Atropelamento deixa um morto e 16 feridos na praia do Rio de Janeiro

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Agência Brasil

19 de janeiro de 2018

Um motorista, identificado como Antonio Almeida Anaquim, que dirigia seu carro na Avenida Atlântica, invadiu com o veículo no calçadão da Praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, por volta das 20h30min de ontem (18), atropelou as pessoas que caminhavam pelo calçadão, próximo à Rua Figueiredo de Magalhães. No momento do acidente, o Calçadão de Copacabana estava repleto de turistas e moradores da cidade, na rua e nos quiosques ao longo da orla.

Inicialmente, testemunhas afirmaram que o motorista do veículo fugiu após o acidente, mas tarde, constatou que ele estava dentro do veículo trancado o tempo todo, para evitar de ser linchado, já que os policiais e os bombeiros que estavam no momento do incidente, foram imediatamente ao local para proteger o veículo danificado após o atropelamento.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, que está com equipes no local, por volta das 21h30min, oito feridos já tinham sido removidos e encaminhados para os hospitais municipais Miguel Couto (no Leblon) e Souza Aguiar (no Centro). Dois dos feridos são crianças. Os atendimentos a feridos continuaram no local. No entanto, o número de feridos aumentou para 15, revisado para 17, entre eles um bebê em estado grave, levado para Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Copacabana, morreu no final da noite, que foi identificado como Maria Louise Araújo Azevedo.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, entre os feridos está um estrangeiro, um homem de nacionalidade australiana, Daniel Marcos Philips 68 anos, que já mora no Brasil há 20 anos, em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar. Inicialmente, na noite de ontem, seu nome não foi divulgado, apenas a informação de que ele era um australiano que estava na cidade como turista, o que não procedia a informação de que tenha chegado recentemente na cidade.

Segundo o próprio motorista, que foi retirado pelos policiais por volta das 22 horas, para a Delegacia de Copacabana (12ª DP), alegou aos policiais que sofre de epilepsia e teve ataque no momento em que dirigia, por isso perdeu o controle do veículo. Policiais encontraram no veículo medicamentos utilizados para tratar a doença. De acordo com o resultado de exame feito pelo Instituto Médico-Legal (IML), o motorista não dirigia embiagado. Dezenove horas após haver atropelado 17 pessoas na Praia de Copacabana, o motorista Anaquim deixou a 12ª Delegacia de Polícia em Copacabana (12ª DP) por volta das 15h30 de hoje (19) sem falar com a imprensa. Anaquim estava prestando depoimento na 12ª DP desde as 2 horas de hoje e foi ouvido pelo delegado Gabriel Ferrando.

No entanto, o Departamento de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) informou por meio de nota, que Antonio de Almeida Anaquim estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa desde maio de 2014 e não ter cumprido a exigência de devolução da habilitação para realização de curso de reciclagem. Em sua carteira de motorista, estão registradas 14 multas, que somam 62 pontos em infrações (o máximo é de 30 pontos). Por ter cometido crime de trânsito e dirigido com a carteira suspensa, o Detran já instaurou o processo de cassação da CNH de Anaquim, como determina a legislação federal de trânsito.

O Detran-RJ diz que ele negou durante seu exame de validação médica da CNH ter qualquer doença neurológica, inclusive epilepsia. O órgão informou também que pessoas com epilepsia podem ter carteira de habilitação, mas precisam passar por uma avaliação neurológica. Quando apto para dirigir, o exame médico terá validade menor, de acordo com a avaliação médica, com enquadramento na categoria B, válida apenas para dirigir carros. O Detran-RJ esclareceu que no caso de Antonio Anaquim cumpriu com todo o trâmite do Código Brasileiro de Trânsito.

Investigações

O delegado da 12ª Delegacia de Polícia Gabriel Ferrando disse, na manhã de hoje (19), que um possível ataque epilético no motorista Antônio de Almeida Anaquim é a principal linha de investigação sobre o atropelamento de 17 pessoas na Praia de Copacabana, na noite de ontem (18). Até o momento, a avaliação do delegado é de que o crime foi um homicídio culposo, em que não há intenção de matar, e que o suspeito deve responder em liberdade.

"Ele narra que teria tido uma espécie de disritmia, decorrente do problema epilético. Segundo ele, essa disritmia causa nele um apagão", disse o delegado, que mantém o motorista na delegacia até o momento, para continuar com os esclarecimentos. "Esse apagão, segundo ele, teria ocasionado a perda de consciência temporária no momento em que estava conduzindo o veículo".

