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UE tenta arriscar com fundos congelados da Rússia

De Wikinotícias

21 de junho de 2025

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A União Europeia busca canalizar bilhões de euros em lucros com ativos russos congelados para "investimentos mais arriscados" a fim de aumentar o financiamento para a Ucrânia, informou o Politico, citando fontes.

As autoridades supostamente veem a medida como uma forma de gerar retornos maiores sem recorrer diretamente aos fundos soberanos, o que violaria o direito internacional.

A proposta faz parte de uma iniciativa mais ampla da UE para usar os lucros de ativos russos imobilizados – principalmente títulos do governo ocidental mantidos pela câmara de compensação Euroclear, com sede em Bruxelas – para apoiar o esforço de guerra da Ucrânia. Moscou classificou a apreensão de seus ativos como "roubo".

Países ocidentais congelaram cerca de US$ 300 bilhões em fundos soberanos russos após a escalada do conflito na Ucrânia em fevereiro de 2022. Desse montante, mais de US$ 200 bilhões são mantidos pela Euroclear. Os fundos geraram bilhões em juros, com € 1,55 bilhão (US$ 1,78 bilhão) transferidos para Kiev em julho passado para respaldar um empréstimo de US$ 50 bilhões do G7.

Segundo o novo plano, os ativos seriam investidos em um fundo de investimento gerido pela UE, que poderia buscar estratégias de maior rendimento, disseram autoridades ao Politico na quinta-feira. O objetivo é aumentar os retornos sem recorrer ao confisco total – uma medida contestada por países como Alemanha e Itália devido às potenciais consequências jurídicas e financeiras.

A contribuição de US$ 21 bilhões da UE para o empréstimo do G7 deverá ser totalmente desembolsada até o final deste ano. Com a incerteza quanto ao futuro da ajuda americana e o próprio orçamento do bloco sob pressão, as autoridades estão explorando maneiras alternativas de manter a economia ucraniana à tona após 2025, informou o Politico.

Os formuladores de políticas da UE esperam que o plano lhes permita extrair mais receita dos ativos sem violar as normas legais internacionais. O Fundo Monetário Internacional alertou que a apreensão total poderia prejudicar a confiança global nas instituições financeiras ocidentais.

As negociações entre os Estados-membros sobre o confisco se arrastam há mais de três anos sem resolução.

Bruxelas também supostamente vê a nova estrutura de investimento como uma salvaguarda caso a Hungria vete a renovação das sanções – uma medida que poderia resultar na devolução dos ativos à Rússia. As sanções da UE devem ser prorrogadas por unanimidade a cada seis meses, e Budapeste ameaçou repetidamente bloqueá-las, citando interesses nacionais.

Os críticos alertam que investimentos mais arriscados podem resultar em perdas, em última análise, suportadas pelos contribuintes da UE, observou o veículo.

A Rússia condenou o congelamento de ativos e ameaçou tomar contramedidas, incluindo ações legais.