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Somália: quatro secas seguidas deixam 2 milhões de crianças à beira da fome

De Wikinotícias

1 de fevereiro de 2026

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A ONG Save the Children estima que quase 2 milhões de crianças menores de 5 anos na Somália se tornem famintas até meados desse ano devido ao que chamou de "quatro temporadas de chuvas consecutivas fracassadas", incluindo uma estação de seca em andamento entre janeiro e março. A escassez de chuvas causou graves prejuízos às plantações e também à manutenção do gado, impedindo que as famílias tenham fontes de alimentos, obrigando o Governo Federal a declarar estado de emergência devido à seca em novembro de 2025, a primeira vez desde que o país saiu do mapa da fome em 2022.

No geral, cerca de 4,5 milhões de pessoas estão lidando com a insegurança alimentar no país africano.

Em algumas cidades, como em Benadir (Mogadíscio) e em Galgadud (Somália Central), mais de 90% das famílias já alcançaram um estado de alimentação "insuficiente", segundo a ONG, "adotando mecanismos extremos de enfrentamento", como "pular refeições ou reduzir as porções".

Falta de dinheiro

Cortes significativos nas doações em dinheiro pioraram o problema. Donald Trump cortou parte dos financiamentos para a ONU, seus escritórios afiliados e diversas ONGs desde que assumiu seu segundo mandato no início do ano passado. Os Estados Unidos eram o maior doador mundial, contribuindo, em geral, com 20 a 25% de todas as doações.

De acordo com a Save the Children, o dinheiro enviado antes comprava alimentos para 1,1 milhão de somalis e atualmente, para apenas 300 mil. "Mais de 200 instalações de saúde e nutrição fecharam em todo o país e mais de 1,7 milhão de pessoas vulneráveis ​​perderam o acesso a serviços de proteção", diz o levantamento feito.

Mohamed Mohamud Hassan, Diretor Nacional da Save the Children na Somália, chamou o cancelamento das doações de "traição às crianças e famílias mais vulneráveis ​​do mundo". "As famílias somalis estão sendo abandonadas justamente quando mais precisam de apoio. (...) Em algumas áreas, todas as famílias dependem de medidas emergenciais extremas apenas para sobreviver", enfatizou.