Veja edita título da reportagem publicada em 2011 sobre controverso "kit gay" de Fernando Haddad

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16 de outubro de 2018

Em meio à campanha presidencial do Brasil, o site da Veja alterou no último sábado (13) da semana passada, uma matéria publicada há sete anos atrás, em que mostra a conexão entre o candidato à presidente Fenando Haddad (PT) com o controverso "Kit Gay", lançado pela então presidente Dilma Rousseff, quando ele era ministro de governo, na qual ele nega hoje.

A matéria em questão, foi publicada no dia 27 de maio de 2011, no primeiro ano do Governo Dilma Rousseff, com seguinte título: “Kit Gay será reformulado e lançado até o fim do ano, diz Haddad” e foi modificada para "Governo Dilma: ‘Kit gay’ será reformulado e lançado até fim do ano", acrescentando "Governo Dilma" e removendo "diz Haddad”.

No entanto, o assunto "Kit Gay" voltou a circular nas redes sociais na semana passada e ganhar destaque no site em fim de semana, graças a campanha presidencial do adversário Jair Bolsonaro (PSL), que o acusou ser o mentor do famigerado projeto que combateria a homofobia nas escolas, suspenso por ordem da então presidente Dilma Rousseff, após reações negativas dos setores conservadores da sociedade brasileira que ajudaram a eleger em 2010.

A matéria da Veja, usada nas redes sociais pelos direitistas que apóiam o candidato Bolsonaro, servia para mostrar que o Haddad mentiu ao dizer que o Kit Gay nunca existiu e que ele nunca o propôs na propaganda eleitoral. Com isso, a matéria viabilizou nas redes sociais e fez que a matéria seja umas das mais 10 acessadas na quinta-feira (11) e sexta-feira (12), conforme os prints postados pelos usuários. No dia 13 de outubro, às 19:31, sem nenhuma explicação, a matéria teve seu título modificado e o site deu a seguinte alegação:

Esta matéria, publicada em maio de 2011, foi atualizada no dia 13 de agosto de 2018 para a inclusão no título da expressão “Governo Dilma”.

No entanto, internautas brasileiros perceberam a manobra da Veja e a acusaram de tentar proteger Haddad e atacar Bolsonaro, pois desde o impeachment que levou Dilma Rousseff a perder a presidência sem perder seus direitos políticos (num processo questionado pela opinião pública) e os políticos do PSDB serem atingidos na Lava Jato (2017 e 2018) que tinha de preferência desde a época do Governo Cardoso (1995-2003), a revista tem optado por atacar o candidato da direita que continua em frente das pesquisas.

O site de arquivo da internet Web Archive (archive.org), que registra páginas de internet no momento que foi salvo, tem a cópia da matéria original para que os leitores brasileiros possam conferir sem nenhuma adulterações (salvo em 2016) que pode ser conferido aqui. O site tem também ajudado a revelar que o site oficial do PT retirou do ar o manifesto do partido de apoio à Venezuela e ao Nicolás Maduro publicado no ano passado que pode ser acessado aqui, pois quando tenta acessar o link aqui, redireciona ao outro que contém elogio ao Haddad publicado no dia 30 de setembro (Você sabia? Haddad já foi eleito o melhor prefeito da América Latina) mas alguém salvou a página excluída, fato usado pela campanha do Bolsonaro contra Haddad.

Histórico

Não é a primeira vez que um veículo de imprensa brasileira vem alterando suas matérias ou se recusando publicar acusações ou fazer cobertura, pra não prejudicar algum determinado partido político ou personalidade política, principalmente o PT e o PSDB na internet. Antes dos escândalos de corrupção e a crise econômica a partir de 2014, as eleições presidenciais de 1994 após o impeachment de Fernando Collor em 1992, fez acontecer a polarização entre os petistas (vermelhos) e tucanos (azuis), basicamente atribuir os petistas à esquerda e tucanos à direita, o que fez impedir de fato uma real renovação política e a direita perder influência, já que os dois partidos divergem em alguns aspectos, mas adotam aspectos da esquerda.

