram não participar do debate.

O deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara e proponente da reunião, defendeu o "retorno à normalidade" e o “isolamento vertical”, ou seja, com cuidados especiais só para os grupos de risco para Covid-19. “Dessa forma adquiriríamos "imunidade de rebanho", encerraríamos a pandemia e faríamos um plano de retorno à economia sustentável a médio e longo prazo”, esclareceu.

Já o médico da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro Alexandre Chieppe se mostrou preocupado com o uso do termo "imunidade de rebanho", porque, segundo ele, não há como medir o percentual da população que precisaria contrair a doença para se chegar a esta imunidade grupal. Ele enfatizou que os cientistas divergem sobre este percentual, apontando uma variação entre 20 e 80%.

O médico Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da USP, também defendeu o "isolamento vertical" e destacou que é a favor da "volta à normalidade". Segundo ele, uma segunda onda do Sars-Cov-2 no Brasil só deve ser esperada para maio [atualmente vários estados já estão experimentando um novo aumento de casos, numa possível "segunda onda"].

A imunologista e oncologista Nise Yamaguchi, diretora da Sociedade Brasileira de Cancerologia e da Associação Brasileira de Mulheres Médicas, que também é consultora do Ministério da Saúde, igualmente se mostrou a favor da "volta à normalidade", dizendo que o lockdown não evitou as infecções e que o isolamento social só deveria ser adotado por pessoas dos grupos de risco. Ela também defendeu o tratamento precoce da doença [apesar de até agora não haver nenhum medicamento indicado pela OMS para tratamento precoce da Covid] e salientou que estimativas mostram que a Covid tem menos de 1% de mortalidade e que hoje há mais depressão, violência doméstica e fome porque as pessoas estão dentro de casa [segundo dados do próprio Ministério da Saúde, a Taxa de Letalidade há meses é de cerca de 3%].

Segunda onda no Brasil

Especialistas ouvidos por diversos veículos de comunicação divergem sobre a "segunda onda de Covid-19" no Brasil, já que para muitos a primeira nem sequer foi controlada - apesar dos casos e mortes terem diminuído, na média, nas últimas quatro semanas. Eles também divergem sobre o tempo em que pode levar até a "segunda onda" chegar e alguns acreditam que isto acontecerá ainda este ano [e não em maio, como afirmado por Wong].

No entanto, a maioria deles concorda que o Brasil, atualmente, não está preparado para uma possível nova piora da pandemia, apontando a falta de planejamento do governo federal para controlar a situação como o principal problema a ser resolvido.

O Brasil experimentou na semana passada seu primeiro período de piora na pandemia após 4 semanas de queda no número de infectados e, esta semana, diversas capitais, como Manaus e Porto Alegre, estão com seus leitos, incluindo os de UTI, com quase 100% de lotação.

Já Ceará e Bahia declaram situação de calamidade pública ainda na semana passada.


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Fontes

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