TV Record foi que mais demitiu funcionários nos estados de SP e RJ em 2011

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5 de janeiro de 2012

Brasil — A TV Record foi a emissora que mais demitiu funcionários nos São Paulo e Rio de Janeiro nos últimos seis meses. Segundo o Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, a emissora demitiu, de 16 setembro até 20 de dezembro, 246 funcionários, a maior parte deles do Recnov (um complexo de estúdios de gravações de novelas e séries) na Rio de Janeiro. A denúncia foi publicada na coluna Outro Canal, do jornal Folha de S.Paulo. Os cortes atingiram todos os setores da central de dramaturgia da emissora.

Segundo o presidente do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, Miguel Walther Costa, as demissões começaram com a campanha trabalhista pelo fim do banco de horas na Record e pela volta do pagamento das horas extras, em retaliação, a emissora reagiu demissões. Segundo Costa, foram dispensados "seguranças, motoristas, produtores e câmeras. Os cortes atingiram todos os setores do Recnov [estúdio de produções]". As demissões atingiram, também, as redações. No jornalismo, 20 profissionais foram demitidos e haverá demissões Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador.

Segundo a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, Suzana Blass, dez jornalistas foram demitidos, porém, a Record ainda não homologou as dispensas. Outros 12 radialistas teriam sido dispensados recentemente. Para Suzana Blass, a redução das redações (que vem acontecendo em diversas empresas jornalísticas e veículos de comunicação do Brasil), ocorre devido ao “temor” das empresas com relação ao futuro econômico e que realizam contenção de custos, ao alegar que elas têm “balanços econômicos sadios” e não apresentaram queda no faturamento.

Para Blass, ao demitirem profissionais, "eles comprometem a mão de obra" que produz o conteúdo e que se verifica com tempo, a "queda na qualidade" da informação do jornalismo: "Estão criando uma estrutura ‘capenga’ para quem fica, que acaba trabalhando o dobro. A baixa qualidade do jornalismo hoje em dia é por isso. Pagam menos, enxugam as redações. A gente vê isso ao longo de décadas. Tem que se preservar a mão de obra, que é a produtora do conteúdo. Não tem como você fornecer o produto sem um bom jornalista.”, disse.

Os sindicatos do Rio de Janeiro já enviaram notas de questionamentos à emissora sobre a quantidade de horas feitas no plantão de fim de ano (12 horas), que ultrapassava o limite definido por lei de até 10 horas (depois disso, Record recuou da decisão e passou a sete horas) e grande número de funcionários demitidos. Caso as afirmações sejam insuficientes, os sindicatos vão denunciar o caso ao Ministério do Trabalho em Brasília e órgãos de defesa dos trabalhadores.

Com esta medida, a TV Record repete a prática dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, a Editora Globo, que durante o mês de novembro e início de dezembro do ano passado demitiram mais de cem profissionais. Para garantir maiores lucros aos patrões em 2012, as empresas cortam vagas. O reflexo disso, além de uma grande leva de profissionais da comunicação desempregados, é a queda na qualidade do jornalismo, já que aqueles que permanecem ficam ainda mais sobrecarregados.

Curiosamente, em edição de 14 de setembro do ano passado, na página 44, com o título “A culpa é do bispo”, a revista Veja já havia feito denúncia semelhante, pois a Record estava com queda de audiência nos últimos meses, está atrasando os salários dos funcionários que ameaçaram entrar em greve, o que ameaça o cargo do vice-presidente da emissora, Honorilton Gonçalves.

O mais curioso que dias depois dessa reportagem, iniciaram as demissões e a Record fez reportagem no Domingo Espetacular negando notícia e fez ataques contra Grupo Abril e o presidente Victor Civita, chegando (pasmem!) questionar até o comportamento dele na empresa na qual fez críticas à parceria com a empresa sul-africana Napsters que foi acusada de ser porta-voz do regime racista Apartheid (1948-1994).

Histórico[editar]

Entre 10 a 11 de novembro, cerca de 40 profissionais foram demitidos e o jornal Folha de S. Paulo acabou os suplementos (entre eles Folhateen), do Grupo Folha. Os desligamentos atingiram também sucursais: no Rio de Janeiro, um repórter de Cuiabá (MT), toda a redação e a parte administrativa foram extintas. Na redação carioca da empresa, a explicação dada ao profissional foi de âmbito salarial. O ex-jornalista, que pediu pra não ser identificado, denunciou ao site do sindicato: “Disseram a mim que foi por eu ter um salário mais alto que os outros repórteres.”, segundo ele, que estava desde 2005 na Folha, durante a tarde (11/11) já chegou informações de desligamentos nas redações de São Paulo: “Por volta das 19h30, fui informado da minha demissão.”, disse.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo emitiu nota, na tarde de 11 de novembro, em manifesto contra as demissões de funcionários da Folha, além da postura da empresa de "se recusar a abrir um canal de diálogo entre as partes". Ainda de acordo com o comunicado, "as estatísticas apontam que há crescimento no faturamento da empresa", o que não justificaria a dispensa de profissionais em massa.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo protesta contra a atitude da direção da empresa Folha da Manhã, detentora dos títulos da Folha de S.Paulo e Agora São Paulo de se recusar a abrir um canal de diálogo entre as partes.

