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Violência sexual é amplamente ignorada no Mali

De Wikinotícias

1 de março de 2026

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Desde 2012, o Mali tem vivido uma situação de instabilidade em termos de segurança, com o surgimento e a expansão de vários grupos armados não estatais radicais - Jamāʿat Nuṣrat al-Islām wal-Muslimīn (JNIM), Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), Katiba Macina, Al Mourabitoun e o Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP) - o que piorou a segurança no país africano.

Em junho de 2025, mais de 402.000 pessoas estavam deslocadas, das quais 58% eram mulheres e meninas. O relatório de 2024 do secretário-geral das Nações Unidas sobre violência sexual relacionada a conflitos documenta casos de estupro, casamento forçado, sequestro e escravidão sexual cometidos por grupos armados nas regiões de Gao, Ménaka (centro-leste), Kayes (sudoeste), Mopti, Ségou (centro-sul) e Tombouctou (norte), ilustrando a escala e a gravidade dessas violações.

Nas áreas rurais e nos acampamentos de refugiados, estão aumentando os relatos de exploração sexual, assédio e casamentos forçados. Grupos armados não estatais exploram comunidades vulneráveis, instaurando um clima de medo e submissão. As instituições internacionais observaram que a crise humanitária afeta profundamente mulheres e meninas.

Em 2025, Amadou, um membro da sociedade civil maliana, foi vítima de assalto à mão armada e testemunhou o estupro de mulheres por homens armados. Ele disse à Global Voices: "Era por volta das 19h de uma sexta-feira quando homens armados invadiram nosso ônibus (...) eles roubaram tudo o que tínhamos e estupraram cerca de dez mulheres (...) nunca esquecerei os gritos, as lágrimas e aquela sensação de total impotência. Aquela noite me mostrou como é urgente proteger as mulheres e quebrar o silêncio sobre essa violência".

Cultura da violência

Por estar enraizado na tradição, o casamento forçado é comum, especialmente em áreas onde a pobreza e a insegurança limitam as oportunidades. No país, uma em cada duas meninas se casa antes dos 18 anos. Esse fenômeno tem consequências graves: interrupção da educação, gravidez precoce, aumento da violência doméstica e danos à saúde física e mental das meninas.