Vitória da oposição no Chile não tem relação com o Brasil, diz Garcia

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Agência Brasil

23 de janeiro de 2010

Chile

La Paz (Bolívia) - O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, rechaçou a comparação da vitória da oposição no Chile com a mesma possibilidade nas eleições brasileiras, em outubro. À Agência Brasil, Garcia afirmou que a comparação é “esdrúxula e sem sentido”.

Segundo Garcia, o cenário político e a coalizão de forças partidárias no Brasil são complemente diferentes dos fatores que influenciaram a disputa presidencial no país vizinho. “É uma comparação que não tem sentido algum, é esdrúxula e sem sentido. O que houve no Chile foi uma junção de fatores. Um deles é que houve três candidatos de esquerda disputando as eleições”, disse ele, que passou dois dias na Bolívia para representar o governo na posse do presidente reeleito, Evo Morales.

Garcia se referiu aos candidatos Eduardo Frei (Concertación), que acabou derrotado no segundo turno, o independente Marco Enriquez Ominami e Jorge Arrate - estes últimos não passaram do primeiro turno, em dezembro. Frei foi vencido pelo candidato de centro-direita, Miguel Sebastián Piñera (Alianza), no último domingo (17), na eleição mais disputada da história política do Chile.

Piñeira venceu com 51,6% contra 48,3% dados ao candidato governista e ex-presidente Frei, que contava com o apoio de Michelle Bachelet. Como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bachelet tem a aprovação popular acima de 80%. Porém, não conseguiu fazer seu sucessor no Palácio de Governo.

Para o presidente eleito do Chile, governantes com elevada popularidade não transferem votos necessariamente. “É certo que a presidente Michelle Bachelet é muito popular e o presidente Lula também. Quando estive com o presidente Lula [no final do ano passado] conversamos sobre isso. Não se pode confundir um presidente com elevada popularidade com a necessidade de mudança [almejada pelo eleitorado]”, disse Piñera, um dia depois da sua vitória.

Cauteloso, Piñera evitou comentar sobre política interna brasileira. Mas disse conhecer bem os candidatos de oposição que deverão disputar as eleições em outubro. “Conheço os dois candidatos da oposição no Brasil especialmente o Serra [governador de São Paulo, José Serra, do PSDB] e tenho respeito por ambos. Não quero interferir na política interna do Brasil”, disse ele. “Ao que eu saiba a oposição no Brasil ainda não escolheu seu candidato. Mas a oposição no Brasil terá de tomar seu caminho”, afirmou Piñera.

No primeiro turno das eleições chilenas, em dezembro, o comando nacional do DEM enviou um grupo de políticos a Santiago para que acompanhasse as eleições que eram lideradas por Piñera. No entanto, Garcia afirmou que é necessário avaliar que no Chile além de ocorrer uma divisão na coalizão da esquerda (Concertación), outros fatores internos da política do país vizinho também influenciaram na vitória da oposição.

Analistas políticos afirmam que os outros fatores que contribuíram para a vitória da oposição no Chile são: o desgaste de 20 anos da esquerda no poder, a falta de renovação das forças de centro-esquerda e o discurso de Piñera consolidado na necessidade de mudança e transformação.

Fontes


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