Al Qaeda e Estado Islâmico avançam na Síria

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

10 de setembro de 2015

A Frente al-Nusra e outros grupos radicais islâmicos ligados à Al-Qaeda tomaram o aeroporto de Abu Duhur, na província de Idlib, no noroeste da Síria. Já o Estado Islâmico (EI) se aproxima do aeroporto militar da cidade de Deir ez-Zor (leste), após conquistar alguns setores dessa localidade.

As recentes conquistas de dois grupos armados mais poderosos na oposição ao governo sírio, consideradas como organizações terroristas tanto por Governos de Síria e dezenas de países do mundo, foram divulgadas hoje pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

De acordo com o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, o Estado Islâmico, além de aproximar do aeroporto militar da cidade de Deir ez-Zor e controlar alguns setores dessa localidade, houve combates que deixou dezenas de mortes. Os jihadistas cometeram dois atentados suicidas com carro-bomba e um deles foi lançado por um garoto. "Trata-se de um dos ataques mais violentos lançados pelo EI contra o aeroporto. Dezoito soldados morreram, assim como 36 membros do EI", afirmou o diretor Abdel Rahman.

Ainda de acordo com o diretor do OSDH, a Frente al-Nusra só conseguiu conquistar o aeroporto de Abu Duhur com ajuda de seus aliados, após cercarem as instalações por dois anos (desde 2013). "Foram 56 mortos ontem e pelo menos 40 presos e dezenas de desaparecidos (...). Alguns soldados foram executados [após serem capturados], disse Abdel Rahman. No entanto, dezenas de militares estão desaparecidos e entre eles, o paradeiro do general Ehsan al Zehuri, que comandava o aeroporto, é desconhecido.

Em sua conta no Twitter, a Frente Al-Nusra publicou fotografias de 15 homens apresentados como soldados de Abu Duhur, "nas mãos dos mujahedines". Os reféns estão sem camisa, de barba e aparentam fraqueza, provavelmente estavam sem comer há dias, devido ao cerco. Não se sabe o que o grupo vai fazer com os soldados capturados, embora há relatos de soldados capturados são submetidos por execuções à tiro.

Apesar dos números divulgados pelo OSDH, o Exército da Síria informou que pelo menos 54 combatentes morreram em intensos choques travados contra os "terroristas" (termo designado por governo sírio para opositores de Bashar Al-Assad e aliados desde início dos protestos da Primavera Árabe de 2011) ontem e hoje, no noroeste e no leste do país.

Histórico

Iniciado em 15 de março de 2011, o conflito na Síria deixou 250.000 mortos. Atualmente, mais de 4 milhões de refugiados sírios vivem nos países vizinhos ou tentam chegar à Europa.

As recentes conquistas dos grupos Al-Qaeda e o Estado Islâmico em território sírio revelam que as Forças Armadas da Síria continuam enfrentando grandes dificuldades para evitar o avanço dos grupos por terra (Exército) e ar (Força Aérea) desde a grande ofensiva coordenada por grupos que não são aliados, responsáveis pela conquista de mais da metade do país (cerca de 60%), entre final de março até final de junho.

Rica em petróleo, a província de Deir ez-Zor, na fronteira com o Iraque, está quase toda nas mãos do EI, exceto alguns bairros da capital homônima e o aeroporto militar, em mãos do regime. Há um ano o grupo tenta assumir o controle do aeroporto. Se conseguir, Deir Ezzor pode se tornar a segunda capital da província a cair nas mãos do EI, depois de Raqqa em 2013, designada "capital" do califado em 2014.

Já a Frente al-Nusra, já haviam invadido a capital da província, Idlib, no final de março, antes de conquistar maior parte da província do mesmo nome da capital, que depois da conquista da cidade, tornou-se a "capital" dos rebeldes desde então. A partir da conquista da capital e maior parte da província do mesmo nome, os jihadistas e seus aliados conseguiram avançar mais ao sul de Idlib desde o final de julho, lançando ofensivas que ameaçam a província de Latakia (oeste), um dos principais redutos do regime, onde na semana passada, detonaram o primeiro carro-bomba na costa litorânea.

Por outro lado, na província de Idlib, está quase totalmente tomada diferentes grupos rebeldes sírios, além da Frente Al-Nusra (aliada da rede terrorista internacional Al-Qaeda) e seus aliados, o Exército Livre da Síria (ELS) que também luta contra a Frente Al-Nusra e aliados. Os povoados xiitas de Al-Foua e de Kafraya, ambas nesta província, continuam cercados pelos rebeldes e são defendidos, não pelo Exército sírio, mas por milícias pró-regime e combatentes da milícia xiita libanesa Hezbollah. Já na província de Aleppo, o aeroporto militar de Kuweyres (ou Kuires), situado a dezenas de quilômetros do leste da cidade de Aleppo, também está cercado há meses pelo Estado Islâmico.

Fontes

Compartilhe essa notícia: Shared via Email Compartilhe via Facebook Tweet essa reportagem Compartilhe via Google+ Compartilhe via LinkedIn Compartilhe via Digg.com Compartilhe via Newsvine Compartilhe via Reddit.com Share on stumbleupon.com Compartilhe via Technorati