O delegado afirmou que nenhuma hipótese ainda está descartada e que a vida pregressa do motorista continuará sendo investigada. Na opinião de Ferrando, com as informações que ele tem até o momento, não há como indiciar o motorista por homicídio doloso, quando há intenção de matar, nem por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. "Trabalhar com a hipótese, com os elementos que eu tenho no momento, de que ele tinha a intenção ou assumiu o risco, eu acho temeroso".

O delegado argumentou que a legislação não prevê prisão em flagrante para casos de atropelamento em que o motorista se mantém no local do incidente. A prisão também foi descartada até o momento porque os exames iniciais não apontaram ingestão de álcool e outras substâncias, e também porque o motorista não participava de um pega. Ferrando também considera que a alta velocidade, ao que tudo indica, foi causada pela disritmia.

Testemunhas estão sendo ouvidas na tentativa de esclarecer o caso, incluindo uma mulher que estava no carro no momento do atropelamento. Segundo o delegado, ela corrobora a versão de que houve um ataque epilético. "A testemunha narra que ele estava dirigindo, e ela foi surpreendida com a paralisia dele. Ele teria tido um apagão enrijecido", conta o delegado.

O delegado contou que ainda não recebeu informações oficiais do Detran sobre a situação do motorista, mas confiscou a carteira de habilitação dele como medida cautelar. Ferrando considera que, mesmo que fique provado que o motorista mentiu sobre a doença no exame médico do Detran, ou que estava com a carteira de habilitação vencida, isso não muda o entendimento de que não houve intenção de matar. "A situação dele vai ser agravada no que diz respeito às pena. O que estamos discutindo aqui é a voluntariedade", disse o delegado

Além de informações oficiais do Detran, a Polícia Civil aguarda ainda o resultado de exames mais detalhados de sangue e urina, além de câmeras de segurança instaladas perto do local do acidente que possam ter registrado o atropelamento de prédios e câmaras da Prefeitura. Na opinião do delegado, é possível que a investigação do caso seja encerrada em até 30 dias.

Bebê Maria Louise Araújo Azevedo

A Polícia Civil informou que o corpo da bebê Maria Louise Araujo Azevedo, de 8 meses, já foi necropsiado no Instituto Médico-Legal (IML) e liberado. O pai do bebê, Darlan Rocha Azevedo, já recebeu a declaração de óbito para tratar do enterro. A mãe da bebê, Niedja da Silva Araujo, moradora na Ladeira dos Tabajaras (perto de Copacabana), recebeu a visita da avó, que mora fora da cidade e foi passear no calçadão da praia levando Maria Louise no carrinho de bebê.

Darlan Rocha Azevedo, de 27 anos, pai do bebê Maria Louise Araújo Azevedo de 8 meses que morreu no atropelamento, disse mais cedo que a mãe da criança também foi atropelada e seu estado de saúde é grave. “Como uma pessoa que sofre de epilepsia tem carteira de motorista? Não era para ter carteira de motorista e nem estar na rua. Matou minha filha, como vou ficar agora?”, lamentou.

Niedja da Silva Araújo, mãe da bebê Maria Louise, disse que tudo aconteceu muito rápido, com o carro subindo a calçada, atravessando a ciclovia e atropelando as pessoas no calçadão da orla. Niedja esteve no Instituto Médico Legal (IML) para liberar o corpo da filha. "Eu só lembro que estava no chão. Eu não vi mais nada. Acabaram com a minha vida", disse, chorando muito. Ela disse que ainda sentia muitas dores no corpo. Niedja foi atropelada junto com a filha e sofreu escoriações nas duas pernas e no ombro, sendo liberada hoje (19) do Hospital Souza Aguiar, na região central da cidade, para onde foram levadas as vítimas que sofreram ferimentos mais leves.

A família disse que não tem a certidão de nascimento de Maria Louise, que molhou e rasgou com a chuva. O IML informou que o enterro do bebê vai poder ser feito, mas liberado sem o nome da criança na certidão de óbito, apesar do reconhecimento feito pela família. Após o sepultamento, com a apresentação da nova certidão de nascimento, no registro do óbito constará o nome de Maria Louise.

Reações

O presidente Michel Temer lamentou o atropelamento ocorrido na praia de Copacabana na noite de ontem (18) e prestou solidariedade às famílias das vítimas. Em publicação hoje (19), na rede social Twitter, Temer registrou ainda que espera “apuração rigorosa dos fatos”. “Profundamente triste com a tragédia ocorrida ontem na praia de Copacabana. Minha solidariedade às famílias das vítimas, em especial aos pais da pequena Maria Louise. Torço pela recuperação dos feridos e apuração rigorosa dos fatos”, registrou a mensagem no Twitter do presidente.

Fontes

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