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Não há indícios de que variante mais grave do vírus Mpox chegou ao Brasil, que permanece vigilante

De Wikinotícias
Progressão da lesão necrótica de mpox após ferimento por agulha de uma pústula

23 de agosto de 2024

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) anuncia que o vírus Mpox (monkeypox), anteriormente conhecido como varíola dos macacos, é novamente uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), diferente de uma pandemia. O alerta foi acionado depois da rápida propagação da variante 1B, mais contagiosa, na República Democrática do Congo, e de confirmação de casos na Europa.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou durante a última semana que o Brasil está no nível 1 de emergência da Mpox, mas reforçou que isso é apenas um sinal de alerta, ou seja, não é preciso que a população entre em pânico diante da situação. O professor Expedito Luna, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da USP, explica as singularidades desse vírus e quais precauções precisam ser tomadas.

Conforme o especialista, o conceito de emergência de saúde pública de importância internacional difere de uma pandemia e é uma ferramenta utilizada pela OMS para alertar sobre crises de saúde que exigem atenção global. Uma pandemia, por sua vez, é um termo utilizado pela ciência e pelos epidemiologistas para caracterizar a disseminação de uma epidemia em pelo menos dois continentes.

Segundo o professor, as diferentes versões do Mpox são classificadas como clados, termo técnico que indica uma bifurcação na evolução genética do vírus. Ele explica que o clado 1, originado na África Ocidental, gerou um surto na Europa em 2022, mas não causou uma pandemia global significativa. Já o clado 2, proveniente da África Central, é mais grave e transmissível.

O docente afirma que o clado 2 tem se espalhado rapidamente pela África Central, afetando o Congo e países vizinhos como a República Centro-Africana, Uganda, Ruanda e Burundi. Recentemente, foram detectados casos fora da África, na Suécia e no Paquistão, o que acende um alerta sobre a possibilidade de chegada do vírus ao Brasil devido ao intenso fluxo internacional com as nações africanas.

Mpox

Segundo Luna, o Mpox faz parte do grupo dos poxvírus, relacionados à varíola humana, que foi erradicada em 1980. Ele conta que a Mpox foi identificada em macacos, mas seu reservatório principal são roedores africanos e, desde seu surto na Europa em 2022, a doença tem sido monitorada com atenção. “Não é uma doença sexualmente transmissível, porque ela é transmitida por contato direto com a pele afetada e não por fluidos sexuais. Também causa lesões que evoluem de manchas vermelhas a bolhas cheias de pus, e requer isolamento de três a quatro semanas para evitar a disseminação”, reforça.

De acordo com o especialista, atualmente o Brasil está tomando precauções e a vacinação contra a varíola oferece proteção cruzada contra a Mpox, por isso o País está priorizando a imunização de profissionais de saúde que lidam com casos suspeitos. Ele conta que, embora a vacina seja limitada, o número de casos de infecção pelo vírus caiu significativamente desde seu pico em 2022.

“No momento, não há indícios de que o clado 2 tenha chegado ao Brasil, mas as autoridades de saúde permanecem vigilantes e a população deve seguir as orientações das autoridades para buscar atendimento médico caso apresentem sintomas compatíveis com a Mpox, como lesões de pele que evoluem para bolhas e crostas. A recomendação é que a população mantenha a calma e continue acompanhando as orientações das autoridades sanitárias. Em caso de sintomas é crucial procurar um serviço de saúde para diagnóstico e orientação adequada”, finaliza o especialista.