Um ano após inelegibilidade, André Brasil projeta retorno sem pressão

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24 de abril de 2020

Hoje (24), André Brasil realizou uma publicação nas redes sociais, onde afirma: "Indignação, revolta, tristeza. Uma história apagada em um dia". Algumas horas atrás, considerou-se que o nadador não atendia às condições para competir com atletas deficientes. Cerca de um ano depois, com o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) ter recusado sua ação, ele ainda estava aguardando uma resposta da justiça alemã, que interpôs um recurso com o apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para que pudesse competir novamente.

Mesmo sendo adiada para 2021 devido à pandemia de COVID-19, Andrea acredita que não vai participar dos Jogos Paralímpicos de Tóquio (Japão), o que pode lhe proporcionar mais tempo de treinamento. Por outro lado, como relatou o nadador de 35 anos em entrevista à Agência Brasil, ele continua sonhando: "Sonhar a gente sonha muito, mas eu já não sei se tenho essa vontade, esse querer de estar nos Jogos e não poder, de repente, fazer o que sempre fiz a vida inteira. Meu corpo não é mais o mesmo, a cabeça não é mais a mesma. Não sei se, com tudo que vivenciei, se teria tempo hábil. O corpo não responde tão rápido como quando se tem 20 anos. Ganhar massa ou emagrecer fica mais difícil".

Além de retomar os exercícios físicos somente em setembro, o atleta não participa de competições desde 2018, quando foi submetido a uma cirurgia no ombro esquerdo. "Provavelmente, é a sentença de um juiz que vai determinar algo. Não foi para isso que entrei no esporte, que sonhei conquistar alguma coisa, que quis mostrar a beleza de uma pessoa com deficiência. Eu brincava que era o 'Perninha' e as pessoas me admiravam pelo que eu fazia. Quero continuar com meus objetivos e metas. Meu pedido para esse ano é saúde, principalmente, e que isso se resolva. Que saia uma determinação o quanto antes, sim ou não, para que a gente possa continuar a sonhar. Não sei se caminho para frente ou para trás e já faz um ano disso", diz.

Para entender esse obstáculo: 10 das 14 categorias da natação paraolímpica são para pessoas com deficiência física-motora. André pertence a classe S10 (do inglês swimming) e seu grau de disfunção é baixo. Após responder à vacina, ele foi diagnosticado com poliomielite aos dois meses de idade e, mesmo após oito anos no hospital e sete operações, sua perna esquerda permaneceu com sequela.

A reclassificação realizada em São Paulo há um ano — antes do Open Internacional, disputado no Centro de Treinamento Paralímpico — mostrou que ele não era adequado para o nível S10. Por não haver categoria acima, André foi desqualificado após uma carreira de 15 anos, 14 pódios paralímpicos, 32 campeonatos mundiais e 21 parapan-americanos. Segundo ele, na época, uma análise realizada na piscina constatou que o tornozelo esquerdo tinha uma mínima propulsão — até hoje, o nadador não digeriu isso.

"Enquanto uma pessoa que estudou fisioterapia por três anos e meio, não posso dizer 100% com propriedade, mas, posso achar e ter convicção de algumas coisas. O estudo do movimento, a cinesiologia, não mudou a ponto de a gente ter grandes modificações nesses 15 anos na classificação funcional. Acho que ela precisa ser mais transparente, para pessoas, atletas e técnicos entenderem um pouco mais. Imagina a cabeça de um indivíduo que vai para uma competição sem saber qual sua classe?", indaga.

André só não foi excluído dos Jogos Paralímpicos porque pode participar de competições de peito. Há um ano, o nadador descartava essa opção — segundo ele, essa não é a melhor maneira de nadar. Hoje, pensa de maneira diferente. "Conversei e pretendo participar de competições, de Jogos Regionais e Abertos, como atleta adaptado. Nadar eventos que o CPB determinar nessa prova. É fechar um ciclo em partes. Não da forma como queria, mas figurando com amigos, aproveitando momentos, entendendo um pouco dessa entrega do que vivenciei nesses anos e, de repente, pensar no que vem pela frente", planeja.

No entanto, o brasileiro não acha lutando pelos Jogos Paralímpico como foi medalhista de ouro parapan-americano em Guadalajara, no México, em 2011 — e não há pressão. "O peito será muito mais descontraído, sem cobrança maior que em outras provas. Talvez, seja uma forma de devolver, em parte, tudo que foi feito, por mais que não seja a prova que me trouxe glórias, seria um pouco a maneira de ter as pessoas presentes", conclui.

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