Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, é a cidade brasileira mais atingida pela gripe A

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Agência Brasil

25 de julho de 2009

Uruguaiana, RS, Brasil

A população de Uruguaiana, município gaúcho próximo da fronteira com a Argentina que já registrou duas mortes (um caminhoneiro, que esteve no país vizinho, e uma gestante de nove meses, cujo bebê permanece internado na ala de pediatria da Santa Casa de Misericórdia), por influenza A (H1N1), também conhecida como gripe suína, está se precavendo contra a doença, mas, em geral, acredita que há uma preocupação exagerada em relação ao assunto.

Rosane Lúcia Govalski, de 36 anos, é funcionária pública da cidade e, mesmo tomando medidas de prevenção, ela afirma não ter medo de contrair a doença: “Não tem porque entrar em pânico. É um vírus que, se você pegar, você, não necessariamente, vai entrar em óbito. É uma questão de cuidados e de tratamento”, disse. Rosane tem evitado lugares com aglomeração de pessoas e lembra sempre de higienizar as mãos com álcool. “Tenho me mantido em alerta. A qualquer sintoma, vou procurar tratamento médico.”, disse.

Para o aposentado Carlos Augusto, de 41 anos, a preocupação existe, mas as pessoas tendem a exagerar. “Muita gente anda no ônibus assustada, mas se as pessoas se cuidarem, não pegam a doença”, disse. Ele afirmou já ter procurado um médico para ter certeza de que tudo está bem e, em casa, lava as mãos sempre que pode.

Entre os jovens de Uruguaiana, a gripe suína também é uma preocupação, mas todos têm um apelo em comum: que a população da cidade evite o pânico e as filas em postos de saúde. Débora Melo, de 21 anos, funcionária de uma imobiliária, disse que as pessoas têm que ter calma. “Não é o fim do mundo. Basta cuidar da alimentação e da imunidade do corpo.” Ela acredita ainda que há profissionais de saúde “competentes” para atender a demanda de pacientes.

Mas para Rodinei Rodrigues, de 20 anos, o atendimento médico em Uruguaiana deveria contar com o reforço das Forças Armadas. Ele reclamou, ainda, que as informações divulgadas pela prefeitura e pela Secretaria de Saúde são “básicas demais para uma epidemia desse porte”.

Já a balconista Vera Marília Gonçalves, de 53 anos, afirmou que começou a se preocupar depois que o restaurante popular onde almoça todos os dias anunciou que ficará fechado por duas semanas por conta dos casos de gripe suína em Uruguaiana. “Está cada vez pior e tenho medo de contrair a doença. Procuro não pegar sereno, me abrigar bem, lavo as mãos a toda hora.”, disse.

Prefeitura de Uruguaiana

Para o prefeito de Uruguaiana, José Francisco Sanchotene Felice, a cidade é a principal porta de entrada da gripe suína no Brasil e “deve ser tratada como tal”. Em entrevista à Agência Brasil, ele reclamou da falta de apoio do governo estadual e mesmo federal para a compra de medicamento e equipamento e para a contratação de profissionais na área de saúde.

Felice avaliou que a doença “ainda tem muitas interrogações”, mas que a procura pelos postos de saúde e pronto-socorros começou a declinar nos últimos dias. A população, segundo ele, não tem retornado para novas consultas, porque tem sido bem orientada, além do reforço de médicos e enfermeiras, que passaram a atender também em um terceiro turno, a partir das 21h.

No último domingo (19), o prefeito decretou situação de emergência, por conta da situação de gripe suína instalada na cidade. Perguntado se o decreto era mesmo necessário, Felice afirmou “não ter dúvidas”, uma vez que a medida serve para “pressionar” autoridades. “Mas elas não gostam de ser pressionadas”, disse, ao completar que o decreto pode, inclusive, ser renovado, caso o cenário da doença em Uruguaiana permaneça “preocupante”.

