Com imenso desafio econômico, Javier Milei muda de tom sobre acabar parceria com China e Brasil

Fonte: Wikinotícias
Javier Milei

23 de novembro de 2023

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O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, enfrentará grandes desafios para encerrar a crise econômica do país, com uma inflação de três dígitos, pobreza crescente e escassez de reservas.

Numa entrevista recente, Milei disse que o seu governo, que toma posse em 10 de dezembro, terá de fazer cortes profundos nas despesas, algo que prometeu durante a campanha como parte do seu plano "motosserra" para cortar despesas estatais.

"Não há dinheiro. Não há dinheiro", disse Milei à rádio local Neura. "Se não fizermos o ajuste fiscal, iremos para a hiperinflação e teremos 95% de pobres e 70-80% de indigentes".

A Argentina está lutando contra uma inflação de 143% e reservas líquidas negativas de 10 bilhões de dólares. Mais de 40% da população vive na pobreza. O presidente eleito, que se descreve como um anarcocapitalista e dividiu a opinião pública com seus planos de dolarizar a economia e fechar o banco central, disse que limitará o tamanho do Estado e terá equilíbrio fiscal para fins de 2024.

"Vou fazer um ajuste de choque e vou colocar a economia em equilíbrio fiscal. Como também tenho o compromisso de não aumentar impostos, significa que vou fazê-lo reduzindo os gastos", afirmou. "O equilíbrio fiscal não está em discussão. Ministro que gasta mais, eu o culpo", acrescentou.

O presidente eleito tem muito pouco tempo para preparar a transição. Faltando menos de três semanas para sua posse, em 10 de dezembro, Milei não tem experiência executiva e poucos aliados ao seu lado.

O período de transição presidencial na Argentina é um dos mais curtos da América Latina. Na Colômbia dura pelo menos seis semanas e no Brasil dois meses. As eleições do próximo ano no México serão seguidas de um período de transição de um semestre.

A posição-chave que deve ser atribuída é a de Ministro da Economia, tendo em conta o enorme défice orçamental, as reservas em dólares esgotadas e um programa de crédito de 44.000 milhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional que deve continuar a ser pago.

No entanto, Milei disse em comunicado que não divulgará nenhuma de suas nomeações até 10 de dezembro, embora tenha divulgado alguns nomes durante suas primeiras entrevistas, incluindo suas escolhas para chefiar o Ministério da Justiça e um novo Ministério do Capital Humano.

Após a vitória, Milei recebeu uma série de mensagens. E esta quinta-feira, o presidente eleito anunciou em comunicado que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump viajará a Buenos Aires para se encontrar com ele, embora não tenha dado detalhes de quando será a visita nem esclarecido se Trump comparecerá à sua posse.

"Parabéns a Javier Milei pelas grandes eleições na Argentina. Todos estavam assistindo", disse Trump em um vídeo postado terça-feira na rede social Truth Social. "Estou muito orgulhoso de você. Você vai mudar totalmente o seu país e realmente tornar a Argentina grande novamente", acrescentou.

Por outro lado, e suavizando o tom das suas duras críticas ao governo chinês, Milei agradeceu ao presidente da gigante asiática, Xi Jinping, por uma carta em que o felicitou pelos resultados das eleições.

"Agradeço ao presidente Xi Jinping pelas suas felicitações e bons votos", disse Milei na sua conta pessoal no X. "Envio-lhe os meus mais sinceros votos de bem-estar ao povo da China", acrescentou.

Durante a campanha, ele afirmou que encerraria a parceria com países "comunistas" e citou Xi e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, depois do Brasil. A mudança de tom também ocorreu com Lula, afirmando que seria bem-vindo na posse.

Milei derrotou o ministro da Economia, Sergio Massa, em um segundo turno no domingo.

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