Brasil e México defendem pressão internacional pela volta de Zelaya a Honduras

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Agência Brasil

23 de julho de 2009

Brasília, Distrito Federal, Brasil

O Brasil e o México voltaram a condenar hoje (23) o que classificam de "golpe de Estado” contra o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, deposto no dia 28 de junho passado.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e a secretária de Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa Cantellano, defendem que a comunidade internacional empreenda esforços para obrigar o governo interino a aceitar a volta de Zelaya ao país para reassumir a presidência.

“Reiteramos nossa enérgica condenação ao golpe de Estado em Honduras e nosso respaldo ao presidente constitucional, Manuel Zelaya, que deve ser restituído ao cargo de forma imediata e incondicional”, afirmou Patricia Cantellano, após tratar do assunto com Amorim durante a 2ª Reunião da Comissão Binacional Brasil-México, realizada em Brasília.

“Queremos uma solução pacífica, mas que [contemple] o retorno de Zelaya [à presidência]”, disse Amorim, defendendo que os países que mantêm relações comerciais com Honduras, sobretudo os Estados Unidos e os que integram a Comunidade Européia, pressionem o governo interino a deixar o poder. O Brasil, lembrou Amorim, “fez o que podia”, interrompendo sua cooperação em projetos de interesse de Honduras.

“Os golpistas têm que ter a percepção de que a pressão internacional vai se exercer e que, no futuro, queiram eles ou não, ela terá um efeito prático. Se eles tiverem bom senso, esse tempo será abreviado com a aceitação de propostas que já foram feitas e, em determinado momento, foram aceitas por Zelaya”, disse o ministro brasileiro.

Tanto para Amorim, quanto para Patricia, nem os esforços da Organização dos Estados Americanos (OEA), nem a tentativa do presidente da Costa Rica, Oscar Árias, de mediar uma solução pacífica para o conflito estão esgotados.

“Não creio que se possa dizer que os esforços da OEA não deram resultados. Ainda há coisas para fazer”, disse Amorim. “Se for necessária uma nova decisão da OEA para dar cobertura às ações de todos os países-membros, cada um o fará dentro de suas possibilidades. Não adianta cada país ter uma proposta. Temos que trabalhar em conjunto”, ressaltou Amorim.

“Como instituição, como regime, os golpistas não têm futuro”, destacou o ministro. “O governo golpista é a própria instabilidade. Pode-se imaginar que, no momento, a instabilidade esteja congelada, dando uma falsa ilusão de permanência, mas a comunidade internacional não aceitará um regime que emergiu de um golpe de Estado”, concluiu.

Fonte

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