Brasil entra na zona vermelha no ranking de liberdade de imprensa

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20 de abril de 2021

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Por Abraji

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançou nesta terça-feira (20/04) o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, publicação anual que avalia a liberdade de imprensa em 180 países e territórios. Pela primeira vez em 20 anos, o Brasil entrou na “zona vermelha”, que sinaliza regiões do mundo onde a situação da imprensa é considerada difícil.

Segundo o relatório, o Brasil antes estava na “zona laranja”, chamada de "sensível" e passou da 107ª colocação para a 111ª, em relação ao ano passado. É o quarto ano consecutivo de queda para o país, que em 2018 ocupava a 102ª posição.

A pesquisa, realizada desde 2002, avalia o exercício do jornalismo em 180 países, com relação ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência das mídias, ambiente e autocensura, arcabouço legal, transparência, qualidade da infraestrutura de suporte à produção da informação e violência contra a imprensa.

A zona vermelha que o Brasil agora ocupa tem outros 50 países. Na classificação divulgada hoje, está abaixo da Bolívia, Guiné e Moçambique. Na mesma área foram enquadradas nações conhecidas por repressão a jornalistas, como Nicarágua, Rússia, Filipinas, Índia, Turquia, Venezuela e Sudão.

A zona branca é composta por 12 países, com Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Costa Rica liderando os cinco melhores lugares. Os com a pior classificação são Eritreia (180), Coreia do Norte (179), Turcomenistão (178), China (177) e Djibuti (176).

Situação do Brasil e América Latina

O estudo revelou uma deterioração geral da situação na América Latina. “Salvo raras exceções, o ambiente de trabalho dos jornalistas, já complexo e hostil antes da crise do coronavírus, piorou ainda mais”, diz o documento.

“O acesso aos números oficiais sobre a epidemia tornou-se extremamente complexo devido à falta de transparência do governo de Jair Bolsonaro, que tentou por todos os meios minimizar a escala da pandemia, gerando inúmeras tensões entre as autoridades e os meios de comunicação nacionais”.

A RSF cita a iniciativa inédita de veículos brasileiros de criar um consórcio para obter informações diretamente de autoridades locais nos 26 estados do país e no Distrito Federal. Em junho de 2020, os maiores jornais e portais de notícias do país (O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, G1 e UOL) formaram essa aliança para divulgar seus próprios boletins diários, como resposta à falta de transparência do Ministério da Saúde.

A RSF observou também um aumento de ações jurídicas contra a imprensa, geralmente iniciadas por políticos ou representantes do Estado, em países como Peru (91º, -1), Argentina (69º, -5) ou mesmo Brasil e Nicarágua.

Ainda sobre o Brasil, a RSF ressalta que a banalização de discursos estigmatizantes enfraquece a profissão no país e gera ataques cada vez mais multifacetados e violentos contra os meios de comunicação: “O presidente Bolsonaro, seus filhos que ocupam cargos eletivos e vários aliados dentro do governo insultam e difamam jornalistas e meios de comunicação quase que diariamente, escancarando o desapreço pelo trabalho jornalístico”.

“O aumento das campanhas on-line de difamação, intimidação e assédio contra jornalistas, sejam elas promovidas por figuras públicas ou gabinetes ocultos, também é uma tendência forte na região, sobretudo na Colômbia e no Brasil. E os principais alvos desses ataques coordenados geralmente são mulheres jornalistas”, relata o documento.

O lançamento do Ranking será feito nesta terça-feira, às 12h, pelo horário de Brasília, por meio de uma videoconferência, que inclui a participação da jornalista brasileira Patrícia Campos Mello, repórter especial da Folha e diretora da Abraji.

Foram convidados também Svetlana Tsikhanouskaya, liderança democrática na Bielorússia, principal candidato de oposição durante as eleições de agosto de 2020, Francis Fukuyama, Professor do Centro Pesquisa sobre Democracia, Desenvolvimento e Estado de Direito da Universidade de Stanford (Estados Unidos). Kjersti Loken Stavrum, CEO Tinius Trust, presidente da Comissão Norueguesa de Liberdade de Expressão, e da PEN Noruega (Noruega), Carole Cadwalladr, autora britânica, jornalista investigativa repórter especial, e Christophe Deloire, Secretário Geral da Repórteres sem Fronteiras (RSF).

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