Mãe faz com que CPI prenda Marcus Valerius
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8 de Novembro de 2009
País — O advogado Marcus Valerius teve a sua prisão em flagrante decretada durante depoimento na tarde de terça-feira (17) para a CPI dos Correios. Segundo a CPI, o advogado desacatou os integrantes da comissão.
A prisão foi decretada com base no Artigo 331 do Código Penal, que trata de desacato a funcionário público no exercício da função e prevê detenção de seis meses a dois anos.
Marcus Valerius Pinto Pinheiro de Macedo é quase homônino de Marcos Valério, suspeito de ser operador do mensalão. Ele prestou depoimento para a CPI porque prestou serviços para a empresa de transporte aéreo Skymaster, envolvida no escândalo dos Correios do Brasil. O advogado trabalha em causas cíveis e trabalhistas e disse que é filiado ao PT desde 1995.
27 saques no valor de R$ 1 milhão foram realizados pelo segurança Francisco Marques Carioca nas contas da Skymaster e destinados a Marcus Valerius. Os saques teriam sido feitos a pedido de João Marcos Pozzetti, diretor-financeiro da Skymaster, segundo Valerius. As retiradas foram feitas em datas próximas às de renovações de contratos sem licitação com os Correios. A CPI disse que suspeita que o dinheiro foi usado para subornar funcionários e dirigentes dos Correios.
A CPI considerou que Marcus Valerius desrespeitou a comissão em vários momentos durante o seu depoimento. O advogado respondeu de forma evasiva, contraditória, irônica e interrompeu várias vezes os parlamentares enquanto estes faziam as perguntas.
O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), coordenador dos trabalhos da sub-relatoria da CPI dos Correios, lembrou repetidamente o advogado que ele estava a depor na condição de testemunha, sem a proteção de um habeas corpus.
À certa altura do depoimento o deputado Antônio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) disse para o depoente que ele tinha problemas com a Receita Federal, por não ter declarado seu Imposto de Renda como deveria em anos anteriores. Marcus Valerius respondeu que não tinha conta bancária. O deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG) sugeriu à CPI quebrar os sigilos bancários da irmã e da esposa do depoente.
Marcus Valerius então perguntou: "E da mãe?"
Thadeu exigiu respeito do depoente e pediu a prisão imediata de Valerius. O presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS), foi consultado e após uma interrupção de alguns minutos, o sub-relator José Eduardo Cardozo (PT-SP) anunciou a decisão unânime da CPI de pedir a prisão em flagrante de Marcus Valerius.
"Buscamos ao máximo evitar situações como essa, mas o que está em cheque é o respeito ao povo. Ele ridicularizou o Parlamento", disse Cardozo.
A Polícia do Senado Federal foi chamada e efetuou a prisão do advogado.
Enquanto saía do Congresso preso e conduzido pela Polícia do Senado, Valerius disse aos jornalistas que a sua detenção "foi arbitrária" e que ele foi "humilhado e constrangido como cidadão".
Ver também
Fontes
Newton Araújo Jr. (reportagem), Francisco Brandão (edição) Sub-relatoria ouve advogado que trabalhou para Skymaster Agência Câmara 17 de Janeiro de 2006
Raíssa Abreu CPI decreta prisão de depoente por desacato Agência Senado 17 de Janeiro de 2006
Marcos Chagas Advogado diz que prisão decretada pela CPI foi arbitrária e humilhante Agência Brasil 17 de Janeiro de 2006
Marcos Chagas Advogado é preso por desacato ao depor na CPI dos Correios Agência Brasil 17 de Janeiro de 2006