Ban Ki-moon lamenta ausência de EUA e Israel em conferência sobre racismo

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Agência Brasil

20 de abril de 2009

O secretário-geral da Organizazão das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-moon, disse hoje (20) estar “profundamente decepcionado” com o boicote promovido por vários países à Conferência de Revisão de Durban, que vai até sexta-feira (24) na sede da ONU, em Genebra. A reunião, que vai avaliar o andamento de políticas anti-discriminatórias acordadas em 2001 na África do Sul, é vista por alguns como um palco para a promoção de anti-semitismo, segundo informações da BBC Brasil.

Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Canadá, Israel, Itália, Países Baixos e Nova Zelândia estão boicotando o encontro. França e Reino Unido participam, mas esta não enviou nenhum representante de alto escalão.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que negou publicamente a existência do Holocausto, deverá fazer um discurso no encontro - um prosseguimento à primeira conferência da ONU em Durban, há oito anos, e que terminou em desavenças. Na ocasião, vários países tentaram, sem sucesso, que a conferência equiparasse o sionismo ao racismo. Várias organizações não-governamentais também foram acusadas de fazer declarações anti-semitas.

Antes da conferência, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, se disse “chocada e decepcionada” com os boicotes. “Alguns estados permitiram que uma ou duas questões dominassem sua abordagem do assunto, permitindo que eles tenham mais valor do que as preocupações de vários grupos de pessoas que sofrem racismo e formas parecidas de intolerância."

Neste ano, os representantes de muitos países ocidentais se mostraram incomodados pelo fato de a conferência abrir espaço para um discurso de Ahmadinejad, o único líder de porte a aceitar o convite para o fórum.

Sua presença na conferência sobre racismo causou indignação em Israel e nervosismo dentro da própria ONU, segundo a correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes.

Se Ahmadinejad usar a conferência para repetir os ataques a Israel, ou mesmo para negar o Holocausto, poderá causar sérios danos ao evento, que a ONU esperava vir a ser um exemplo de união internacional contra a discriminação.

O papa Bento XVI também se pronunciou a favor da conferência, afirmando que é uma oportunidade para lutar contra a discriminação e a intolerância. “Pedimos ação firme e consistente, em nível nacional e internacional, para evitar e eliminar qualquer forma de discriminação e intolerância”, disse o pontífice.

O rascunho da declaração final, que vem causando intenso debate, foi diluído para remover todas as referências a Israel e ao Oriente Médio. Mas, a pedido dos países do Oriente Médio, o documento ainda contém uma cláusula sobre a incitação de ódio religioso, que muitos países ocidentais vêem como uma restrição à liberdade de expressão.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que a linguagem anti-Israel no rascunho final, segundo ele “hipócrita e contraproducente” em vários trechos, foi a gota d'água que levou seu governo a boicotar o encontro.

Fontes