Brasil: “Não somos objeto de propaganda do governo”, diz liderança Yanomami

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7 de julho de 2020

O embarque para Roraima na segunda-feira da semana passada, 29 de junho, de uma comitiva com militares, agentes de saúde, médicos da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde e jornalistas no KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB), maior cargueiro militar da América Latina, causou uma saia-justa ao Exército brasileiro.

Chamada de Operação COVID-19, a comitiva levou 4 toneladas de suprimentos como máscaras cirúrgicas, álcool etílico, testes rápidos, avental hospitalar descartável, protetor facial, toucas e medicamentos — entre eles milhares de comprimidos de cloroquina.

O destino do material eram os pólos dos distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami (Dsei-Y) e Leste de Roraima (Dsei-L, na região de Raposa Serra do Sol).

“Estamos muito revoltados da forma como foi feito. A gente não foi consultado. Por isso, de imediato mandei documento para o ministério público federal de Roraima”, disse à Agência Pública Junior Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-Y).

Agora, o MPF investiga se a missão representou riscos de contágio de COVID para os indígenas — alguns de recente contato, como os Yanomamis do polo base Surucucu, visitado pela comitiva no dia 1 de julho, data da coletiva de imprensa do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

Fontes disseram à Pública que em muitos momentos as regras de distanciamento social não foram respeitadas. “Normalmente seria apenas médicos e indígenas, como sempre foi, mas parecia um safari”, disse Bruna*, que avalia que a situação colocou em risco os indígenas. “Os indígenas esperavam o atendimento. Não esperavam os veículos de comunicação”, conta Bruna, atribuindo a responsabilidade ao Ministério da Defesa.

Um vídeo de duas lideranças Yanomamis presente na ação do exército circulou na semana passada com críticas à Funai.

Fonte

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