Oito milhões de crianças vivem em extrema pobreza em Angola

Fonte: Wikinotícias

29 de setembro de 2023

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40% das crianças angolanas vivem na extrema pobreza

Agência VOA

Mais de oito milhões de crianças em Angola vivem em locais de extrema pobreza, o que representa 40% do total de crianças no país, revela o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com o Banco Mundial (BM) divulgado recentemente. Analistas sociais pedem às autoridades que repensem os programas de apoio e proteção social às famílias vulneráveis.

O documento indica que em cada 100 crianças 40 vivem em famílias em extrema pobreza, com menos de 2.000 mil kwanzas (2,4 dólares) por dia, dado que coloca o país entre as 47 nações consideradas de rendimento médio e baixo, no sétimo lugar, numa lista liderada pela Zâmbia. O estudo, que analisa as tendências globais da pobreza monetária infantil, refere que 12 milhões de crianças vivem em Angola com 2 mil kwanzas por dia e 17 milhões com sete mil (8,4 dólares) diários.

O Governo angolano tem tentados várias iniciativas para combater a fome e a pobreza, sobretudo em famílias vulneráveis, como o designado Kwenda, um projeto de transferência monetária às famílias, cujos resultados ainda não abrangem grande parte das famílias segundo observadores locais. Dados indicam que, entre os fatores deste quadro, figura o crescimento da população e a ineficiência de políticas públicas, daí que analistas olham para as projeções sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de erradicação da pobreza infantil até 2030, uma meta que não será alcançada.

O analista político e social Sérgio Calundungo reconhece algumas iniciativas das autoridades, porém defende "o reforço das linhas de ação e também a reavaliação dos projetos visando melhores resultados".

Abreu Cuvinga, sacerdote católico, que trabalha no apoio a crianças desfavorecidas no Huambo, não tem dúvidas do agravamento do quadro de pobreza. Ele atribui a esta situação à falta de vontade política da governança e aponta que uma das saídas seria o retorno da ajuda humanitária com os programas de fornecimentos de alimentos, como acontecia no período de conflito armado no país. "Seria bom se voltasse aos tempos da ajuda humanitária, pelo menos daria para distribuir papas aos menores", defende. Outra preocupação levantada pelo sacerdote tem a ver com o crescente número de abandono escolar entre crianças, sobretudo no meio rural.

O representante do UNICEF em Angola, Andrew Trevett, em declarações recentes à imprensa publica, considerou ser importante olhar para ações de respostas e citou o programa piloto da sua organização de transferência monetária que, em três anos, apoiou mais de 36 menores em Angola.

O responsável do Instituto Nacional da Criança, INAC, Paulo Kalessi, contatado pela Voz da América recusou-se dar qualquer informação.

Fontes