Agressões físicas e tráfico estão presentes na rotina das escolas do DF, aponta pesquisa

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Agência Brasil

6 de maio de 2009

Brasília, Distrito Federal, Brasil

Quase 70% dos alunos das escolas públicas do Distrito Federal já presenciaram alguma agressão física no ambiente escolar e 15% já foi vítima desse tipo de violência. Esse é um dos resultados apontados por uma pesquisa sobre violência nas escolas divulgada hoje (6) pela Secretaria de Educação do Distrito Federal e pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA). Cerca de 10 mil questionários foram aplicados a professores e estudantes do ensino fundamental e médio.

A pesquisadora Miriam Abromovay, que coordenou o estudo, acredita que a realidade do DF se aplica a todo o país. “Esse estudo de caso é local, mas ele acontece em muitas capitais, municípios e estados do país. Essa é uma situação que existe em todos os lugares. São situações não específicas do DF”, defende.

O estudo detectou a presença de diferentes formas de violência nas escolas, desde agressões verbais até o tráfico de drogas e o porte de armas. Quase um quarto dos alunos diz já ter visto alguém portando arma de fogo na escola. Nas unidades de ensino localizadas nas cidades-satélites de Brasília, os índices chegam a 30%. E 3% dos estudantes afirmaram já ter levado arma de fogo para a escola. “Na questão de violência, todo 1% é um dado importante”, avalia Miriam.

A presença do tráfico dentro e ao redor da escola também é um dos problemas apontados pelo estudo. Mais de um terço dos professores e 23% dos alunos sabem da existência ou já presenciaram a situação.

“Mas o que mais chama atenção, além de todos esses problemas, é o a micro-violência que se dá nas relações sociais. A discriminação e o preconceito, seja entre raças, pela condição social, pelo jeito de se vestir ou mesmo a homofobia são muito presentes”, destaca a pesquisadora.

Segundo Miriam, a pesquisa aponta que “o clima escolar não é de felicidade, mas de muito preconceito e briga”. “Nesse contexto de violência a educação não pode melhorar”, avalia.

Apesar dos aspectos negativos levantados pelo estudo, os alunos têm uma percepção positiva sobre a escola e estão dispostos a modificar o ambiente. Mais de 70% acreditam que vão continuar estudando e posteriormente conseguirão um bom trabalho.

“O importante não é só fazer o estudo, mas agora transformá-lo em políticas públicas. Conseguimos detectar o problema para saber o que fazer. Mas eles têm esperança de um futuro melhor, estudar é muito importante para eles e é fundamental levar isso em consideração na formulação das políticas”, diz Miriam.

No ano passado, a secretaria lançou um projeto específico para enfrentar a questão da violência nas escolas públicas do DF. O estudo encomendado à RITLA vai subsidiar as ações da Política de Promoção da Cidadania e da Cultura da Paz. Outro aspecto investigado pela pesquisa é o uso da internet como instrumento para a violência. Mais de 36% dos alunos afirmaram já terem sofrido ciberviolência e 17,3% dizem ter praticado esse tipo de violência. Xingamentos, invasão de e-mail e publicação indevida de imagens estão entre as ocorrências mais citadas por estudantes e professores.

“Nós pudemos perceber que os alunos são vítimas, mas também atores desse processo. Os professores também têm muitas queixas sobre o uso incorreto da internet. Ou seja, o acesso à internet é importante, mas eles precisam ser orientados sobre o mau uso dessa ferramenta e possíveis conseqüências”, disse.

O estudo completo está disponível no site da RITLA.

Fontes