Lei permite que China use a força para evitar independência de Taiwan
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15 de Março de 2005
Por 2896 votos contra zero e duas abstenções, o Congresso Nacional do Povo aprovou nesta segunda-feira a Lei Antisecesão, criada pelo governo de Pequim, com o fim de tomar medidas contra a independência de Taiwan, território o que considera "província rebelde". Na busca da reunificação, se os meios pacíficos comuns não prosperarem, a lei prevê medidas não pacíficas ou outras medidas necessárias. O parlamento também aprovou um aumento no gasto militar por US$29,5 milhões. O premiê Wen Jiabao afirmou que a lei serve para fortalecer e promover as relações, sem estar intencionada contra o povo de Taiwan, e que não é uma lei de guerra.
O presidente Hu Jintao declarou num discurso perante o Exército Popular de Libertação: "incrementaremos nossos preparativos para uma possível luta militar e aumentaremos nossa capacidade de lidar com crise, salvaguardar a paz, evitar as guerras e ganhá-las caso elas ocorram".
A medida, anunciada desde a semana passada, foi criticada pelo governo dos Estados Unidos da América. China e Taiwan se separaram depois de uma guerra civil em 1949. Pequim considera Taiwan como parte de seu território. A ilha mantém uma independência de facto desde 1949. Até 1971, Taiwan ocupou o assento chinês no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não obstante os problemas políticos, companhias taiwanesas mantêm um bom número de investimentos na China.
Chen Shui-ian, porta-voz do governo taiwanês, afirmou que a lei é uma "autorização para a guerra", enquanto Huang Wei-feng, vice-presidente do Conselho para Assuntos Chineses, disse que "esta lei nega a realidade da soberania de Taiwan, muda o status quo no estreito de Formosa e dá um cheque em branco ao Exército chinês para atacar a ilha". O Partido Democrata Progressista, que está no poder, organizará manifestações e protestos na contramão da medida de Pequim, para o próximo 26 de Março. O Partido Nacionalista (Kuomitang), de oposição e menos radical perante os assuntos com Pequim, expressou do mesmo modo seu descontentamento com a lei.
A bolsa de valores de Taiwán reagiu com uma queda de 37,84 pontos, para localizar-se num índice de 6166,39.
A Lei Antisecessão também prevê adotar o modelo "um país, dois sistemas", utilizado por Hong Kong e Macau antes de suas reunificações com a China em 1997 e 1999 respectivamente. Esse modelo já foi recusado por Taiwan faz uns 15 anos.
Partes do texto da Lei
Artigo 2: Existe uma só China no mundo. Tanto a parte continental como Taiwan pertencem a uma só China. A soberania e a integridade territorial de China não permitem a divisão. Salvaguardar a soberania e a integridade territorial de China é a obrigação comum de todo o povo chinês, incluídos os compatriotas de Taiwan. Taiwan é parte da China. O Estado não tolerará em absoluto que as forças separatistas que perseguem a "independência de Taiwan" separem a Taiwan de China sob nenhum pretexto e de nenhuma forma
Artigo 5: A adesão ao princípio de "uma só China" constitui a base da reunificação pacífica de China. A reunificação do país por meios pacíficos corresponde mais aos interesses fundamentais de todo o povo chinês, incluídos os compatriotas taiwaneses. O Estado fará todo o possível com a maior sinceridade para materializar a reunificação pacífica da pátria. Depois que se materialize a reunificação pacífica do país, Taiwan poderá aplicar sistemas diferentes aos da parte continental, e desfrutará de um alto grau de autonomia.
Artigo 8: No caso de as forças separatistas que perseguem a "independência de Taiwan" atuarem sob qualquer pretexto ou de qualquer forma para provocar a separação de Taiwan da China, ou se ocorrer importantes incidentes que impliquem na separação de Taiwan da China, ou se as possibilidades para uma reunificação pacífica terem sido completamente esgotadas, o Estado empregará meios não pacíficos e outras medidas necessárias para proteger a soberania e a integridade territorial da China. O Conselho de Estado e a Comissão Militar Central decidirão e executarão os meios não pacíficos e outras medidas necessárias como o assinala o parágrafo anterior e informarão imediatamente ao Comitê Permanente da Assembléia Popular Nacional.
Fontes
China aprueba ley contra secesión BBC 14 de Março de 2005
Taiwán rechaza "provocación" BBC 14 de Março de 2005
Parlamento de China adopta Ley Antisecesión Xinhua 14 de Março de 2005
China autoriza impedir la independencia de Taiwán, incluso con el empleo de la fuerza El Tiempo (Colombia) 14 de Março de 2005
Presidente de Taiwán convoca a Consejo Seguridad por aprobación de ley antisecesión en China El Tiempo (Colombia) 14 de Março de 2005
Por las buenas o por las malas, Taiwán será de China Caracol Televisión 13 de Março de 2005