Unesco reconhece documento do Arquivo Nacional sobre o regime militar como patrimônio da humanidade

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Agência Brasil

2 de dezembro de 2011

A documentação Rede de informações e Contrainformação do Regime Militar no Brasil (1964-1985), que integra o acervo do Arquivo Nacional recebeu o certificado internacional do Programa Memória do Mundo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

A certificação representa o reconhecimento dessa documentação como patrimônio da humanidade e foi entregue hoje (2) ao Arquivo Nacional, em solenidade na Ilha Fiscal, na Baía de Guanabara, junto ao centro do Rio. Esta é a primeira vez que a instituição recebe da Unesco o registro em nível internacional.

O conjunto de documentos agora reconhecido pela Unesco incorpora acervos de órgãos centrais do antigo Sistema Nacional de Informações (SNI), atualmente sob a guarda do Arquivo Nacional, e de órgãos de informação das unidades da Federação, estes custodiados por arquivos estaduais ou por entidades. Esse conjunto de arquivos integra o Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985) – Memórias Reveladas. Projeto do governo federal coordenado pelo Arquivo Nacional. O Memórias Reveladas serviu de base para a exposição Registros de uma Guerra Surda, exibida em abril deste ano na sede do órgão, no centro do Rio de Janeiro.

A Unesco também contemplou com o certificado de reconhecimento, no âmbito nacional, o Fundo Francisco Bhering – A Carta do Brasil ao Milionésimo, que reúne documentos cartográficos das primeiras décadas do século 20. “Essa documentação foi o ponto de partida para a construção da cartografia nacional nos moldes internacionais”, disse o supervisor de Documentação Cartográfica do Arquivo Nacional, José Luiz de Faria Santos.

Segundo ele, o engenheiro e professor Franciso Bhering, que dá nome ao fundo, foi o relator da comissão que, nos anos 1920, começou a construir a cartografia brasileira na escala 1:1.000.000, utilizada até hoje. São mapas de linhas telegráficas do Brasil e de países fronteiriços, ferrovias, urbanismo, estados e municípios brasileiros, hidrografia, terras indígenas, colonização e atividades bélicas.

Este é o quinto documento do acervo a obter o reconhecimento da Unesco no âmbito nacional, dentro do programa criado em 1992. Os demais são os conjuntos documentais Inconfidência em Minas – Levante de Tiradentes, Lei Áurea, Relações de Vapores SPMAF/SP-Santos e Agência Nacional: a Informação a Serviço do Estado, este último referente à agência de notícias antecessora da atual Agência Brasil.

Criado em 1992, o Programa Memória do Mundo da Unesco tem como objetivo preservar e difundir amplamente documentos, arquivos e bibliotecas de grande valor mundial, buscando impedir, assim, que o patrimônio da humanidade seja esquecido. Para isto, o programa reconhece documentos de significância para a memória coletiva dos povos do mundo, concedendo a eles registros nos âmbitos internacional, regional ou nacional.

Fontes[editar]

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