Aumenta a crise na Bolívia

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10 de junho de 2005

A sessão do Congresso Nacional da Bolívia convocada nesta quinta-feira para designar o sucessor do presidente Carlos Mesa, que renunciu na noite da segunda-feira passada, foi supensa. O corpo Legislativo se transferiou de La Paz para poder debater a sucessão à presidência do país, mas foi seguido pelas mobilizações camponesas e indígenas. Ainda que, ao que parece, se tinha conseguido um acordo entre as diferentes bancadas no Congresso, os parlamentares decidiram suspender a reunião devido à situação de ordem pública em Sucre.

Constitucionalmente, Hormando Vaca Dez, presidente do Senado, seria o homem que deveria ocupar de forma interina a presidência. No entanto, o MAS (Movimento ao Socialismo), do líder cocaleiro Evo Morales, opõe-se à nomeação de Vaca. Morales afirmou que se Vaca "sob manobras políticas, for presidente, convoco o povo boliviano a dura resistência para acabar com a máfia política, a resistir do campo à cidade. Não podemos permitir que [seja presidente] um Hormando Vaca Díez com compromissos ante a embaixada dos Estados Unidos da América, ante as multinacionais, isso por todos lados temos que frear". Com estas palavras, instou a seus apoiantes a endurecer os bloqueios.

A morte de um mineiro, identificado como Carlos Coro, a quem forças do Exército teriam disparado quando tentava entrar em Sucre, aumentou a ira dos manifestantes, que se deslocaram cerca de 740 km de La Paz para impedir a nomeação do presidente do Senado. Além de Coro, ficaram feridos Germán Vilca e José Afasto Quispe, segundo dados fornecidos por Fedor Dourado, promotor de justiça de Sucre.

O comandante das Forças Militares, almirante Luis Aranda, declarou que "A Bolívia foi levada a uma situação cujas conseqüências são imprevisíveis e vão desde a intervenção do Estado até um processo de secessão. E isto não se pode aceitar". Cerca de 1.500 militares se encontram em Sucre tratando de controlar aos manifestantes.

Depois de sua renúncia, Mesa tinha manifestado sua preocupação pela sorte de seu país e disse que temia uma guerra civil. O ex mandatário pediu ajuda às Nações Unidas que respondeu enviando o colombiano José Antonio Ocampo, subsecretário de Assuntos Econômicos, para avaliar a situação. Mesa também pediu a Vaca Diaz que se colocasse de lado para evitar a confrontação. Como o ex-presidente, muitos setores sociais se opõem ao senador, que é apoiado pelos defensores da autonomia para o departamento de Santa Cruz, o mais rico do país, bem como dos partidos tradicionais.

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