Plástico cria armadilha evolutiva para jovens tartarugas marinhas

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Exeter • 2 de agosto de 2021

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Estudo publicado no periódico Frontiers in Marine Science encontrou plástico no estômago de jovens tartarugas marinhas em ambas as costas da Austrália - tanto no Oceano Pacífico quanto no Oceano Índico. De acordo com a Dra. Emily Duncan, do Centro de Ecologia e Preservação de Exeter, "as tartarguas jovens evoluíram para se desenvolver em mar aberto, onde predadores são relativamente raros. Contudo, nosso estudo indica que esse comportamento evolutivo agora às conduziu a uma 'armadilha' - levando-as a áreas extremamente poluídas, como a Grande Mancha de Plástico do Pacífico."

"As jovens tartarugas não possuem uma dieta específica; elas comem de tudo, e nosso estudo sugere que isso inclui plástico," prossegue a Dra. Duncan. "Ainda não sabemos qual o impacto que o consumo de plástico tem sobre jovens tartarugas, mas qualquer perda nesses estágios iniciais da vida pode ter um impacto significativo nos níveis populacionais."

O estudo — financiado pela Sea Life Trust e pela National Geographic — acompanhou 121 tartarugas de cinco das sete espécies marinhas reconhecidas: australiana, comum, de pente, olivácea e verde. Os pesquisadores examinaram jovens tartarugas — de recém-nascidas a até 50 cm de diâmetro de casco — que apareceram nas praias ou foram acidentalmente capturadas por navios-pesqueiros.

Na costa do Pacífico, 86% das tartarugas-comuns, 83% das verdes, 80% das australianas e 29% das oliváceas tinham plástico em seus estômagos. Na costa do Índico, os índices foram significativamente menores: 28% das australianas, 21% das comuns e 9% das verdes continham plástico. Em nenhum dos casos foi registrado plástico no sistema de tartarugas-de-pente, mas o espaço amostral dessa espécie — n=7 — era muito reduzido. O plástico ingerido no Oceano Pacífico era composto de pedaços duros, vindos de toda sorte de produtos utilizados por humanos, enquanto o do Oceano Índico era majoritariamente de fibras, representando linhas e redes de pesca. Os polímeros mais comumente ingeridos foram polietileno e polipropileno.


Referência

Emily M. Duncan, Annette C. Broderick, Kay Critchell, Tamara S. Galloway, Mark Hamann, Colin J. Limpus, Penelope K. Lindeque, David Santillo, Anton D. Tucker, Scott Whiting, Erina J. Young, Brendan J. Godley, Plastic Pollution and Small Juvenile Marine Turtles: A Potential Evolutionary Trap, Frontiers in Marine Science 2021, 8

Fontes

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