Apesar de não ter antecipado as férias escolares nem optado por fechar cinemas, teatros e cultos religiosos, o prefeito acredita que, por meio do decreto, conseguiu mais “agilidade” na compra de equipamentos como os respiradores, utilizados em casos onde há o agravamento da gripe suína. “Merecemos uma atenção especial diante das circunstâncias”, cobrou o prefeito.

O secretário de Saúde de Uruguaiana, Luís Augusto Scheneider, garantiu que a situação é de “tranquilidade”. Segundo ele, 19 médicos foram contratados na tentativa de controlar a doença na cidade. Ele lembrou, entretanto, que o município conta com o maior porto seco da América Latina, por onde circulam mais de 800 caminhões todos os dias. Para Scheneider, a principal dificuldade é o esclarecimento á população.

“O vírus já está entre nós e tem uma letalidade similar ao vírus da influenza sazonal [gripe comum]. O que devemos evitar é a procura de maneira desenfreada aos pronto-socorros, onde se formam grandes aglomerações e aí, sim, há um contágio de maior volume”, disse o secretário.

Santa Casa de Caridade de Uruguaiana

A Santa Casa de Caridade de Uruguaiana, na divisa entre o Rio Grande do Sul e a Argentina, está “no limite”, de acordo com o ginecologista responsável pela maternidade no local, Frank Pasearendi. O hospital funciona como centro de referência no atendimento a pacientes com sintomas de influenza A (H1N1), gripe suína.

Em entrevista à Agência Brasil, ele explicou que a Santa Casa recebe todos pacientes sob suspeita da doença transferidos pelo pronto-socorro municipal e por postos de saúde. Os plantonistas estão treinados para o atendimento e os casos suspeitos são colocados em isolamento e tratados como sendo de gripe suína, já que a confirmação laboratorial demora cerca de três dias. Ao todo, 20 pessoas estão internadas sob suspeita da doença em Uruguaiana, além de duas mortes confirmadas na semana passada.

Apesar da prefeitura garantir uma redução na procura por atendimento médico na cidade, Pasearendi acredita que a população permanece “apreensiva” em relação à doença e que as temperaturas próxima de zero grau tem colaborado para o aumento das filas centros de saúde.

Depois da morte de uma gestante de nove meses no último dia 16, o médico manifestou preocupação em relação ao grupo, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de risco. Duas mulheres grávidas estão internadas no hospital, uma delas passou por uma cesariana e a criança passa bem.

Mesmo com toda a “remodelação” proposta pela Secretaria de Saúde para a Santa Casa (que incluiu a contratação de 19 profissionais e a abertura de novos setores no hospital) o médico reclama das dificuldades para conseguir medicamentos que combatam a gripe suína.

O pneumologista e especialista em tratamento intensivo da Santa Casa, Cláudio Crespo, confirmou a insuficiência de remédios para atender a todos os pacientes. Ele alertou ainda que o quadro epidemiológico verificado em Uruguaiana é diferente, já que a maioria dos casos de gripe suína registrada na cidade, segundo ele, é de pacientes jovens e sem nenhuma doença prévia.

“O que temos visto foge um pouco do que o Ministério da Saúde tem falado. Nossos pacientes graves estão com outro perfil e, por isso, venho afirmando que quero mais medicamento para os que estão em fase aguda, quando ele realmente tem efeito e impede que as pessoas cheguem aqui nas condições que a gente tem visto”, disse Crespo.

Outro problema, segundo ele, são os respiradores (equipamentos utilizados em casos onde há agravamento do quadro do paciente com a doença). De acordo com a direção da Santa Casa, apenas um novo aparelho foi entregue pelo estado, mas ainda não foi colocado em uso e consta como “emprestado” ao local. “Aqui dentro já estamos na outra ponta, com os pacientes mais graves chegando com pneumonia séria e precisando de UTI e de ventilação”.

Fontes


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