Alto funcionário das Nações Unidas é preso acusado de lavagem de dinheiro

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5 de setembro de 2005

Vladimir Kuznetsov, 48 anos, funcionário sênior do ministério das Relações Exteriores russo e presidente do comitê que controla o orçamento das Nações Unidas (ONU), foi preso quinta-feira passada (1) acusado de prática de lavagem de dinheiro. O diplomata russo foi preso logo após sua imunidade diplomática ter sido revogada pelo secretário-geral da ONU.

Kuznetsov é o segundo funcionário russo das Nações Unidas preso acusado de lavagem de dinheiro, nessas últimas semanas. No dia 8 de agosto, já tinha sido detido Alexander Yakovlev, um funcionário do setor de aquisições da ONU. Uma das acusações contra Yakovlev diz que ele solicitou suborno de uma empresa que visava obter vantagens num contrato para o Programa Petróleo-por-comida, de assistência ao Iraque. Yakovlev declarou-se culpado e agora pode ser condenado até 20 anos de prisão.

A prisão de Vladimir Kuznetsov aconteceu depois de o Secretário-geral Kofi Annan revogar a imunidade diplomática dele. O embaixador dos Estados Unidos da América, John Bolton, disse que informou Annan sobre o caso e que este agiu prontamente: "Queremos agradecer ao secretário-geral pela sua decisão pessoal e muito pronta de retirar os privilégios e a imunidade. (...) Isto é agora uma matéria de execução legal séria e não temos nenhum novo comentário."

Promotores federais disseram sexta-feira passada (2) em Nova Iorque que Kuznetzov estabeleceu uma companhia off-shore em 2000, para ocultar as atividades criminosas de uma outra autoridade do setor de aquisições das Nações Unidas, até agora não identificada. Segundo os promotores, ao descobrir o que fazia o alto-funcionário, ao invés de denunciar, Kuznetzov resolveu participar do esquema.

O embaixador da Rússia para as Nações Unidas, Andrei Denisov, questionou a autoridade do secretário-geral no que diz respeito à revogação da imunidade do diplomata russo. Segundo Denisov, como Vladimir Kuznetsov é um funcionário russo do Ministério das Relações Exteriores, sua imunidade só poderia ter sido revogada por Moscou.

Andrei Denisov não acredita que Kuznetsov esteja envolvido no escândalo Petróleo-por-comida.

O programa Petróleo-por-comida foi um programa de ajuda humanitária ao Iraque que funcionou de 1996 a 2003 e permitia que o governo de Saddam Hussein vendesse petróleo em troca de provisões de caráter humanitário para os iraquianos. Há provas de que o programa foi usado por Saddam Hussein para ganhar bilhões de dólares e subornar integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Para esta semana está prevista a divulgação de um relatório de uma comissão de investigação independente dirigida por Paul Volcker, ex-presidente do Banco Central americano. A expectativa é se o relatório irá culpar o secretário-geral Kofi Annan pelo desgoverno e abusos do programa de ajuda ao Iraque.


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