Cúpula da América Latina e do Caribe mostra que EUA não mandam na região, diz Chávez

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Agência Brasil

17 de dezembro de 2008

O inédito encontro de presidentes latino-americanos e caribenhos sem a participação de um país de fora é, para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em primeiro lugar uma demonstração de que os Estados Unidos não mandam na região. A Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento é realizada desde ontem na Costa do Sauípe (Bahia).

Em discurso na sessão de trabalho de hoje (17), Chavez propôs que o encontro se repita a cada um ou dois anos. “Vamos tomar decisões e aplicá-las, como fazem no Norte. Lá se reúnem, tomam decisões e as aplicam, as aplicam em todos nós”, disse Chávez.

Ele também reiterou proposta feita ontem, na Cúpula do Mercosul, pelo presidente do Equador, Rafael Correa, de construção de um sistema monetário, comercial e financeiro regional – a sugestão consta no projeto do documento final do encontro, chamado de Declaração de Salvador. “A crise vai continuar se aprofundando. Há perspectivas de mais um ano, são perspectivas otimistas. Quem sabe o que nos espera é uma década de recessão, de crise, e não só econômica. Logo vem a crise social e a crise política, as desestabilizações”, discursou. “Somente com um sistema nosso, poderemos influir no sistema mundial”, frisou.

Mais cedo, em conversa com jornalistas, Chávez criticou as medidas de socorro a empresas e bancos anunciadas pelos países ricos. “Os países do Norte estão injetando bilhões de dólares sem nenhum sustento na economia real e tomando medidas desesperadas, alguns tentando salvar o que não tem salvação”, comentou.

Na reunião de presidentes, o líder venezuelano voltou a propor, como já fez em outras ocasiões, a criação de um fundo financeiro para o desenvolvimento, composto por 1% das reservas internacionais dos países da região - que, segundo ele, totalizam US$ 500 bilhões. Também sugeriu a discussão, em nível latino-americano, do sistema único de compensação regional adotado pela Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).

“Qual a causa da crise? O modelo imposto por Washington a este mundo, o modelo capitalista. Busquemos outras alternativas, esta reunião está buscando alternativas e isso é o mais positivo de tudo”, afirmou antes da sessão de trabalho de hoje.

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