A eleição de 1994 foi vencida pelo Fernando Henrique Cardoso naquele ano e assumiu em 1995. Foi reeleito em 1998, mas em 2002, não conseguiu eleger sucessor, pois quem venceu foi Luiz Inácio Lula da Silva, assumindo em 2003. Em 2005, enquanto se discutia impeachment de Lula, por ordem de Cardoso (que era amigo de Lula) se opôs a este pedido e exigiu não apoiasse esse pedido, considerada por muitos, umas das razões da reeleição de Lula em 2006, fazendo sucessora Dilma Rousseff por duas vezes em 2010 e 2014.

No entanto, eventos que levaram a maior crise sem precedentes em um século, como a crise econômica e as revelações do esquema bilionário na Operação Lava Jato desde 2014, fez com que o PSDB perdesse condição de principal partido da oposição, como também o PT e seus aliados políticos perdessem terreno nas eleições municipais (2016), federal e estadual (2018), aliado ao crescimento dos partidos de direita e os anti-estabeleshiment, que estão ganhando terreno na Europa e nos Estados Unidos, da qual o Brasil não escapa a regra.

Em agosto de 2015, a imprensa brasileira foi acusada por meio de redes sociais, de tentar omitir informações na CPI da Petrobras durante acareação de Alberto Youseff e Paulo Roberto Costa, nas quais eles citaram Dilma Rousseff (a então presidenta do Brasil), Antônio Palocci (ex-ministro dos Governos Lula e Dilma Rousseff), Aécio Neves (ex-governador de Minas Gerais, candidato derrotado à presidência no ano passado e atual senador), Sérgio Guerra (ex-presidente nacional do PSDB que morreu em 2014), Eduardo Cunha (então presidente da Câmara dos Deputados que está preso desde 2016), Gleisi Hoffmann (senadora do PT pelo Paraná) e Luiz Inácio Lula da Silva (ex-presidente da República), enquanto a imprensa estrangeira citaram seus nomes sem nenhuma censura ou tentativa de brindar entre ambos os lados.

Em outubro de 2016, após os executivos da construtora brasileira Odebrecht aceitaram fazer um acordo com os investigadores da Operação Lava Jato, acusou o então ministro das Relações Exteriores e duas vezes candidato presidencial pelo PSDB em 2002 e 2010, José Serra, a imprensa brasileira foi acusada de omitir a acusação em portais de internet e comunicação em massa (rádio e TV).

Em 2017, a revista Veja publicou um monitoramento de internet realizado pela empresa Social IQ e consultor de marketing estratégico, Daniel Braga, revelando que a maioria das pessoas que são contrárias à performance com nudez do artista Wagner Schwartz no Museu de Arte Moderna (MAM) "são homens brancos, de direita e de classe média". No entanto, a matéria recebeu muitas críticas pela publicação nas redes sociais (Twitter, Facebook, Instragram e outros), já que foi questionado como foi feita esta pesquisa. A publicação foi acusada de ser sob um viés de esquerda e foi excluída do site.

Em 2018, em controvérsia mais recente, as agências de checadoras de fatos no Brasil estão sendo acusadas de publicarem fakes news pra desmoralizar quem ousa denunciar urnas eletrônicas defeituosas, declarações ofensivas de candidatos de esquerda e o financiamento dos governos Lula e Dilma em países estrangeiros, entre outras acusações.

Caso Jair Bolsonaro vença as eleições presidenciais no Brasil, de acordo com pesquisas de opiniões, será o fim dos 24 anos dos governos do PSDB (entre 1995 a 2003) e o PT (2003 a 2016) que disputaram a presidência do Brasil após o impeachment do Collor, com alguma participação do MDB (desde 1985). Os governos de três partidos são caracterizados por corrupção, violência, crises intermináveis (política, econômica e social) e o aumento do crime organizado. O novo governo de Bolsonaro dará o início da primeira onda conservadora dos partidos de direita e os anti-estabeleshiment atingir América Latina, que começou com os protestos de 2013 que surpreenderam o mundo.

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Fontes

Reportagem original
Esta notícia contém reportagem original de um Wikicolaborador.

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