O Sindicato dos Jornalistas entrou em contato na tarde de quinta-feira (dia 10) com a direção da empresa Folha da Manhã, com o objetivo de apurar a veracidade das informações que dão conta que a empresa pretende demitir 40 profissionais, ou cerca de 10% da redação.

Na ocasião, o departamento Jurídico da empresa afirmou desconhecer qualquer processo de demissão e que entraria em contato com o Sindicato no dia seguinte. Na sexta-feira, como não houve retorno do setor jurídico, a diretoria do Sindicato entrou em contato com o departamento de RH que afirmou "não ter informação" sobre o caso.

A diretoria do Sindicato dos Jornalistas afirma que não existem motivos que justifiquem demissões desta natureza. Na verdade, o jornal trabalha com um número limitado de profissionais, que acumulam horas-extras excessivas, "pescoções" intermináveis e multiplicidade de funções, como trabalhar para o impresso e também para o Portal.

Todas as estatísticas apontam que há crescimento no faturamento da empresa o que não justifica tal "intenção". "Todo o final e início de ano presenciamos a mesma postura da empresa, que na intenção de alcançar suas metas de faturamento não pensa duas vezes para demitir trabalhadores. A recusa de dialogar com o Sindicato demonstra o total desrespeito com a entidade e com os jornalistas. Tal atitude é uma contradição a tão divulgada "democracia" do jornal, que na prática é apenas uma estratégia de marketing", afirma o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, José Augusto Camargo (Guto).


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No fim de novembro, o diretor do programa semanal Tudo É Possível (apresentada pela de Ana Hickmann), Vildomar Batista demitiu por telefone sete profissionais da equipe, mas a direção da Record não concordou e realocou cinco dos sete demitidos para nova atração de Roberto Justus. O mais estranho é que o programa deu boa audiência em novembro, mas tem alto custo para manutenção na programação: R$ 3 milhões por mês e está ameaçado de extinção e com novas demissões. As mudanças ocorreram em meio da declaração polêmica do empresário Alexandre Corrêa, marido de Ana Hickmann, sobre Chris Flores (apresentadora do Hoje em Dia) à imprensa, que ela é "falsa", revoltando alguns funcionários da emissora. "Fiquei surpreso. É uma coisa muito pessoal.", disse Mafran Dutra, presidente do comitê artístico da Record. No Twitter, Chris desabafou: "Lindo dia para você que vive uma vida de verdade e não pensa só em dinheiro.". Britto Jr. disse à coluna Outro Canal (do jornal Folha de S.Paulo), que desconhece briga entre Ana e Chris.

Em 1º de dezembro, o jornal O Estado de S. Paulo promoveu, na tarde, alguns cortes em seu quadro de funcionários. Segundo informações da própria redação, confirmadas pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP), cerca de 20 pessoas foram demitidas nessa "primeira leva". São profissionais que trabalhavam nos "Caderno 2", "Caderno TV", "Suplemento Agrícola" e "Caderno Feminino do Estadão". Há a informação de que alguns suplementos serão extintos, como o próprio "Agrícola" e o "Feminino" (criado em setembro de 1953). A direção na sucursal carioca se reuniu com integrantes da redação (1º/12). Os jornalistas foram informados das demissões em São Paulo e em Brasília. Foi passado ainda um posto de repórter que estava vago no RJ, não será mais preenchido.

Segundo alguns funcionários, o clima não chegou a ficar tenso, pois as demissões eram "esperadas". Os cortes não seguiram critérios lógicos, de acordo com o presidente do SJSP, Guto Camargo. "Sempre justificam com os chamados 'acertos financeiros', o que não procede, pois lucro existe. Percebemos esse tipo de coisa sempre no final do ano, quando se coloca 'o produto', em caixa e balança", disse o sindicalista.

Na sucursal do Rio de Janeiro, a repórter Patrícia Villalba foi demitida depois de 15 anos. Ela trabalhava para o caderno de TV do Estadão e cerca de um ano e meio veio da redação de São Paulo para a do Rio de Janeiro. “Disseram que o motivo é que a empresa precisa se enquadrar aos novos tempos.”, conta ela, sobre a alegação da direção do Grupo Estado para seu desligamento. No caderno de TV do Estadão, além de Patrícia na capital carioca, trabalhavam mais cinco jornalistas em São Paulo. Desta equipe de seis profissionais, apenas dois ficam na empresa após esta semana.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Guto Camargo, já classifica a situação do Grupo Estadão como “tragédia”. “Eles (diretores da empresa paulista) dizem que é adequação no nível de faturamento. O que estão fazendo é cortar gastos para no ano que vem faturar ainda mais. O mais assustador é que estas demissões em final de ano estão virando moda. Assim, daqui a um ano eles voltam a fazer contas e nós, os jornalistas, voltamos a ser bucha de canhão.”, lamenta Camargo.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo já estuda entrar com ação no Ministério Público do Trabalho junto com outras categorias atingidas por demissões no Grupo Estadão, como a de gráficos, sob a argumentação de demissão em massa.

Fontes[editar]

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